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Carlos Magno de Araújo . Restaurador e Artista Plástico são-joanense . Walquíria Domingues

Carlos Magno de Araújo . Restaurador e Artista Plástico são-joanense
SOLO Conservação e restauro

Carlos Magno de Araújo, grande restaurador e artista plástico, descobriu sua vocação para as artes ainda quando criança, sempre com tendência para a temática religiosa. Isso se explica devido ao meio em que nasceu: São João del-Rei. Todo o acervo artístico e arquitetônico da cidade histórica, bem como suas tradições e manifestações religiosas, foi a influência e a forma mais próxima de arte que sempre vivenciou.
Em sua adolescência começou a se interessar pela confecção e restauração de imagens sacras e outras peças artísticas. Carlos pintava imagens sacras em gesso e algumas destas voltavam, depois de um tempo, para a restauração, função que mais tarde se transformou em sua especialidade: atualmente tendo 23 anos de carreira como restaurador.
Apesar de São João del-Rei ser um celeiro de artistas das mais diversas áreas de atuação e um baú de cultura e religiosidade, a cidade ainda não possuía muito aparato para isso quando Carlos Magno se interessou em buscar formação acadêmica a fim de tornar mais sólido o seu talento para as artes. Foi então que descobriu que em Ouro Preto poderia aprimorar sua vocação. Iniciou o Curso de graduação em História na UFOP - Universidade Federal de Ouro Preto, que lhe possibilitou a ampliação dos conhecimentos de arte e todo o seu contexto histórico. Também se especializou em Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis, pelo CECOR – Centro de Conservação e Restauração, pela EBA – Escola de Belas Artes e pela UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais. Outra especialização foi em Cultura e Arte Barroca pela UFOP e pelo IFAC – Instituto de Filosofia e Artes e Cultura.
Em seu período universitário mostrou sua veia artística em algumas exposições individuais de pinturas de cavalete em Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, São João del-Rei e Rio de Janeiro. Fora da cidade, depois da conclusão de seus estudos superiores, ministrou oficinas de marionetes e foi professor no Curso de Restauração da Fundação de Artes de Ouro Preto. Foi também pesquisador de História da Arte Colonial Mineira com publicações na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João Del Rei (“Considerações acerca da pintura Rococó ilusionista de Joaquim José da Natividade” – Revista do IHG – Vol. VI – 1988) e em Revistas Imagem Brasileira publicadas pelo CEIB - Centro de Estudos da Imaginária Brasileira (“A Policromia de Joaquim José da Natividade na Imaginária da Região dos Campos das Vertentes e Sul de Minas” – Revista nº1 – 2001; “Aspectos preliminares do levantamento e identificação da obra do ‘Mestre do Cajuru’ e sua escola” – Revista nº2 – 2003; “Nossa Senhora da Conceição. Um caso de remoção de repintura contribuindo para atribuição de autoria” – Revista nº3 – 2007).
Ao lado de artistas plásticos como Jaime Vieira, Fábio Braga, Paulinho e Tereza Bouchervile, Carlos Magno integrou várias exposições coletivas na Semana Santa em São João del-Rei. Nesta época do ano também se dedicou aos tapetes de rua: foi integrante da OLAV – Oficina Livre de Artes Visuais, juntamente com Rita Hilário, Antônio Emílio da Costa, Mauro Marques, Regina Fuks, Cristina Calixto, Mauro Lovatto, Fábio Braga, Suzana Araújo, Jaime Vieira, entre outros. Antes de se voltar para os tapetes de rua, que enfeitavam nobremente a cidade em épocas específicas, inicialmente a OLAV era uma troupe de amigos ligados às artes - música, artes plásticas e cênicas -, que se reuniam para eventos culturais nas ruas de São João del-Rei em épocas festivas. Seus integrantes faziam desenhos e pinturas em papéis grossos de açougue e saíam teatralmente vestidos, divertindo o público em ruas e praças, vendendo desenhos, pinturas e livretos de poesia marginal de autores como Emílio, Mauro Marques, Nicolas Bher e Ulisses Tavares.
Após o recesso das atividades da Oficina, Carlos Magno continuou trabalhando individualmente com os tapetes de rua, principalmente no Largo do Rosário. Mais tarde foi convidado para a confecção de tapetes pelo NAC – Núcleo de Assessoria Cultural, e mais tarde pela Atitude Cultural. Como outra participação ativa nas manifestações artísticas e culturais de São João del-Rei, ele integrou o coral da bicentenária Orquestra Ribeiro Bastos antes de sua vida acadêmica, de 1976 a 1985.
Na década de 90, com toda sua bagagem artística, Carlos Magno fundou o Anima, seu atelier de conservação, restauração e arte, cujo nome, em latim, significa alma. O Atelier, que é literalmente ‘sua alma’, trilha os seus 15 anos de existência e já restaurou os principais monumentos religiosos de Minas Gerais e a maioria do acervo sacro de São João del-Rei. Além de restaurações na área sacra, já restaurou também importantes monumentos profanos, como o Palácio das Artes em Belo Horizonte.
Um de seus maiores orgulhos como profissional e artista, foi seu cuidado para com uma singela capela rural próxima a São Vicente de Minas, local inclusive onde foi crismado. Há 20 anos atrás, descobrindo que esta capela do século XVIII e com pinturas de Joaquim José da Natividade estava sendo saqueada de maneira espantosa, fez várias denúncias. Depois de lutar para que a capela fosse preservada, conseguiu a autorização do Bispo da Diocese local para que ela fosse desmontada e trazida para São João del-Rei, onde aqui seria reconstruída e dada como presente à cidade e sua população. A capela hoje já faz parte da realidade de São João del-Rei. Ela está sendo reconstruída na Rua das Flores, tendo todo o seu acervo restaurado, com a ajuda do patrocínio da Oi e Cemig.
Carlos Magno, através do seu amor pela cidade e pela arte em geral, principalmente pela arte sacra deu à cidade a possibilidade de ter mais uma bela igreja barroca, com praticamente a mesma dimensão da Igreja de Nossa Senhora das Mercês. A capela será entregue solenemente à comunidade em maio deste ano, no dia do Divino Espírito Santo. Ela funcionará normalmente como mais um monumento turístico e religioso da cidade.
É uma honra ter Carlos Magno de Araújo, mestre restaurador e grande artista plástico, atuando permanentemente em nossa cidade e em toda Minas Gerais. São João del-Rei tem sua imagem gravada no Brasil e no mundo graças a são-joanenses como ele, que usa o seu talento e suas nobres atitudes para engrandecer cada vez mais nossa identidade cultural.

Walquíria Domingues


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