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Trinta anos de uma Folia . Ulisses Passarelli

Oferecido com saudosa gratidão à memória de nossos companheiros que já partiram, sobretudo aqueles que carinhosamente chamamos de Totonho Benzedor, João Liá, sr. Raul e Chiquito Matias.

A ausência de documentos de pesquisas anteriores e de certidões cartoriais de registro, torna obscura a datação dos grupos folclóricos em geral e tanto mais das folias. Nenhum grupo são-joanense é registrado.
Desta forma o que sabemos de sua história se prende exclusivamente aos informes orais de antigos participantes.
Surgiu em 1981 uma Folia de Reis sob a direção do folião Antônio Carvalho da Silva conhecido popularmente por “Totonho Benzedor”, posto que em sua casa num beco nos limites dos bairros Dom Bosco e São Dimas (o popular “Lava-pés”), atendia a todos gratuitamente para o benefício de suas preces e benzeduras.
Teve desde o início um acentuado apoio de seu irmão, Sebastião Carvalho da Silva, conhecido “Tião do Fole”, hábil folião, sanfoneiro e violeiro.
Naturais da zona rural entre Conceição da Barra de Minas e São João del-Rei, procedem de uma importante raiz cultural e tem experiência no assunto.
Com o falecimento de Totonho o comando da folia passou para um de seus folieiros, o sr. Sebastião Teodoro da Silva (“Tião Domingos”), morador da Rua Angélico Benfenatti, na Vila João Lombardi, Bairro das Fábricas. A partir de 1998 então a folia passou a se reunir em sua casa e a ser identificada como Folia do Bairro das Fábricas.
Este folião é uma das figuras de proa do folclore são-joanense e merece de todos o pleno respeito. Natural do distrito de Emboabas, ingressou na prática das folias aos 12 anos de idade e desde então vem participando, o que fez dele um dos foliões de mais antiga e contínua atividade de São João del-Rei. Já por isto, mereceu em 2003, durante a Festa do Divino do Bairro de Matosinhos, a condecoração “Estrela da Guia”, concedida pela Federação de Reisados do Estado do Rio de Janeiro, por intermédio de seu representante, o folclorista Affonso Maria Furtado da Silva.
Assim como Totonho, também Tião cuidava dos seus folieiros em pleno espírito de irmandade e posso testemunhar o respeito e a educação com que sempre nos trataram, bem como os familiares.
Motivado por problemas de saúde, Sebastião Teodoro passou a coordenação da folia em 2006 a Ulisses Passarelli, que já participava do grupo desde dezembro de 2000 e então passou a ser conhecida como Folia da Caieira, reunindo-se nesse bairro, à Rua Eurico de Oliveira, s/nº.
Em 2010, impossibilitado por motivos de serviço, Ulisses passou o comando a “Luisinho Sanfoneiro” (Luís Carlos Rosa), figura bastante conhecida nos meios folclóricos, Embaixador de Folia e Capitão de Congado. Luís prossegue com a folia conduzindo a mesma irmandade.
Eis portanto que desde a fundação o mesmo grupo passou sediado em quatro bairros. Mudou a direção, não a diretriz. Alguns companheiros são antigos, outros recentes, uns faleceram, outros deixaram o grupo, mas a folia persiste com a mesma fé, a mesma firmeza e objetivo. Sempre seus componentes foram de diferentes partes da cidade e não de um só bairro ou família, embora isso nunca tenha interferido em sua vida e jornada.

Alguns detalhes das toadas mudaram com os anos o que é natural em folclore, já que não se segue a nenhuma partitura. Portanto, diferentes músicos, sobretudo os sanfoneiros, deram a cada época uma característica musical à folia. A identidade geral porém é mantida.
Com o passar dos anos, outros participantes foram entrando para o grupo inicial, somando ou substituindo. Dentre tantos, ficou bem fixo na memória popular a participação dos srs. José Gaio, Edmar Eustáquio, Marcos Antônio, dos sanfoneiros “Mirandinha” e “Zé da Carminha”.
No papel de bastião ou palhaço, deixaram sua marca de saudade pela alegria, saber e habilidade na dança os senhores “Zé de Aquino”, do Bairro Bela Vista, “Lico da Rede” (Franklin de Azevedo Filho), Geraldo, do Bairro Caieira e “Zé do Nica”, do Bairro São Geraldo (falecido em 1999), por ordem cronológica. Desde o ano 2000 Ulisses Passarelli assumiu o posto de bastião da companhia reiseira sob o cognome de “Fura-capa”. Fazendo-lhe companhia dois irmãos, filhos do sanfoneiro: Samuel Tadeu Rosa como Palhaço “Catatau” e Maicon Luciano Rosa como Palhaço “Tomba-carro”.
Este grupo de folia foi o responsável em 2009 pelo 1º Encontro de Folias na Colônia do Marçal, sob o incentivo inolvidável do pároco da imaculada Conceição, Padre Antônio Claret Albino.
Quando a possibilidade acena, participa de encontros de folia nesta cidade e redondezas, tal como Ribeirão Vermelho, Resende Costa, Içara e Capelinha.
No ano de seu trigésimo aniversário nossa folia adotou o nome de “Embaixada Santa”, cantando em três jornadas anuais, em honra aos Santos Reis (25 de dezembro a 6 de janeiro), São Sebastião (7 a 20 de janeiro) e Divino Espírito Santo (da Páscoa e Pentecostes).

Ulisses Passarelli


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