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Folias de Reis festejam a Epifania . Ulisses Passarelli

No dia 6 de janeiro, dito "Dia de Santos Reis", realizou-se mais uma vez a Festa da Epifania, comemoração cujo fio condutor é à revelação de Cristo a todos os povos através de seu batismo. Aceita-se por tradição remotíssima, que neste dia os Três Reis visitaram o Menino Jesus em Belém, o presentearam e adoraram. Os Magos do Oriente foram os primeiros romeiros. Reconhecendo a divindade do Messias, deixaram-nos o exemplo, de que Ele nasceu para todas as raças.
Nos primórdios do cristianismo, a Epifania era comemorada junto com o Natal. Aos poucos se desvinculou e ganhou identidade própria no ocidente, embora no oriente, a Igreja continue a festejar os dois eventos unidos num só.
No Brasil infelizmente, não se dá a esta comemoração, o realce que mereceria, exceção feita a alguns sacerdotes mais conscientes. Ainda não se atentou como seria devido para o potencial evangelizador deste festejo, riquíssimo em cultura popular.
Assim sendo o 06 de janeiro passa mais por conta do povo, que Brasil afora desenvolve diferentes tipos de "Reisados", para comemorar todo o período natalino, até este dia. São manifestações folclóricas que tem por motivo central a visita dos Magos a Jesus, representando o fato com cantos, danças e toques. A Folia de Reis, em sentido genérico, vem a ser um Reisado.
Em São João dei-Rei são conhecidas desde longa data, que ainda não se pode precisar. Há noticias comprovadas de Folias cantando pelas casas da cidade, desde o último quartel do século XIX. Na primeira metade do século XX, até as décadas de 1950-60, atingiram seu apogeu, sendo muito numerosas, tanto na zona urbana quanto na rural. A seguir experimentaram um longo declínio, chegando a se tomar raras no fim dos anos noventa.
Ultimamente, contudo, vem passando por uma injeção de ânimo, ou melhor, revitalização, com o crescente grau de esclarecimento das pessoas quanto ao valor do folclore para a cultura nacional. Não se está, é bem verdade, no ponto ideal, mas "devagar se vai ao longe", diziam os antigos. E assim felizmente as Folias de Reis não tem dado conta de atender aos chamados de visitas às casas, tal o seu número. Surgiu este ano um grupo novo, na Bela Vista formado por pessoas da família Reis. O sobrenome teve seu peso. Além de apresentações em vários pontos da cidade, na Colônia do Marçal, o Padre Antônio Claret Albino, numa atitude louvável, todos os anos convida a Folia a se apresentar na Igreja da Imaculada Conceição, onde se arma vistoso presépio e os folieiros são recebidos qual a herança dos Magos do Oriente. No dia 6 foi a vez da apresentação no Largo do São Francisco. Dia 18 as Folias, já agora homenageando a São Sebastião, poderão ser vistas numa festa no Emboabas (que Oxalá um dia readquira o nome antigo, São Francisco do Onça). Dia 25 do corrente noutra festa, na Avenida Santos Dumont, Matosinhos, Comunidade de São Sebastião. A força da Folia de Reis na cidade fez com que fosse incluída no mapeamento das festas reiseiras na região sudeste pelo folclorista Affonso Furtado da Silva, residente no Rio de Janeiro, maior autoridade no assunto no país.
Ora destaco a presença das Folias no Largo do São Francisco onde além do cenário inigualável, a iluminação criativa e cuidadosa cria um clima adequado às apresentações. Pelo segundo ano consecutivo, que ali vão os folguedos e quiçá se repitam em anos vindouros. A praça famosa já é um ponto turístico por excelência e sem dúvidas com este projeto de comemorações natalinas, que vem sendo desenvolvido com sucesso, ganha uma atração e animação a mais. A incrementação será uma conseqüência lógica e com a repetição a cada ano tomar-se-à um evento tradicional. Para ele convergirão as Folias e Pastorinhas das redondezas, tal como, anos atrás, reuniam-se as Quadrilhas no Largo Tamandaré.
Os Foliões clamam ainda os problemas de sempre, tais como falta de uniforme e dificuldades básicas de transportes e reposição de instrumentos, mas passa quase despercebida a desvalorização humana. Estes homens são como heróis da cultura popular, mananciais da tradição, músicos de oitiva, que sem pauta musical relembram-nos hoje as melodias folclóricas do passado, que não fosse sua memória, teria desaparecido, já que não houve quem as fizesse registrar.
De casa em casa, noite após noite, vão os Mestres Foliões e seus tocadores levando bênçãos e alegrias pua os lares e recolhendo donativos, para diferentes obras de caridade. Posso testemunhar pela longa vivência a extrema honestidade deles, bem como, o profundo respeito à propriedade alheia e a tudo quanto é religioso. Para os participantes da Folia, ela não é diversão, mas missão sagrada, jornada de fé.

Ulisses Passarelli . folclorista

No dia 4 de janeiro de 2008, 15 grupos de Folia de Reis e Pastorinhas se encontraram para a Festa dos Santos Reis, que aconteceu na Paróquia Imaculada Conceição, Colônia do Marçal, com o total apoio do idealizador do evento, Padre Antônio Claret Albino.
Toda a equipe dos festeiros ajudou, arrecadando mantimentos e trabalhando no almoço e lanches, não medindo esforços. Pesquisadores da UFMG registraram todo o evento. O dentista e folclorista Ulisses Passarelli, foi o responsável pela organização deste grande evento. Ele também é o responsável pelos Encontros de Folia de Reis e Pastorinhas do Largo São Francisco, todos os dias 6 de janeiro, o dia dos Santos Reis.

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