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Serra de São José, Monumento Natural Nacional

Descrição

Luiz Cruz
A Serra de São José é uma das referências mais antigas da Região do Rio das Mortes. Sua denominação é exatamente por estar inserida na antiga Vila de São José. O ouro aluvional encontrado em seus fluxos de água atraiu muita gente para cá, até que se instalou uma povoação que recebeu o nome de arraial de Santo Antônio do Rio das Mortes, depois Vila de São José e, finalmente, a partir de 1889, cidade de Tiradentes. Calçadas, trilhas, cavas são os caminhos antigos e históricos que nos possibilitam ter acesso ao bloco de pedra. A mata atlântica desce de seu sopé formando uma longa manta verde. O campo rupestre, com sua vegetação mais rala e arbustos em troncos retorcidos, abriga uma enorme diversidade de plantas. Atrás, o cerrado, já bastante comprometido por plantações, mas ainda rico em vegetação. Do alto da serra, podemos apreciar uma paisagem deslumbrante, destacando-se o conjunto arquitetônico de Tiradentes, num vasto cenário de montanhas, com o Rio das Mortes. Muitas nascentes de águas cristalinas vão descendo pelas rochas, formando córregos, lagos e cachoeiras. Ao longo dos córregos podemos apreciar uma diversidade enorme de libélulas, são cerca de 120 espécies de libélulas na serra. Seus três ecossistemas distintos abrigam fauna bem diversificada.

O bloco rochoso da Serra de São José tem aproximadamente 12 km de extensão, com cerca de 1,2 km de largura, predominado por quartzitos. A localização se encontra a 21º 06,30 lat S e 44º 11,00 long W. A altitude varia entre 840 a 1.440 m. Temperatura máxima de 36º C em fevereiro e mínima de 6º C em julho. As chuvas ocorrem entre outubro a março, com média de 2.018 mm. A distância de Belo Horizonte é de 190 km.

Já no início do século XIX, a Serra de São José chamava a atenção dos viajantes estrangeiros pela sua beleza. Alguns até coletaram plantas na serra, como foi o caso de August Saint-Hilaiere e a expedição de Martius e Spix. A expedição Langsdorff passou por aqui em 1824 e o artista Rugendas produziu a primeira imagem da cidade de Tiradentes, uma bonita paisagem retratando a Matriz de Santo Antônio com a Serra de São José, um bico de pena com aguada. A segunda imagem mais antiga local figura no livro Notices of Brasil in 1828, do reverendo Robert Wash, uma curiosa representação da Serra de São José com o núcleo arquitetônico de Tiradentes. Nesta gravura podemos apreciar o bloco rochoso sem vegetação, pois ao longo do século XVIII, a mata foi praticamente eliminada devido à mineração aurífera.

Além da memória visual, Walsh registrou: “Era uma terra de rochas nuas, com imensos paredões de pedra elevando-se perpendicularmente do solo, avançando em linha reta pelas terras e dividindo-as em vastos compartimentos”. O viajante chegou até a Cruz do Carteiro, um dos referenciais importantes da serra: “ao começarmos a descer a encosta, a primeira coisa que vimos foi uma cruz tosca, fincada numa rocha nua, indicando que ali havia sido cometido um assassinato”. De todos os viajantes, R. Walsh é o que mais se detém aos vários aspectos da serra. O inglês Richard Burton quando passou por Tiradentes teve grande interesse pela serra, ao passar no arraial do Córrego, relatou sobre “a Capela de Nossa Senhora do Bom Despacho. A igrejinha era bem cuidada, quando o ouro abundava no Córrego e havia pomposas festividades anuais; nos últimos quinze anos, caiu em ruínas.” Além do ouro, Burton fala dos cristais, que ocorriam naquela região. A capela desapareceu totalmente, sabemos de sua localidade, através de relatos de pessoas mais idosas que ainda se lembram de alicerces e fragmentos de muros de pedra. No local também existiu um cemitério. Burton se interessou muito pela mineração de ouro aqui, provavelmente pelo fato de um grupo de ingleses que estava minerando na Serra de São José, a General Mining Association. A frente deste grupo estava Mr. Robert H. Milward. Outros viajantes estrangeiros passaram pela cidade e deixaram relatados interessantes.

A Serra de São José tem atraído atenção de pesquisadores das universidades brasileiras. O professor Ruy José Válka Alves trabalha na serra há mais de vinte anos, com suas próprias investigações, ou orientando seus alunos do Museu Nacional / UFRJ. A serra é área de pesquisas geológicas da UFRJ, que todos os anos envia seus alunos para trabalhos de campo. A UFLA, a UFV e UFSJ já realizaram trabalhos científicos na Serra de São José. A UFES também tem realizado anualmente trabalhos de campo na área de Geologia. A atividade mais recente da UFSJ é a montagem de uma coleção de exemplares representativos da flora da serra, coordenada pelo professor pesquisador Marcos Sobral. Este trabalho tem parceria com o Centro de Pesquisas René Rachou, de Belo Horizonte, na preparação de extratos dessas plantas, que são testadas nas buscas de possíveis princípios ativos contra doenças como esquistossomose, chagas, malária, etc. A UFMG iniciou um trabalho, associando informações históricas, geológicas e botânicas. Com o material levantado, a UFMG pretende criar programas para a rede pública de ensino de Tiradentes, através do projeto UCA – Um Computador por Aluno. Até o processo de tombamento federal da Serra de São José, que teve início em 1979 e ainda não concluído, virou tema de trabalho acadêmico de Matheus Blach, do Centro Universitário UNA, de Belo Horizonte.

Em Tiradentes, foi lançada uma campanha em defesa das plantas da Serra de São José, que têm sido retiradas para o comércio ilegal. O evento contou com o apoio da Polícia Militar do Meio Ambiente. Um cartaz com diversas plantas da serra foi distribuído no entorno da serra, alertando que: retirar, vender ou comprar plantas de unidades de proteção ou áreas afins é crime ambiental, conforme a Lei de Crimes Ambientais Nº 9.605 de 12/02/1998 e Decreto Nº 3.179, de 21/09/1999. Denúncias podem ser feitas à Polícia Militar do Meio Ambiente, através do tel. (32) 3373 2077.
Fonte: Alma Carioca

Mais informações:
Projeto sobre cultura, história e biodiversidade da Serra de São José
Pela preservação da Serra São José . Luiz Cruz
Desmatamento na Serra de São José
Serra de São José . Luiz Cruz
Troca da Cruz do Carteiro . Serra de São José
Palestra. Serra de São José como patrimônio cultural
Lançamento do projeto Cultura, História e Biodiversidade da Serra de São José
Incêndio Destrói parte da Mata da Serra de São José . Tiradentes . Minas Gerais
Ciclo de Palestras A Biodiversidade da Serra de São José . 20 a 30 de outubro


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Fogo destrói grande área na Serra São José

Cerca de mil hectares de área foram devastados por queimada na Serra São José no último final de semana. Segundo relatório assinado pelo engenheiro florestal Itamar Christófaro Silva, do Instituto Estadual de Florestas (IEF), o estrago equivale a 10km² de mata, danificando 21 % da Área de Proteção Ambiental (APA) da serra e 26% do Refugio Estadual de Vida Silvestre (REVS).
De acordo com o subcomandante do 2° Pelotão do Corpo de  Bombeiros em São João del-Rei, subtenente Wagner Eduardo Jacques, o incêndio começou na tarde de sexta-feira, 9, mas só foi controlado na última segunda-feira, 12,porvoltadas 17h30. Um grupo de 50 bombeiros militares, dez bombeiros voluntários e cinco membros do IEF trabalhou no combate à queimada. O instituto também disponibilizou a aeronave Guará 3. "Fizemos um sobrevôo na área para avaliarmos o que foi danificado e desenvolvermos ações preventivas nos outros locais que não foram atingidos pelo incêndio", explicou o subtenente.

Ainda segundo ele, o clima na região pode ter influenciado no problema, já que há quatro meses não chove, a umidade relativa do ar está baixa e a temperatura elevada. "Além disso, no mês de agosto venta rnuito. Essa junção de fatores propicia o alastramento rápido do fogo. E nessa época que o IEF e o Corpo de Bombeiros têm feito trabalhos preventivos na região. Um exemplo disso é a conscientização de proprietários de fazendas para que não queimem pastos sem autorização", ressaltou.
Segundo o subtenente Jacques, ainda não se sabe o que motivou esse incêndio, mas a ocorrência já está sendo averiguada pelas autoridades responsáveis, finalizou.

Prejuízos trazido pelas queimadas

Eliminam a micro fauna e microflora do solo: o solo é constituído de partículas minerais, matéria orgânica e organismos vivos, mas após uma queimada nos seis primeiros centímetros de  solo, nada sobrevivem.
Expõem o solo à erosão: com o fogo indiscriminado, o solo fica suscetível a erosões, isto é, ao transporte pela enxurrada de milhares .de partículas para dentro dos rios, lagos e córregos causando o assoreamento. Com isso, a qualquer chuva esses mananciais transbordam provocando as enchentes.

Secam as nascentes de água: o solo fica ressecado, dificultando a infiltração da água de chuva até os lençóis freáticos, que abastecem as nascentes.

Afetam a qualidade do ar: as queimadas têm contribuído com o aumento de temperatura do planeta Terra através do efeito estufa, que é a retenção do calor dos raios solares na superfície terrestre pela barreira" de gases do ar .

Causam desequilíbrio entre pragas e predadores: as queimadas eliminam a vegetação existente e afugenta pássaros (gavião, anu, bem-te-vi) e outros animais (pequenos roedores) que se alimentam dela. Dessa forma, ao eliminar os predadores naturais a presença de pragas na área queimada se torna mais comum.

Diminuem a fertilidade do solo: o fogo- causa a perda de macro e micro nutrientes.                

Fonte: 3° Pelotão da 138 Companhia Independente de Meio Ambiente e Transito
Gazeta de SJDR, 17 de Setembro de 2011   

Para mais informações sobre o tema, utilize nosso sistema sistema.
 

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