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Poluição Visual . Jota Dangelo

Pode reclamar quem quiser. O choro é livre e faz parte da democracia e do estado de direito. Mas que a cidade está mais visível sem as placas de publicidade de todos os tipos que causavam uma poluição visual assustadora, ah!, isto ninguém pode negar. Não é de hoje que posturas municipais são ignoradas na cidade. E ainda há muitas que são desrespeitadas diariamente por inúmeros quiosques, espalhados por aí afora. E isto não isenta a prefeitura de também não ser uma parceira permanente do Conselho Municipal de preservação do patrimônio. O Conselho não tem poder de polícia, mas a prefeitura pode embargar obras irregulares no Centro Histórico e no seu entorno. Os dois, Conselho e Prefeitura, devem trabalhar em conjunto. Até hoje, o busto de Getúlio Vargas, retirado da Avenida Tancredo Neves, dorme em algum recanto de sabe-se lá que galpão da prefeitura: seu pedestal, no Largo Tamandaré, espera por ele há mais de ano. Ou bem mais que isto.

Pode-se compreender que haja sempre alguém que reclame dos órgãos de conservação patrimonial. O tombamento não é feito sem algumas conseqüências que os proprietários dos imóveis resguardados aceitam por imposição, não por vontade própria. É o preço que pagamos, nós todos, os são-joanenses, por ter nascido numa cidade histórica. E, particularmente, numa cidade histórica diferenciada, com acervo eclético de alta significância arquitetural e exemplares do século XVIII, como alguns dos nossos templos, de incomparável imponência e beleza.

E ainda assim, perdemos muito do nosso patrimônio com intervenções nefastas feitas em nome de um progresso suspeitoso e que, na verdade, apenas mascaravam a ganância imobiliária, a busca alucinada pelo lucro a qualquer preço. É evidente que órgãos de preservação patrimonial também não são santos: eventualmente utilizam critérios poucos justificados, às vezes dois pesos e duas medidas, mas em geral suas ações são corretas, de acordo com sua missão de salvaguarda do tempo e da memória das ações das gerações que nos antecederam e criaram a paisagem onde hoje vivemos.

Exige-se muita compreensão dos que vivem em cidades históricas. O progresso também tem suas inevitabilidades e coloca à frente da administração pública das cidades históricas questões que não se resolvem facilmente. No momento estamos às voltas com um trânsito urbano que beira o caos: nossas vias, com raras exceções, são estreitas, não temos como criar estacionamentos privados, as motos invadiram o centro, serviços de moto-taxi, com o privilégio de ocupar áreas de estacionamento nas vias públicas, reduziram ainda mais a disponibilidade de vagas para outros tipos de veículos. Breve teremos que encontrar soluções para este problema, já que a frota de automotores aumenta a cada ano com as facilidades de crédito. E não será fácil encontrar a saída para o caos. O rodízio de placas está, provavelmente, à nossa espreita.

Fonte: Jota Dangelo, Gazeta de São João del-Rei em 28/04/2012.

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Veja AQUI outras informações sobre a adequação das placas comerciais do Centro Histórico de São João del-Rei.

 


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