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Agenda Cultural

V Colóquio Internacional Escrita, Som, Imagem | Universidade Federal de São João del-Rei | 17 a 20/05/2026

Data

17/05/2026

Cidade

SJDR

Local

Campus SA UFSJ

Descrição

Acesse o website

Local: Campus Santo Antônio da UFSJ-Universidade Federal de São João del-Rei

Apresentação do Colóquio

O V Colóquio Internacional Escrita, Som, Imagem propõe debater a estética e a poética da paisagem em suas representações nas artes e mídias.

Em inglês, landscape deriva do holandês landschap — “lant” (terra, land) e “scap” (forma) — sendo o termo usado, a partir do século 15, para designar representações visuais de cenas naturais pitorescas, mas contém em si a ideia de terra ou lugar. Já paisagem chega ao português através do francês paysage — assim como em outras línguas românicas (paesaggio, em italiano, paisaje, em espanhol) — derivado de pays / país, que, por sua vez, se origina no latim pagus — circunscrição territorial e, por extensão, região, pátria. Em seu sentido mais geral e corriqueiro, tanto a forma originária do latim (paisagem), quanto a originária das línguas anglo-germânicas (landscape), designa “extensão territorial que a vista alcança; panorama” e “reunião dos componentes e elementos naturais, ou não, observados a partir de um determinado lugar”, segundo o Dicionário Houaiss, que, em seguida, lista também “natureza, tipo ou característica de um espaço geográfico” e “expressão artística (pintura, desenho, fotografia, gravura etc.) cujo tema é a natureza, as formas naturais, os ambientes do campo.”

O termo paisagem assumiu um papel central no campo da geografia, bem como na área de patrimônio, devido à noção de “paisagem cultural”. Assim, em dicionários de termos geográficos encontram-se definições sucintas de paisagem como “espaço geográfico que se pode ver desde um certo ponto” (Lacoste, 2003, p. 288), em que se destacam as ideias de visibilidade e percepção, ou outras que apontam para a importância do observador, como, por exemplo, “uma aparência e uma representação: um arranjo de objetos visíveis percebidos por um sujeito através de seus próprios filtros” (Brunet, Ferras, Théry, 1992, p. 373). Como indica Rafael Ribeiro, é preciso observar as “tensões no conceito de paisagem: proximidade e distância, corpo e mente, imersão sensorial e observação distanciada” (Ribeiro, 2025, p. 4).

No campo de Patrimônio Cultural, a paisagem é vista basicamente de duas formas: como vista (seguindo a tradição visual do conceito) ou como produto da relação entre sociedade e natureza, incentivada por alguns ramos da geografia e pelo crescimento da preocupação ambiental (Ribeiro, p. 2). No primeiro caso, percebe-se frequentemente a influência do ideal romântico da natureza, que faz com que a paisagem passe da representação de um espaço para significar a própria natureza. Como consequência, nas políticas de conservação podemos citar o tombamento de jardins e outros bens paisagísticos, bem como de monumentos emoldurados por aspectos da natureza e de áreas cujo panorama seja relevante para as populações vizinhas (como a Serra do Curral, em Belo Horizonte) ou então do entorno do bem tombado (Ribeiro, p. 23-24). Já no segundo caso (ênfase na relação entre paisagem, natureza e sociedade), percebe-se o papel direto do Estado e de organismos internacionais como a UNESCO em políticas de valorização de paisagens históricas e de interesse cultural, sobretudo a partir da criação da Lista de Patrimônio Mundial a partir da Convenção sobre Patrimônio Mundial Natural e Cultural (1972), “reunindo dois movimentos de conservação que até aquele momento eram relativamente autônomos: a conservação da natureza e a preservação do patrimônio cultural” (Ribeiro, p. 27), o que inclui também paisagens urbanas.

As paisagens dependem do olhar. Segundo Maria Tereza Paes, “a paisagem da visão horizontal ou oblíqua (...) resulta de um ponto de vista subjetivo e individual, podendo partir do artista, do cientista, do turista ou do senso comum.” Por outro lado, “[a] paisagem do olhar vertical, do geógrafo, do cartógrafo, do empreendedor, do planejador, entre outros, ganha uma representação nos mapas de uso do solo, dos domínios florestais, das formas de hábitat, e produz a visão das paisagens agrárias, urbanas, produtivas...” (p. 79). Portanto, permitem diferentes perspectivas ao pesquisador do assunto.

O historiador Simon Schama, em entrevista sobre os 30 anos da série documental Landscape and Memory, baseada no livro de mesmo título, enfatiza a distinção entre os conceitos de natureza e paisagem. Segundo o historiador, enquanto “a matéria bruta da natureza” se encontra “lá fora,” a paisagem é “um estado de espírito antes de poder ser um estado de natureza”. Em oposição aos elementos naturais em seu estado mais puro, não transformados ou manipulados pela ação humana - como rochas, árvores, água, solo etc. -, a paisagem não é algo meramente dado, mas construído pela nossa percepção, imaginação e experiência. Antes de vermos “a natureza”, vemos o que ela significa para nós - um olhar, uma memória, um sentimento que molda o cenário.

Essa noção já estava presente na obra seminal de Raymond Williams, O campo e a cidade (1973). Para ele, o conceito de paisagem implica separação e observação: “o homem não apenas contempla a terra mas também tem consciência do que está fazendo, como uma experiência em si, e preparou modelos sociais e analogias tiradas de outros campos para apoiar e justificar a experiência” (p. 201-202). A paisagem, portanto, depende de um artifício, como ilustrada pelo verso de Marvell, em “Upon Appleton House”: “Parece, em meio à grama delicada, /Uma paisagem num espelho pintada” (p. 206). Isso devido à importância do “espelho de Claude”, instrumento ótico cuja função é fazer uma mediação entre a natureza e a arte, “fabricando” a paisagem a partir não de sua aparência real, mas baseada em modelos artístico-culturais, como os quadros de Claude Lorrain e Nicolas Poussin. Como observa W T J Mitchell: “A paisagem já é artifício no momento em que é contemplada, muito antes de se tornar objeto de representação pictórica.” (2002, p. 14). O simples ato de olhar para a paisagem já a transforma, fazendo com que ela deixe sua condição de “natureza pura” e passe a ser moldada pela percepção, pelo enquadramento do olhar, pelas memórias do observador situado historicamente.

Eixos Temáticos

As propostas aprovadas abordam, do ponto de vista da intermidialidade, um dos tópicos a seguir:

  • Paisagem, memória, nostalgia
  • Paisagem cultural e patrimônio
  • Paisagens sonoras (soundscapes)
  • Paisagens literárias
  • Paisagens no imaginário local, regional, nacional
  • Paisagem, meio ambiente, transição climática
  • Direito à paisagem: a paisagem como bem coletivo
  • Paisagens alteradas e seus impactos socioculturais
  • Paisagens utópicas e distópicas
  • Paisagem virtual

Edições anteriores

As duas primeiras edições do evento tiveram como principal objetivo trazer para o debate acadêmico brasileiro questões teóricas, metodológicas e conceituais sobre o campo de estudo da intermidialidade. Naquele momento (2017 e 2019), a noção de intermidialidade começava a circular no Brasil.

Nesse sentido, a fim de se introduzir seus marcos teórico-metodológicos, a primeira edição (2017) contou com a presença de dois dos principais pesquisadores do campo: Irina Rajewsky, que expôs modelos de estudo do texto literário a partir da intermidialidade; e Claus Clüver, que buscou refletir sobre o lugar dos estudos de intermidialidade no domínio acadêmico. (Site da edição)

Em sua segunda edição (2019), o evento reuniu um grupo de convidados que buscou refletir sobre as zonas de indistinção entre diferentes práticas artísticas e culturais, como pintura e cinema (Walter Moser); poesia, digitalidade e bioarte (Eduardo Kac); e música, poesia e performance (José Miguel Wisnik). (Site da edição)

A terceira edição do evento, realizada em edição on line em outubro de 2021, propôs como tema a Natureza, buscando, desse modo, discutir as diversas formas como a Literatura, as Artes e as Mídias representam a natureza e se relacionam com ela em seus processos produtivos, questões especialmente relevantes em um período marcado pela pandemia de Covid-19, pela emergência climática e pelas tragédias envolvendo as barragens de Brumadinho e Mariana. O evento contou com a participação de Jørgen Bruhn, Lauren S. Weingarden, Paulo C. Chagas e Sophie Aymes. (Site da edição)

A quarta edição do evento, realizada em setembro de 2024 na PUC Minas, teve como tema Materialidades em Questão, buscando refletir sobre o papel das condições técnicas de produção e recepção das obras artísticas e literárias no processo de construção de sentidos. O evento contou com participação de Eckart Voigts, Fernando Pérez Villalon, Hernán Ulm, James Cisneros, Márcia Arbex, Mario Cámara, Osvaldo Silvestre, Ricardo Aleixo, Vera Follain de Figueiredo e Verônica Stigger. (Site da edição)

Os livros decorrentes das três edições do Escrita, som, imagem estão disponíveis para serem baixados gratuitamente por meio dos links abaixo:

Escrita, Som e Imagem: Perspectivas Contemporâneas - Vol.1

Escrita, Som e Imagem: Leituras Ampliadas - Vol.2

Escrita, som, imagem: Natureza em Foco - Vol.3

Fonte: Intermídia

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