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A lição de São João da Boa Vista (ações positivas) . Luiz Cruz

São João da Boa Vista ganhou um belo e valioso presente, o livro Logradouros de São João da Boa Vista. O autor é o médico Rodrigo Rossi Falconi, que ao longo de vários anos pesquisou sobre a origem dos logradouros de sua terra natal. Inicialmente, publicava no jornal O Município e a ideia foi se consolidando até resultar em um sólido volume com mais de 900 páginas, ampla pesquisa histórica e registros fotográficos. Até chegar a este resultado, foi necessário o envolvimento de muitas pessoas e até mesmo da Câmara Municipal e da Prefeitura, pois personagens significativos da memória local ainda não tinham sido contemplados com nomes nas vias públicas. Embora não seja uma ideia vanguardista, a publicação torna-se relevante, pois além de considerar os aspectos arquitetônicos, urbanísticos e culturais, envolve as pessoas que trabalharam para a construção, a conservação ou que de alguma forma contribuíram para a vida sócio-cultural-econômico da localidade. Esta obra torna-se fundamental para a compreensão da urbe. O livro é um excelente instrumento para se trabalhar a Educação Patrimonial, pois possibilita muito mais além do entendimento da significação de cada espaço, mas também sobre a toponímia de cada um.
As novidades não param aí, São João da Boa Vista acaba de ganhar uma publicação para público de todas idades, é o Álbum de Figurinhas – 100 Anos de História. Uma iniciativa da Academia de Letras e da Associação Comercial e Empresarial locais, sob a coordenação de Lucelena Maia. Trata-se de uma edição pioneira, não no tema, mas na abordagem. O álbum tem um belo projeto gráfico, impresso em papel reciclável e traz uma pesquisa rica sobre a linha do tempo de São João da Boa Vista. Em cada página há um diálogo do passado com o presente. Mas o mais interessante desta proposta é a forte presença do Patrimônio Humano da cidade. Os grupos musicais, esportivos, carnavalescos, as escolas, os cinemas, museus e o teatro, as manifestações religiosas, culturais e cívicas. A imprensa. A paisagem e os monumentos. As figuras que contribuíram e ainda estão presentes na vida cultural da cidade. Com grande tiragem, o álbum será trabalhado em todas as escolas. A professora Maria Cristina Sassaron Pavani Correia manifesta grande interesse em começar 2012 trabalhando com seus alunos utilizando o Álbum de Figurinhas. Segundo a mestra, ele vai despertar a atenção dos alunos e envolvê-los com o tema memória e preservação.
A Livraria Papyrus, um Ponto de Cultura, é bastante conhecida de todos. Possui um bom acervo, um espaço agradável para leitura. Tem um sebo bem organizado e um espaço para exposições temporárias. Gil Sibin está mostrando fotografias em uma individual intitulada Aeroportos: Céus Imaginários. É uma exposição pequena, mas que revela um olhar atento, sobre pontos que geralmente passamos com pressa ou ansiedade: os aeroportos. É na Papyrus que encontramos muitas publicações sobre São João da Boa Vista, já são quase cinqüenta títulos, inclusive, com obras de jovens estudantes da cidade. Praticamente todo mês tem novidade em termos de publicação local. O destaque fica por conta da história da cidade. Este é um fator muito relevante, pois é uma demonstração espontânea de envolvimento e comprometimento dos autores com a cidade e seu patrimônio cultural.
Outra novidade é a sinalização interpretativa dos monumentos históricos. Seguindo critérios de sinalização turística internacional, todos os monumentos e casas de personagens ilustres estão devidamente sinalizados. Mapas interpretativos foram instalados em pontos estratégicos. A Prefeitura, através do Departamento Municipal de Cultura e Turismo lançou o folder: Bem-Vindo a São João da Boa Vista – Cidade Cultura. Uma peça gráfica com mapa, nos apresenta os diversos aspectos culturais e, melhor ainda, em português, inglês e espanhol.
Mais uma iniciativa positiva é a publicação do Guia de Visitação do Cemitério Municipal de São João da Boa Vista, pela CTUR – Comissão de Turismo. São mais de trezentos túmulos, jazigos e capelas. O destaque é o conjunto de obras do artista Fernando Furlanetto, que criou diversas esculturas em mármore e bronze. Com o guia, torna-se mais fácil percorrer as diversas alamedas e apreciar as expressivas peças de Furlanetto.
O Natal em São João da Boa Vista iniciou-se um pouco mais cedo. No dia 25 de novembro foi inaugurada a exposição Menino Divino – Doçura da Sagrada Família, no Museu de Arte Sacra da Diocese de São João da Boa Vista, com primorosa curadoria do historiador Antonio Carlos Rodrigues Lorette. A exposição, que estará aberta ao público até 4 de fevereiro de 2012, apresenta um grande número de imagens do Menino Divino e muitos presépios executados com os mais variados materiais: marfim, madeira, prata, ouro, cera, palha, cerâmica, cristal e papel. O convite da exposição é um dos mais de cinco mil exemplares de santinhos do acervo do museu, que mostra ainda outras coleções particulares. A exposição Menino Divino é um excelente evento e nos envolve completamente no espírito natalino.
E clima natalino não falta em São João da Boa Vista. A prefeitura promove o “Natal na Feliz Cidade”. Este ano o tema é balas e doces. As ruas e praças ganharam milhares de lâmpadas coloridas. A decoração ficou uma beleza, mas os destaques são o Grupo Escolar e o Theatro, que ficaram fantásticas. A Av. Dona Gertrudes toda está bem decorada. Em contraponto, os empresários locais também deram suas contribuições, cada um fez sua decoração nos estabelecimentos. Passear pelas ruas de São João da Boa Vista à noite é um grande prazer, tudo transpira o clima de Natal.
A cidade sempre nos surpreende com ações positivas. Porém, é preocupante a invasão e ataque às obras de arte do cemitério. O Conselho Municipal de Patrimônio tem se reunido para discutir providências, está fazendo sua parte. Este fato deve envolver todos os sanjoanenses e, especialmente, a Prefeitura, Polícia Militar e Igreja. Todas as medidas de segurança devem ser tomadas, inclusive intensificar as vistorias a antiquários, pois muitos roubos de peças vão parar nas mãos de comerciantes inescrupulosos. Se roubam obras sacras é porque há receptores de peças subtraídas do patrimônio público. Temos certeza de que a população sanjoanense que nos dá tantas provas de comprometimento com sua cultura, não permitirá ataques a um dos mais belos cemitérios do Brasil.


Fonte: Alma Carioca, 5 de Dezembro de 2011


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