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Padres Rixentos - 2 . Antônio Gaio Sobrinho

Descrição

Como prometido anteriormente, hoje discorrerei sobre o Pe. Joaquim Mariano da Costa Amaral Gurgel, que foi pároco ou vigário da Matriz de Nossa Senhora do Pilar, entre os anos de 1806 a 1823, em cuja casa hospedou Saint Hilaire, numa das suas visitas a esta vila de São João del-Rei.

A julgar pelas alegações dos Oficiais da Câmara, abaixo transcritas, esse padre devia ser um pândego, de ideias bem avançadas para a época. Um desrespeitador dos costumes e provocador contumaz das autoridades que, baldadas as queixas feitas ao Bispo, representaram contra ele ao Príncipe, futuro D. João VI, por seus criminosos excessos de ignorância, vanglória, soberba, presunção, liberdades, indecência e avarenta impiedade.

Assim, em 1808, o Senado da Câmara, por seus oficiais, pedia ao Príncipe Regente: um pronto remédio a tantos males, que todos os dias exercem e se fazem mais monstruosos e, a esta medida, a inquietação, ao desgosto, e ao escândalo dos Povos, que altamente gemem e murmuram (...), dando-nos outro vigário. Que não altere os usos e cerimônias imemoriais e aprovadas desta Igreja; que nas práticas e sermões a que assistem homens e mulheres de toda a qualidade, estado e condição, nos ensine a Santa Doutrina, e não nos explique rústica e indecentemente as cerimônias, maneiras e formas da circuncisão, nem o modo porque a matéria seminal vai servir à reprodução do gênero humano; que não nos diga que a coorte que foi prender a Jesus Cristo no Jardim das Oliveiras lhe bateu à porta, e que Jesus Cristo lha abriu, e foi então preso, e lhe deram pinicões, e despindo-o para o crucificarem o deixaram com suas vergonhas à mostra; que não esfrie a devoção do povo cristão; que promova o culto de Deus e as funções da Igreja e não seja instrumento de se não recordarem os grandes e incomparáveis Mistérios da nossa Redenção nos dias da Semana Santa, e de não se fazerem festividades aos Santos; que não tenha, no tempo da Quaresma, uma balança na igreja fazendo dela casa de negociação e de lucro, para aí receber as conhecenças, chamando a essa contribuição, por ser excessiva porque chega a duzentos e vinte e cinco réis por pessoa; que não negue o preceito anual a quem lhe não pagar, nem, por isso mesmo, seja causa de morrer repentinamente, sem a satisfação do dito preceito, e sem algum sacramento, uma pobre ovelha; que não diga que os que lhe não pagam as conhecenças estão excomungados (...), porque não são suas, mas da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo de que ele é administrador; que prôva (sic)de capelães as capelas filiais e por esta falta não seja causa de nas longitudes estarem as ovelhas sem pasto espiritual, não serem os nascidos batizados logo, e serem sepultados os mortos sem serem encomendados; que não exija espórtulas ou dádivas das testemunhas dos casamentos a título de que são padrinhos e que por isso as devem pagar, assim como as pagam os padrinhos dos batizados; que por ódio e vingança, ou pelo o que for, não neguem as certidões que se lhe pedirem dos Livros dos seus Registros, e quando as passe não sejam contrárias à verdade, constante dos ditos Registros; que não diga que a sua Missa é de maior merecimento do que a de qualquer sacerdote; que em tampouco tempo não tenha oito ou nove demandas em Juízo com seus paroquianos; nem diga que está disposto e pronto para ter outras muitas etCetera.

Depois dessa longa lista de coisas que o referido padre teria dito ou feito, os oficiais da Câmara pediam a Sua Alteza Real, quase um milagre, isto é, um vigário que fosse verdadeiramente pastor, sábio, zeloso, prudente, modesto e desinteressado, banindo de entre nós os pleitos, os escândalos e as murmurações de que o sobredito Vigário Joaquim Mariano da Costa Amaral Gurgel é o primeiro móvel e a pedra fundamental. O tempora! O mores!

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Fonte: Jornal da ASAP . Março/Abril de 2012

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Personagens Urbanos . Antônio Gaio Sobrinho

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