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3. Cultura Brasil

Folia de Reis . Globo Rural

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O Globo Rural começou num dia seis de janeiro, Dia de Reis. Seguindo uma tradição que vem da idade média, nessa época do ano os foliões revivem a história mais contada do mundo cristão. No aniversário de 12 anos, o programa documentou a folia de Alto Belo, em Minas Gerais.
Dia 24 de dezembro, meia-noite em ponto. Neste momento o Terno de Reis de Alto Belo começa a cantoria que só vai terminar no dia seis de janeiro. A folia interpreta as músicas na forma de ladainha. Primeiro, cantam os puxadores. Depois, vem o coro, sempre posicionado atrás.
Cumprida a obrigação na igreja, o Terno de Alto Belo começa a peregrinação. Vai dar o primeiro giro do ano.
Folia de Reis é algo de muito respeito. Nunca chega a uma casa sem ter sido convidada e nunca entra sem pedir licença. A tradição manda que os donos da casa sejam saudados com o canto de porta.
Quem abriu a porta para o Terno de Reis de Alto Belo foi a dona Maria das Dores, a Sinhá. Enquanto a folia permanecer na casa, ela é quem faz o papel de porta-bandeira. Por tradição, ao dono da casa cabe a honra de ter nas mãos o símbolo do Terno de Reis. É uma retribuição à hospitalidade.
O Terno de Reis de Alto Belo considera a parte mais importante da celebração a saudação ao menino Jesus, cujo nascimento a estrela guia revelou aos magos, que, na verdade, nunca foram santificados oficialmente pela Igreja.
A Bíblia, no Evangélio de São Matheus, fala apenas que magos do Oriente chegaram a Belém trazendo tesouros. Não diz quantos magos eram nem aponta nomes. Duzentos anos depois, o escritor Tertuliano passou a chamá-los de reis. Só no século IX o povo lhes atribuiu os nomes pelos quais hoje são conhecidos: Belchior, que trouxe ouro; Baltazar, que trouxe incenso; e Gaspar, que trouxe mirra.
Uma visita do Terno de Reis de Alto Belo dura cerca de uma hora. O roteiro diário de uma Folia de Reis segue a lista de convites que os moradores apresentam com antecedência. O giro no Terno de Alto Belo geralmente começa pelas casas do povoado. Depois, se estende aos sítios e fazendas da região.
O caminho que atravessa o curral leva à casa da família Pereira do Ó, tradicionais festeiros de reis. Já por quatro gerações abrem a porta para a folia. Quem recebeu a bandeira foi o seu Otávio Pereira do Ó. Nem bem começava o ritual na sala; na cozinha, a mulher do seu Otávio, a dona Rosa, tomava providências para oferecer algo para os foliões.
Enquanto a dona Rosa cuida do fogão, o seu Otávio cuida da devoção. O sertanejo acredita que o culto aos santos reis traz proteção especial. Por isso, num gesto dos mais fervorosos do ritual, o chefe da família conduz a bandeira por todos os cômodos, com a intenção de afastar coisas ruins e deixar o lugar abençoado. Também passa com o quadro em volta da casa, formando uma espécie de cinturão espiritual.
Ouvindo os cantos de reis, interpretados com toda a devoção e com fervor religioso, da para se perguntar a razão desse ritual ter o nome de folia. É que em toda casa que vai, o grupo de reis cai realmente na folia. No norte de Minas, cair na folia é cantar e dançar o guaiano, a música mais típica desse sertão. O guaiano é uma moda de viola que traz geralmente uma letra engraçada.
Outra dança folclórica cultivada praticamente por todas as folias de reis é o sapateio no lundu.
Por volta das 8hs a dona Rosa levou a comida, um verdadeiro almoço, com frango, arroz e feijão.
Às 9hs, era hora de voltar para casa. No alpendre o seu Otávio agradeceu a visita fazendo uma contribuição ao tesoureiro da folia.
Tem gente que da dinheiro. Tem gente que contribui com leitão, galinha e arroz. No dia de reis, a folia convida os moradores do povoado para comer e beber tudo o que foi arrecadado.

Fonte: Globo Rural

Estudantes estudam a Folia de Reis
A festa passou a ser matéria de estudo em uma escola na zona rural do distrito de São Domingos dos Carneiros, no município de Arcos, no centro-sul de Minas Gerais.
Fonte: Globo Rural


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