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Museu do Tiradentino Virtual | Cidades são feitas de ruas, mas a história é feita de pessoas/Luiz Cruz
Descrição
Luiz Antônio da Cruz | Tiradentes
Museu do Tiradentino Virtual | Cidades são feitas de ruas, mas a história é feita de pessoas/Luiz Cruz
Acompanhe as publicações e encontre aqui no Museu do Tiradentino histórias e imagens de cidadãos que colaboraram para a preservação do nosso Patrimônio Cultural e Ambiental. Alguns registrados em 2002 já partiram, outros estavam bem jovens, certos ainda bebês e ao longo desse tempo estão escrevendo suas histórias de vida. Então, registrar é preciso!
Seja bem-vindo ao Museu do Tiradentino/2026
Luiz Cruz
Nasceu e vive em Tiradentes. É professor, autor e editor. Estudou artes na FAOP – Ouro Preto e na Escola de Artes Visuais do Rio de Janeiro. Graduado em Letras pelo INCA/UFSJ, doutor e mestre em Arquitetura e Urbanismo pela EAU-UFMG, prestou estágio pós-doutoral em História, na Fafich-UFMG.*
Museu do Tiradentino - virtual
Tiradentes, a antiga Vila de São José, foi a primeira ocupação da região do Rio das Mortes. Ao longo do tempo, vivenciou o fausto com a produção aurífera e com os recursos do extrativismo se estruturou arquitetonicamente, em uma malha urbana singela e decorosa. Seus habitantes viram esgotar as jazidas de ouro e sentiram na pele a opressão portuguesa na arrecadação dos impostos – o quinto do ouro. Rebelaram-se, promoveram insurgências e sonhos libertários. Idealizaram uma República. Após denúncia, prisão e execução do líder, o são-josefense Joaquim José da Silva Xavier, a vila passou por longo período de declínio econômico e sucessivas perdas de território. No início do século XX, os poetas que passaram pela antiga vila, referiram-se a ela como “cidade morta”.
Os séculos se passaram. Nos primórdios eram só os indígenas, depois chegaram os paulistas, os portugueses, os de outras capitanias, os africanos, os estrangeiros, os adotivos. Seus moradores garimparam, trabalharam, edificaram, plantaram, subsistiram. Conheceram o brilho do ouro e sua bonança, mas também vivenciaram amarguras com o isolamento e a economia devastada, após o malogro da Inconfidência Mineira e o esgotamento das jazidas auríferas. Conseguiram manter preservado o seu conjunto arquitetônico e paisagístico, que tanto impressionou os viajantes modernistas da expedição de 1924. Isso acabou por se tornar uma das principais inspirações para se pensar na preservação do Patrimônio Cultural do Brasil.
Na década de 1970 começou a despertar atenção e teve o seu primeiro museu, instalado na casa do inconfidente Padre Toledo, pela Fundação Rodrigo Melo Franco de Andrade. Mas somente a partir dos anos 80, Tiradentes teve seu patrimônio revitalizado e o turismo se tornou sua principal fonte econômica.
Ao povo de Tiradentes, aos nativos e aos de coração, devemos a preservação dessa cidade, com o seu acervo cultural e ambiental. Cada um construiu uma história nessa terra, cada um tem história para contar. Quando preparávamos para celebrar os 300 anos da instalação do Arraial de Santo Antônio, 1702 / 2002 – fotografamos 900 pessoas da cidade. Desse total, selecionamos 300 fotografados e montamos a exposição Tiradentes e os Tiradentinos, no Centro Cultural Yves Alves. Revestimos as paredes com as fotografias das pessoas que viviam e se orgulhavam da terrinha amada. Para celebrar os 300 anos de elevação do Arraial de Santo Antônio à Vila de São José – ocorrida a 19 de janeiro de 1718, programamos apresentar os fotografados de 2002, juntamente com as fotografias de 2018. Conseguimos registrar mais de 100, mas tivemos que abandonar a ideia porque alguns haviam falecido, outros agendavam o dia para fazer a fotografia, mas na hora diziam que não estavam bem. Ainda, outros pediram para não ser fotografados.
Ficamos com os 300 fotografados de 2002 e mais de 100 entrevistas registradas em 2018 – um material precioso do nosso Patrimônio Humano.
Esse material é nosso acervo, mas queremos compartilhar com a comunidade. Por isso, criamos o Museu do Tiradentino – Virtual. Vamos compartilhar as fotografias e as entrevistas. Algumas inseridas além dos 300 fotografados em 2002, por questões estratégicas, consideração à história e à vivência de cada um.
O texto do catálogo da exposição Tiradentes e os Tiradentinos, ocorrida em 2002, é de autoria do jornalista e advogado Ângelo Oswaldo de Araújo Santos. Trata-se de um dos maiores defensores da proteção do Patrimônio Cultural de Tiradentes, sócio-fundador da SAT-Sociedade Amigos de Tiradentes, que a partir de 1980, executou diversos projetos que resultaram na revitalização local. Ele era, então, o Secretário de Estado da Cultura e é o atual prefeito da antiga Vila Rica, hoje Ouro Preto. Esse texto, expressa bem a nossa proposta em homenagear a cidade e os seus habitantes:
Acareação de Tiradentes
Entre as iniciativas que assinalam o tricentenário do surgimento do núcleo urbano de Tiradentes, vai permanecer por longos anos na memória da cidade a exposição de fotografia concebida e curada pelo artista Luiz Cruz.
Desde muito mais jovem um militante das melhores causas tiradentinas, experimentado em frentes de ataque e de resistência, ele conhece fundamente a paisagem em que se inscreve. Nesse trabalho, parece inspirado na grande pintura parietal da capela de São Francisco de Paula, ao recolher rostos emblemáticos e instalar como um grande ex-voto, o memorial dos 300 anos.
Enquanto três séculos nos contemplam da Ponta do Morro, 300 caras nos olham nos nossos olhos e nelas nos miramos a nós mesmos, em busca, talvez, do significado da nossa presença no tempo, na trama da vida, na reviravolta do mundo.
Terra dos homens, a cidade se refaz nas imagens que testemunham sua permanência. Encará-la com a consciência dos seus desafios, do nosso compromisso e das potencialidades de cada qual é o que nos pedem os retratos de Tiradentes. Com cara e coragem, despidos de carapuças e de máscaras, estamos diante do enigma. Quem somos e o que somos no espelho da saga?
Ângelo Oswaldo de Araújo Santos
Secretário de Estado da Cultura de Minas Gerais e sócio fundador da SAT – Sociedade Amigos de Tiradentes
* Matéria completa em pdf no arquivo anexo
Fonte: Museu do Tiradentino Virtual




















