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Farpadas . Nathanael Andrade

Descrição

No começo do século XX, mais precisamente entre os anos de 1901 e 1902, circulou na cidade um jornalzinho de nome sugestivo: A FARPA. O subtexto que acompanha o curioso título deixava claro o objetivo do informativo: ser um “realejo para moer a paciência do próximo”.

O editorial, apresentado na primeira edição da publicação, nos dá a indicação do caminho que trilharia:
“O lugar que nós queremos é pequeno [...]. Futicar a paciência do próximo é a nossa missão - mas a futicação compatível com a educação de moços que se prezam, ..., de rapazes que tem família, que sabem respeitar; enfim, gente que tomou chá em pequeno...
Rir
, troçar as cousas e os hábitos desta boa terra, eis o nosso desiderato mas é o riso sem offensa, a troça sem acrimônia, a torto e a direito, mas com certa urbanidade [n° 1 em 01 de setembro de 1901].
Depois desta bem humorada introdução as farpas voaram em todas as direções, como mostram as citações abaixo;
“La vae uma farpa no João Miranda, o gorducho fiscal, que se cansou de matar cães e a cachorrada está por aí entulhando as ruas” [n° 1 em 01 de set de 1901]
“Lá vae uma farpada na guarda nocturna que deixa os malvados quebrarem as lâmpadas da illuminação publica e roubarem as torneiras dos chafarizes” [n° 6 em 06.10.1901].
“Uma farpada nos taes leiteiros que andam por ahi a baptizarem o leite’ [n° 11 em 24.11:1901]
Já reproduzimos, nesta seção (num. 83, fev de 2009), dois artigos de “A FAR PA” sobre o carnaval na cidade, quando ainda chamado de entrudo. Voltamos desta vez ao panfleto noticioso para também soltar umas farpinhas...
Lã vai uma farpa nos vândalos que não respeitam o patrimônio público e andam a pichar casas e monumentos.
Uma farpa nos eleitores que ainda trocam seu voto por promessas vazias, por caminhões de cascalho e sacos de cimento. O custo destas trocas é pago por toda a comunidade.
Uma farpa nos cidadãos que insistem em jogar lixo nas ruas, praças e avenidas de nossa urbe. Neste ponto uma farpa especial para as empresas que distribuem panfletos na avenida e cujas propagandas acabam ficando pelas calçadas.
Uma farpada no lixão, na falta de um sistema de coleta seletiva e de tratamento de esgotos, problemas que em pleno século XXI ainda maltratam o nosso ambiente natural.
Uma farpada na administração pública que só cuida do presente. A cidade, sem planejamento, ainda continua a trilhar seu futuro de forma tão espontânea quanto nos primeiros tempos.
Uma farpada em nossos ilustres edis cuja principal iniciativa é a nomenclatura de ruas.
Uma farpa para os motoristas e motociclistas que não respeitam as leis de trânsito e os limites de velocidade, pondo em riscos a si próprios e aos transeuntes.
Enfim, ‘uma farpada naqueles que, de mão no bolso, criticam, criticam e não fazem nada.
Quer mais? Então acesse www.dibib.ufsj/jornais

Nathanael Andrade é Colaborador do ManiCômicos
Fonte: Jornal do Sindicomércio . Maio de 2010

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