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O "TUNIS" . Jota Dangelo

Ainda não.se fez um relato minucioso da trajetória teatral de um dos grupos amadores mais importantes de Minas, O TUNIS, Teatro Universitá­rio Sanjoanense, criado em São João del-Rei em 11 de maio de 1968, tendo à frente o padre professor José Cimino e o advogado, ator e diretor de teatro Luiz Dangelo Pugliesi. Na retaguarda, o Diretório Acadêmico da antiga Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del-Rei.
A cortina se abria e um outro mundo começa­va: o TUNIS estava em cena e a magia enchia o palco. E logo a música transbordava, porque cantar era o forte daquele grupo teatral, magnificamente ensaiado pelo preparador musical Luiz Antônio Bini, filho dileto da nossa mais brilhante pianista, Mercês Bini Couto. Vejo-a ainda ao meu lado, no piano de sua casa, justo ali, onde hoje fica a Confeitaria da Vovó, Dona Mercês, exigindo que eu posicionasse os dedos sobre as teclas como as garras de um felino. Um suplício para quem aos nove, dez anos de idade, ia para aquelas aulas de piano por estrita obediência a ordens superiores  emanadas da tia Margarida, disposta a me educar musicalmente, nem que fosse a última coisa que fizesse em vida. Não durou muito seu desejo nem meu esforço obediente: logo a professora, minha tia e eu mesmo, bem mais rápido que elas, chegamos à conclusão de que eu não tinha a vocação de Abgar Tirado, nem seu talento para ser um pianista. No máximo, eu estava destinado a ser um sambista instintivo, como tantos outros, apenas esforçado, batucando sofrivelmente em caixa de fósforo, e encantado com as melodias de Agostinho França e Pistilim.
Mas voltando ao TUNIS, sua brilhante ence­nação de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, em 1968, não ficava nada a dever ao espetáculo dirigido por Silnei Siqueira para o Grupo Teatral da PUC de São Paulo que ganhou o prêmio do Festival de Nancy, na França, em 1965. Na verdade, o TUNIS conquistou o primeiro lugar no Festival Nacional de Teatro Amador no Rio de Janeiro, em 68, com aquela encenação. No ano seguinte foi laureado também em primeiro lugar, com a mesma peça, no Festival de Teatro de São Carlos, no interior paulista, promovida pela Con­federação de Teatro Amador do Estado de São Paulo (Cotaesp).
Durante a década de 70 o TUNIS esbanjou criatividade sob a direção de Luiz Dangelo e com um elenco primoroso, destaque para Henrique Mo­reira, Alcimara e Alberico Zanetti, Luiza Teixeira, .Mariangela Francia, Maria Aparecida Souza e Cleir Edson, entre outros nomes. No repertório do grupo, Marat -Sade, de Peter Weiss; Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado; Tunis Conta Zumbi, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri; Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna; A história do Juiz, de Renata Palottini; e Missa Leiga, de Francis­co de Assis, entre outras encenações. Ultrapassou os limites de São João del-Rei e foi aplaudido em Lavras, Oliveira, Mar de Espanha, Prados, Dores do Campo, Tocantins, Belo Horizonte e Andradas. Foi além, esteve em Florianópolis e Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, em Arcozelo, no estado do Rio. O TUNIS foi o legítimo sucessor do Clube Teatral Arthur Azevedo, de saudosa memória, honrando, no seu tempo, a tradição teatral da cidade que vem do século XVllI, dos rituais litúrgicos da igreja católica, tão impregnados de teatralismo e dramaticidade.

Fonte: Gazeta de SJDR, 18 de Junho de 2011

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