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300 anos da Matriz de Santo Antônio de Tiradentes . Luiz Cruz

O Sertão dos Cataguás foi amplamente percorrido pelos paulistas que adentraram pelas matas para o aprisionamento de índios, que eram escravizados. A bandeira de Fernão Dias passou pela região das Vertentes em 1674, percorrendo pelas serras e rios. Garcia Rodrigues, filho de Fernão Dias, teria feito pesquisas minerais da região do Rio das Mortes até ao Tripuí, entre 1680 a 1690. As informações sobre estabelecimento em nossa região são praticamente inexistentes, provavelmente, o início do povoamento tenha sido em torno de 1702, com o nome de Arraial de Santo Antônio do Rio das Mortes. Seguindo a tradição portuguesa, dava-se o nome a uma localidade de acordo com o calendário litúrgico. Se considerarmos esta possibilidade, o antigo Arraial de Santo Antônio do Rio das Mortes, depois Vila de São José del Rei e a atual cidade de Tiradentes, teria o 13 de junho como a data de início de sua povoação.
Primeiramente se construía uma capela bem rude, utilizando-se das técnicas indígenas, e depois um projeto arquitetônico substituía a primitiva capela. A Matriz de Santo Antônio de Tiradentes está completando seus 300 anos. Trata-se de um dos mais belos templos do barroco. Sua capela-mor é uma das mais expressivas deste estilo. É toda revestida de detalhes em formas conchóides e folhas. Muitas figuras de anjos, homens e atlantes estão em diversos pontos, enriquecendo ainda mais a talha em cedro, que é revestida de ouro em folha. O teto é todo decorado em pintura feita com pó de ouro e tinta marrom para o delinear e o sombreamento. Colunas ostentam um enorme dossel e um cortinado entalhados. O orago Santo Antônio está no topo do trono que é composto por uma sequência de grandes conchas e volutas. Mais abaixo, está a imagem de São José de Botas que é o patrono da antiga Vila de São José. Ainda nas laterais podemos apreciar duas pinturas de enormes proporções representando a Última Ceia e as Bodas de Caná. 
A nave tem forro em caixotões pintados em ouro em pó, representando cenas do antigo testamento. Nas laterais, à esquerda, temos os altares de Nossa Senhora da Conceição, o do Descendimento da Cruz e o de Nossa Senhora da Piedade. À direita temos o altar de São Miguel e Almas, o de Nosso Senhor dos Passos e o de Nossa Senhora do Terço. No coro encontramos um belo órgão, que foi adquirido pela Irmandade do Santíssimo Sacramento, pintado por Manoel Victor de Jesus. E em frente ao órgão foi instalada uma enorme tela que era usada para fechar o camarim do altar-mor durante o período da quaresma. Essa pintura retrata um milagre de Santo Antônio com o Santíssimo Sacramento e o burrinho, que se ajoelhou em respeito à hóstia consagrada. O assoalho é original, mantendo o registro da época em que se enterravam os mortos dentro da igreja. As sacristias foram primorosamente decoradas com pinturas de Manoel Vitor de Jesus, representando cenas diversas.
A fachada da matriz foi reformada através de projeto arquitetônico de Antônio Francisco Lisboa, o Mestre Aleijadinho, criado em 1810. No adro se encontra o relógio do sol, feito em pedra azul, ou xisto, retirado da Serra de São José, bem como as pedras das balaustradas e escadarias da igreja. A Matriz de Santo Antônio abriga até o presente, o cemitério municipal, que fora agenciado pelo paisagista Roberto Burle Marx. 
O que faz a Matriz de Santo Antônio muito especial é que ela foi sendo construída ao longo do século XVIII, tendo sua capela-mor no estilo barroco concluída ainda na primeira metade dos setecentos e vamos encontrar talha e pintura rococó decorando o órgão, já do final do XVIII. Sua fachada em estilo rococó representa a magnitude que a obra do Mestre Aleijadinho conseguiu, através de sua longa trajetória de entalhador, escultor e arquiteto, com um preciso e refinado senso estético.

Luiz Cruz . professor e associado do IHGT e da Coopertur

Fonte: Gazeta de São João del-Rei . 12/06/2010


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