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O mobiliário urbano e a preservação do patrimônio . José Mauricio de Carvalho

A Prefeitura Municipal da cidade aprovou, já com atraso histórico, decreto que regulamenta o uso de placas de propaganda e peças publicitárias nas vias públicas de nossa cidade. Esperamos vê-lo implantado logo. Trata-se de medida importante e segue tendência mundial de cuidado com as cidades, em especial com aquelas que possuem prédios e monumentos históricos. Há alguns anos a cidade de São Paulo aprovou lei parecida e disciplinou o uso das placas comerciais e de outras peças de publicidade. O Rio de Janeiro também cuidou de disciplinar o assunto. Portanto, são medidas já implantadas nas maiores cidades do país e é perfeitamente exeqüível e desejável concretizá-la. Assim se apresenta o assunto para que a proposta da preservação e embelezamento urbano não venha seguido do famoso discurso do progresso. Este discurso alega que medidas que protegem o patrimônio ou disciplinam a vida urbana atrasam o desenvolvimento da cidade, mas na verdade o discurso do progresso apenas encobre o individualismo exagerado, irresponsável e a falta de respeito com a vida coletiva.
O século XXI é um tempo diferente. A preservação do patrimônio arquitetônico e outras manifestações culturais são defendidas em todos os países do mundo. Este é o verdadeiro progresso: preservar e cuidar. Consiste na cultura o elemento identificador dos povos em meio a onda crescente de globalização da economia e de hábitos comuns da sociedade do hiperconsumo. Esta sociedade onde se padroniza do consumo dos refrigerantes ao uso do jeans, dos eletrodomésticos ao mundo do trabalho, dos grandes shows e artistas internacionais à presença da tv e agora da net na vida de todos, estão nas manifestações culturais locais e históricas o elemento definidor da individualidade nacional.  
Por isto, o desafio das comunidades é preservar as cidades, cuidar de embelezá-las e assegurar o cuidado crescente e permanente com a qualidade de vida dos seus habitantes. E o cuidado com a preservação arquitetônica passa pela atenção crescente com as pequenas edificações, que embora não tenham o destaque de grandes monumentos como a Igreja de São Francisco, compõem junto com o templo o cenário da vida coletiva. É chegada a hora de vencer o urbanismo funcionalista que aposta na destruição do cenário histórico das comunidades em nome do cuidado com apenas os maiores monumentos. E a reconstrução do cenário urbano pede também a revitalização das praças e vias públicas, o cuidado com o transporte e a atenção com o mobiliário urbano. A utilização de placas adequadas aos prédios do comércio é só o primeiro passo que se espera seja seguido da melhoria do equipamento das praças: bancos, canteiros, estátuas, placas indicativas e letreiros com explicação dos monumentos.
Do mesmo movimento faz parte a utilização de telhados de cerâmica colocados sobre a lage da edificação. Esse é acabamento necessário e fundamental para a composição do conjunto arquitetônico do centro histórico e entorno de uma cidade como a nossa, cuja volumetria das edificações deve ter como limite o telhado cerâmico sobre o último andar aprovado.  
Estamos num tempo novo, também preocupado com o valor ecológico, com a presença de árvores, jardins e parques integrados ao casario. Áreas verdes são necessárias para garantir a qualidade de vida e um clima mais fresco num mundo que vive o aquecimento global.
A construção da cidade não é tarefa de alguns cidadãos, nem pode depender da consciência de poucos e do trabalho voluntário de raros abnegados. É desafio para todos os cidadãos num mundo cibernético onde a identidade dos povos está cada vez mais na língua, na música de raiz, na literatura nacional e na preservação das cidades históricas.

José Mauricio de Carvalho . Departamento de Filosofia da UFSJ

Mais informações:
Projeto Mobiliário Urbano de São João del-Rei
Estabelecimentos situados no Centro Histórico de São João del-Rei deverão retirar publicidades irregulares até dia 04 de janeiro de 2012


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