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O violinista Geraldo Patusca, em seus oitenta anos de orquestra . Abgar Campos Tirado

Descrição

Falemos de alguém que ocupa lugar muito especial entre os cidadãos de nossa velha e querida São João del-Rei. Admiremos esse valoroso são-joanense, cuja longevidade tão plena de vida, de arte, de ação e de virtudes várias é motivo de orgulho e de satisfação para todos que o conhecem. Trata-se de nosso grande amigo Geraldo Ivon da Silva, o Geraldo Patusca, que veio ao mundo no dia 10 de julho de 1916, nesta colenda urbe de D. João V.
Conheci o Sr. Geraldo quando eu ainda era bem criança, uma vez que seus irmãos mais velhos, os saudosos Benedito, Waldemar e Waldomiro se relacionavam muito com minha família, tendo sido queridos alunos de minha mãe, Águeda, no então denominado Grupo Escolar João dos Santos, onde Waldomíro viria a trabalhar por muitos anos. Além disso, os dois primeiros, apreciados barbeiros e cabeleireiros, eram quem nos atendia, em seu salão na então batizada Avenida Rui Barbosa. Lembro-me bem de que, para nós, ainda pequenos, era colocado um caixote sobre a cadeira própria, para atingirmos a altura suficiente. Interessante destacar que anos mais tarde, embora com imensa diferença de idade, fomos contemporâneos como alunos, no Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier e, mais surpreendente ainda, Waldemar veio a ser meu aluno de Inglês na Escola Técnica de Comércio Tiradentes. Ressalto também que ele era afilhado de casamento de meus pais.
Mas voltemos a nosso homenageado, o Sr. Geraldo, que possui ainda sua irmã caçula, a Mercês, viúva e devotada mãe de ilustre família. Músico desde criança teve como principal professor de violino, o grande mestre Japhet Maria da Conceição. Com 14 anos deidade, em 1930, Geraldo ingressa na Orquestra Lira Sanjoanense, como violinista, pertencendo até hoje a essa bicentenária agremiação musical. Também teve intensa atuação na Orquestra da Sociedade de Concertos Sinfônicos, para cujo brilho ele muito contribuiu. Também como professor sempre se destacou, mostrando imenso amor pelo magistério, como também constante entusiasmo e dedicação a seus alunos, que muito o consideram como mestre e amigo. Jamais deixou de lecionar.
Desde o início do funcionamento do Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier, o Sr. Geraldo, hoje aposentado, assumiu o cargo de consertador e afinador de instrumentos. Foi nessa escola que passei a ter uma aproximação mais intensa com nosso focalizado, ao exercer eu a direção do citado estabelecimento. Ali, por algum tempo, lecionou viola e, mesmo, em certa ocasião, chegou a suprir a falta de professor de violoncelo, ensinando, então, também esse instrumento. Muitas vezes pude eu, ao piano, acompanhá-lo ao violino, quando me era dado apreciar de perto sua impecável afinação e beleza de som. Numa apresentação de maior fôlego, no Recital de Professores em homenagem a Santa Cecília, no dia 20 de novembro de 1981, no Conservatório, tocamos completa, a Sonata n°2 em lá maior, op. 12 n°2, para violino e piano, de Beethoven. Uma nota pitoresca era o costume de o sr. Geraldo solicitar pequenas interrupções nos ensaios, para tomar o seu rapé. Também cuidava de sua forma física, praticando mesmo já não muito jovem o atletismo, em saudáveis corridas. Também não descuidava da parte intelectual, freqüentando até há pouco tempo o CESEC, crendo eu que ainda não o abandonou. Profundamente católico, tem especial devoção a São Miguel Arcanjo e a Santo Agostinho, referindo-se a este como o maior sábio do mundo. Outra particularidade do Sr. Geraldo é o costume de citar frases de outras pessoas, mostrando valorizar o pensamento de amigos ou de pessoas de sua admiração. É comum, em sua agradável prosa, dizer, com sua infalível memória: “Como dizia compadre fulano ou: como dizia o sr. beltrano”, e assim por diante.
O sr. Geraldo foi casado duas vezes e duas vezes viúvo. A primeira esposa, Maricota, ensinou viola, chegando ela a tocar muitas vezes a seu lado, em nossas orquestras. Sua segunda esposa foi a Geralda, irmã de meu ex-aluno Rafael, já falecido. Feliz nos dois casamentos acredito ainda ter ele disposição para um terceiro matrimônio, se a oportunidade se lhe oferecer.
O Sr. Geraldo Patusca é muito prestigiado, como bem merece. Há pouco, a revista “COMO VAI”, edição de março deste corrente ano, publicou a cargo do jornalista Frederico Araújo Mesquita; uma bela entrevista com o Sr. Geraldo, intitulada “Arte N’Ativa”, que bem ressalta o valor do entrevistado.
E, pois, o senhor Geraldo Ivon da Silva, o Geraldo Patusca, um ilustre patrimônio vivo de São João del-Rei, comemorando ele, ainda de posse de todas as suas faculdades e em plena atividade, seus noventa e quatro anos de idade, cercado do carinho e cuidados de sua irmã Mercês e de seus sobrinhos, embora sem abdicar do direito de residência independente, ali no simpático Beco do Salto, onde recebe todos que o procuram com o máximo de simpatia e de alma e coração abertos. Que Deus o preserve por muitos e muitos anos e o abençoe profusamente.

Fonte: Jornal da Associação dos Aposentados e Pensionistas de São João del-Rei . ASAP . 05/06 de 2010

Mais informações:
Abgar Campos Tirado
Abgar Campos Tirado foi homenageado na Semana Santa Cultural 2011 . São João del-Rei
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