Pesquisas

Raízes italianas em São João del-Rei . Dauro José Buzatti

Mais informações:
A presença italiana em São João del-Rei


A motivação

Sempre senti uma acentuada curiosidade em saber como se iniciou a vinda dos primeiros imigrantes italianos, principalmente para São João del-Rei, na encantadora Várzea do Marçal, onde meus avós paternos se instalaram.
Aos poucos fui reunindo fragmentos esparsos dessa aventura da emigração italiana e pude reunir as peças desse quebra-cabeças na década de 80, escrevendo “Raízes Italianas em São João del-Rei”. Não se trata de um extenso documentário, mas sim a associação organizada, passo a passo, dos primeiros momentos da instalação do Núcleo Colonial de São João del-Rei.
É um trabalho de pesquisa que somente foi possível em decorrência das oportunidades que me levaram ao Rio de Janeiro, por diversas vezes, e onde pude comprovar no Arquivo Nacional a veracidade das informações, conciliando-as com as obtidas em nosso conceituado Arquivo Público Mineiro. Foi citado em livros e artigos e também na bibliografia da “Altreitalie”, publicação internacional da Fondazione Giovanni Agnelli, destinada à divulgação de estudos sobre a emigração italiana e sediada em Torino, Itália.

BREVES PALAVRAS

“Raízes Italianas em São João del-Rei” foi publicado em 1988, como parte das festividades comemorativas do 1º Centenário Comemorativo da Instalação do Núcleo Colonial em São João del-Rei. O evento ocorreu na tradicional Cantina do Ítalo, que patrocinou a festa do lançamento. Com saudade lembramos a ajuda inestimável do inesquecível Jucelino da Costa Filho, na busca de dados.
O prefácio do livro foi feito pelo Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, Geraldo Guimarães, do qual extraímos algumas referências:

"A nosso ver se aquilata o valor de uma obra, não pelo número de páginas mas sim pelo seu conteúdo, pela sua essência e pela sua condição de transmitir com segurança e clareza o tema focado. Isto o autor muito bem o fez. Sua condição de pesquisador, somada à emoção de ordem familiar, pelas suas origens, pelo lado paterno oriundas dos primitivos colonos italianos, sem dúvida muito influíram para o cabal desempenho do trabalho proposto.” E mais adiante:

“O presente trabalho histórico de Dauro José Buzatti é, sem dúvida, valiosa colaboração à História desta região do Rio das Mortes e certamente constituirá um marco e um estímulo para outras pesquisas que certamente virão a acontecer”.

DEDICATÓRIA DO TRABALHO
Dedicatória:
Ao perseverante Colono Italiano, que irrigou com o suor do rosto a Terra Brasileira e soube colher os frutos da Esperança! (1888 – 1988)

2º SEMINARIO SOBRE IMIGRAÇÃO ITALIANA EM MINAS GERAIS
BARBACENA . 2006

AOS LEITORES

Pelo fato de ter sua edição esgotada apresentamos, nas páginas seguintes, uma coletânea de trechos do livro “Raízes Italianas em São João del-Rei”.
Começaremos em 28 de agosto de 1881, quando D. Pedro II lança, no fértil Vale do Rio das Mortes, a semente de uma nova era, inaugurando a Estrada de Ferro Oeste de Minas!.
A locomotiva, partindo mansamente da “briosa e fiel” São João del-Rei, atravessa paisagens bucólicas e pitorescas, deslizando sobre os trilhos em direção à Estação do Sítio (hoje Antônio Carlos), localizada bem à sombra da Serra da Mantiqueira.
Os tempos estavam mudando. Por todo o florescente Vale do Rio das Mortes nascera um firme desejo de expandir a lavoura e de instalar novas indústrias.
Somente abrandava este desejo a perspectiva da falta da mão-de-obra, uma vez que as campanhas abolicionistas já acendiam, nos corações escravos, a justa chama da liberdade.
Temendo a redução ou mesmo perda do braço escravo, fazendeiros paulistas abastados levantam então suas vozes, clamando pela vinda do imigrante. E este clamor se fez ouvir nos rincões da longínqua Itália, onde o povo e principalmente o agricultor menos afortunado, vivia subjugado por uma situação político-econômica tristonha e de perspectivas obscuras.
Assim, por iniciativa desses fazendeiros, incentivados pelo Governo Imperial, começaram a chegar ao Brasil os primeiros imigrantes, principalmente do norte da Itália, as regiões mais atingidas pela crise. As montanhas e colinas das províncias venetas, lombardas e trentinas, assistem impotentes a despedida de seus filhos, que saem na esperança de voltar...
Foram espalhando-se pelo Brasil, notadamente para São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina mas, atraídos por uma propaganda bem conduzida, começam aos poucos a vir para Minas Gerais.
No Vale do Rio das Mortes, entretanto, o processo de sua fixação somente foi efetivamente iniciado com a fundação do Núcleo Colonial de São João del-Rei, instalado pelo Dr. Armênio de Figueiredo na vasta e alegre Várzea do Marçal.
E este fato memorável modificou profundamente a vida da pacata São João del-Rei. Ao lado das modinhas e lundus surge a cançoneta; ao lado do aguardente surge o vinho; ao lado do arroz com feijão surge a polenta e contrastando com o bronzeado e a graça das brasileiras surge a alvura e beleza das italianas...

Aparece então o caldeamento das raças, gerando inúmeras famílias que se arraigaram na nossa terra e de onde sobressaíram vultos que se notabilizariam na Sociedade Brasileira.
Veremos, mais adiante, o desenrolar dos fatos ligados à fundação do Núcleo Colonial de São João del-Rei. Antes porém visualizaremos, em linhas gerais, a situação da Itália e do Brasil no século XIX, polos do processo de emigraçãoimigração, com raízes profundas na formação social, cultural e étnica de nossa pátria.

A ITÁLIA NO SÉCULO XIX

Voltemos aos meados do século XVIII e encontraremos uma Itália recém-liberta, convulsionada por múltiplas insurreições de caráter nacionalista, objetivando a unificação do país. Procurava-se o entrosamento de todas as regiões, criando o sentimento nacional de italianidade. Mas séculos de isolamento e diferenciação consolidaram profundamente divergências regionais. Existiam assim venetos, lombardos, sardos, calabreses... mas não italianos.
O norte da Itália, transformado em palco de lutas e combates, era ocupado por exércitos diferentes que causavam, não só danos à propriedade, mas desrespeito à dignidade da família, impedindo ou devastando plantações e aumentando a miséria por toda a parte.
O Governo Italiano, após 1870, tentou enviar esforços no sentido de promover o comércio e a indústria, mas a Itália, com os seus trinta milhões de habitantes, era bastante pobre e a produção nacional mantinha-se presa às raízes agrícolas. Os métodos de cultivo eram extremamente arcaicos e tanto no norte como no sul, existiam deficiências no sistema agrícola e na organização da propriedade.  No
norte a presença do minifúndio era tão alarmante quanto o latifúndio no sul.
O número de pessoas que viviam em dificuldades era tão grande que a um anúncio requisitando mil trabalhadores para a ferrovia da Alta-Itália responderam nada menos que 58 mil candidatos! Esse fato foi transcrito no Correio Paulistano de 3 de janeiro de 1880.
A necessidade de emigração tornou-se vital, merecendo de um escritor da época a seguinte afirmação:
“A emigração, para a Itália, é uma necessidade. Precisamos que partam de 200 a 300 mil indivíduos por ano para que possam encontrar trabalho os que ficam”.
Acrescente-se ainda que, além dos produtos do norte da Itália, também a mãode-obra disponível deixou de ser absorvida pelo poderoso mercado austríaco. O clima de incerteza, os temores da guerra criados pela possibilidade de novos conflitos com a Áustria e a pobreza colocaram principalmente venetos, lombardos e trentinos em situação demasiadamente aflitiva e numa posição em que a maior
segurança adviria da opção pela saída do solo pátrio.
E partem para a América, descrita pelos países que desejam acolhê-los como sendo a “terra da promissão”.

O BRASIL NO SÉCULO XIX (E EM ESPECIAL MINAS GERAIS)

No Brasil, o problema da mão-de-obra tornara-se agudo, principalmente depois da abolição do tráfego de escravos, em 1850. A necessidade de mão-de-obra agravava-se mais ainda devido a uma cultura relativamente nova, o café, que rapidamente se desenvolvia, ocupando áreas cada vez maiores. Ao contrário do que ocorria em outras províncias, em Minas Gerais o problema já não foi tão grave, uma vez que possuía a maior população escrava do país (cerca de 170 mil escravos, pelo censo de 1872) e foi fácil o seu desvio da mineração, então decadente, para a agricultura, principalmente para a lavoura cafeeira da Mata e do Sul. Já em São Paulo o café, penetrando para o oeste da província, demandava
mão-de-obra abundante, tanto para formar novos cafezais como para manter os já existente e, para isto, os escravos já rareavam.
Nasceram então duas correntes de opinião relativas à imigração: uma defendendo a necessidade de atrair o imigrante, sem o objetivo de substituir o escravo e favorável à sua fixação em núcleos coloniais; a outra desejando, de imediato, através da imigração em massa, trazer mão-de-obra para o trabalho nas fazendas.
Minas Gerais estava em perfeita concordância com a política do Império, favorecendo o povoamento de seu solo através da criação de núcleos coloniais.
Os imigrantes, principalmente de origem alemã, que chegaram em Minas a partir de 1856 formaram então as colônias do Mucurí, D. Pedro II e Urucu. Mas a falta de recursos financeiros, o desinteresse por parte do Governo e do particular, inibiu a continuação da política de povoamento, reduzindo-se a esses três núcleos, que apesar das dificuldades, conseguiram progredir.
Sendo enviado inicialmente para as regiões onde haviam as grandes fazendas de café, como Ribeirão Preto, o italiano foi substituindo o escravo às vésperas da abolição.
Os procedimentos relativos à imigração variavam assim, de província para província e o Governo Imperial, desejando discipliná-los, criou a Inspetoria Geral de Terras e Colonização, em 23 de fevereiro de 1886, pelo Decreto nº 6.129.
Nele todas as atividades ligadas à fiscalização do bem estar do imigrante foram previstas, desde a inspeção das condições dos navios até a sua instalação em núcleos coloniais. De especial importância como infraestrutura de suporte do sistema imigratório criou-se a Hospedaria, cujo Diretor, diretamente subordinado ao Inspetor, deveria propiciar ao imigrante condição adequada de alimentação e hospedagem.
Também as Minas Gerais, temendo os reflexos da extinção da escravatura, fazendeiros de café e industriais que se encontravam em fase de expansão começaram a se articular para trazer o imigrante.
Às vésperas da abolição, ou seja, a 20 de janeiro de 1888, o Governo Provincial baixou o Regulamento nº 108 onde, além de outras determinações, estabelecia-se as normas para o funcionamento da Hospedaria dos Imigrantes e para a criação de Núcleos Coloniais oficiais e particulares.

Entre os núcleos coloniais criados pelo Governo encontra-se o de São João Del- Rei, instalado na Várzea do Marçal e na ex-fazenda de José Theodoro, que foram, como veremos adiante, também denominados por Bolonha e Ferrara, respectivamente, devido à origem dos italianos que os formaram.
A grande verdade, no entanto, é que o Brasil não estava preparado para um empreendimento de tal envergadura. Além disso, a eminente transformação do Império em República, alterava os  compromissos assumidos, e em 10 de janeiro de 1889 lê-se no “A Província de Minas – nº 565 – Ouro Preto”:
“Esses fatos mais recentes, combinados com outros mais tristes e deploráveis, mostram bem o que é e o que tem sido o malfadado serviço de imigração para esta província”.
Veremos que somente pessoas bem intencionadas, como o Dr. Armênio de Figueiredo e o Cel. Severiano Nunes Cardoso de Rezende, conseguiam modificar este estado de coisas. O seu trabalho dedicado, honesto e a sua firmeza de propósitos, foram realmente os pilares sobre os quais construiu-se o Núcleo Colonial de São João del-Rei. Não obstante as inúmeras dificuldades encontradas,
procuraram instalar condignamente os imigrantes, o que pode ser comprovado pelos relatos minuciosos e precisos do Engenheiro Chefe.
Após 107 anos que os fatos aqui narrados aconteceram, não podemos esquecer que os nomes e as personalidades marcantes desses homens, indelevelmente se liga a todos eles.

O NÚCLEO COLONIAL DE SÃO JOÃO DEL-REI

Estamos em 1881! Situada em local muito aprazível, de clima ameno e saudável, na margem esquerda do rio das Mortes, encontramos a progressista São João Del-Rei!. (A pintura de R. Walsh mostra São João del-Rei em 1829).

O córrego do Tijuco (depois Lenheiro) corre de sul à norte, dividindo-a em dois bairros: o da Matriz e o de S. Francisco. As ruas do bairro da Matriz são, em geral, mal alinhadas, contrastando com as do bairro de S. Francisco que são retas, com casas bem arejadas, possuindo, sem exceção, um pomar ou um vergel, que lhes dá um aspecto repousante e agradável. Unindo os dois bairros duas soberbas
pontes de cantaria, cada uma com três alçadas.
Contava São João Del-Rei, nesta época distante, com cerca de 1600 casas de um só pavimento, distribuídas em 33 ruas e 10 praças. Entre essas casas haviam 80 sobrados, alguns dos quais de notável beleza. Entre outros, sobressaíam os seguintes edifícios públicos: o teatro, o prédio nacional da extinta Intendência e Fundição de Ouro, o sólido edifício do Paço Municipal com a cadeia instalada no seu pavimento inferior e a Santa Casa de Misericórdia. Dedicados à religião católica contavam-se onze igrejas, entre as quais a admirável Matriz de Nossa Senhora do Pilar, a de Nossa Senhora das Mercês, a de Nossa Senhora do Carmo e a de S. Francisco de Assis.
A sua população era então de aproximadamente 11 mil almas.
Saindo da cidade em direção ao norte, além de algumas pontes, encontramos a do Porto, construída sobre o rio das Mortes e a mais notável da Comarca, pela sua extensão e solidez, toda ela em aroeira do sertão.
Finalmente, estendendo-se perpendicularmente ao rio das Mortes e continuando além desse até o rio Carandaí. Deparamos com uma das mais agradáveis paisagens da terra mineira. Trata-se de uma bela planície, com uma largura variando de 250 metros a 2 quilômetros, cuja área admitia-se abrigar mais de 300 mil moradores.
Divide-se em duas partes, uma do Lenheiro ao rio das Mortes e a outra daí ao rio Carandaí. Essa segunda parte é de particular beleza, causando enlevo e admiração a visitantes estrangeiros que em épocas remotas a visitaram, como Auguste de S. Hilaire. É chamada Várzea do Marçal, local escolhido para a instalação do Núcleo Colonial de São João Del-Rei.
Essas notas foram reunidas por um ilustre são-joanense, Aureliano Corrêa Pimentel, nos idos de 1881.
D. Pedro II, admirando a cultura e os princípios morais desse grande sãojoanense, o levou para a Corte, para ser professor de seus filhos... E atribuem ao Imperador a seguinte frase: “Prefiro o título de Professor às honras de Imperador do Brasil.

O Início

É na pitoresca São João del-Rei que, aos 8 de março de 1888, chega o Dr. Armênio, nomeado aos 10 de fevereiro, para ocupar o cargo de Engenheiro Chefe da Comissão de Medição de Terras. As finalidades da Comissão foram claramente explicitadas por ele em ofício de 22 de março, encaminhado ao Presidente da Província:
“(...) comunico a V. Exª que a Comissão à meu cargo tem por fim: não só a medição e demarcação de lotes para o estabelecimento de um núcleo colonial em terras adquiridas pelo Estado, como também a discriminação de terras devolutas pertencentes ao Estado, das do domínio particular(...)”. (grafia atual)
Mais tarde, em relatório datado de 30 de abril complementa:
“ (...) e estabelecimento de imigrantes nesse núcleo (...)” (grafia atual).
Eram então, o Presidente da Província de Minas Gerais e Inspetor Geral de Terras e Colonização, respectivamente, o Dr. Luiz Eugênio Horta Barbosa e o Tenente Coronel Francisco de Barros e Accioli de Vasconcellos.
Aos 9 de março, portanto no dia seguinte ao da chegada do Dr. Armênio, assumem os cargos de Engenheiro Auxiliar o Dr. Jerônimo Francisco Coelho, de Agrimensor o Sr. Pedro Zanith e o de Escriturário o Sr. Jerônimo Euclides da Silva, como parte da equipe de trabalho. Ainda nesse mesmo mês incorpora-se à equipe o Engenheiro Ajudante Dr. José Lopes Pereira de Carvalho. Essas pessoas, durante toda a fase de instalação do núcleo colonial, trabalharam com extrema
dedicação e zelo, afastando-se dos serviços que lhes foram confiados somente por motivo de doença que requeresse cuidado especial.
E aos 10 de março são efetivamente iniciados os trabalhos!.

Os Primeiros Trabalhos

Percorrendo as terras situadas à margem direita do rio das Mortes, Dr. Armênio distribuiu o serviço a ser feito em três turmas: coube à primeira, chefiado por ele, o levantamento do perímetro de toda a região; à segunda, chefiada pelo Engenheiro Coelho, coube o levantamento das estradas, caminhos, pequenos cursos d´água e outros detalhes; à terceira coube a confecção da planta do rio das Mortes e Carandaí, chefiada pelo Agrimensor Zanith.
Os trabalhos desenvolveram-se com presteza e dentro das expectativas, pois aos 30 de abril o Engenheiro Chefe comunicava que já havia organizado a planta da área e estudado a melhor forma de dividir os lotes, optando pelas “ (...) terras situadas na margem direita do rio das Mortes, onde é
preferível estabelecer logo os imigrantes(...) “
Dando mostras de sua meticulosidade nos trabalhos o Dr. Armênio, no intuito de registrar as variações climáticas locais, mandou instalar, no próprio escritório da Comissão, situado na praça do Matozinhos, uma estação metereológica, equipada com todos os instrumentos necessários. Três observações diárias eram feitas (às 4h e 10 min, 9 h e 7 min, 16 h e 10 min). Para o Observatório Astronômico, no Rio de Janeiro, eram encaminhados diariamente por telegrama, os resultados das observações feitas às 9h e 7 min (hora do Rio de Janeiro). Cumpria-se, assim, uma determinação do Serviço Metereológico do Império.
Parte da zona adquirida pelo Estado, para a instalação do núcleo colonial, situava-se no município de São José Del-Rei (hoje Tiradentes). Umacomprovação do interesse e da acolhida dada à iniciativa de instalação do núcleo colonial, pode ser vista por um documento encaminhado à Inspetoria Geral de
Imigração, em 24 de  abril, por moradores de São José del-Rei, que em parte transcrevemos a seguir:
“(...) Agora constando aos abaixo assinados, habitantes desta mesma Cidade, que o Governo Imperial trata de estabelecer um núcleo colonial nas confluências dos rios das Mortes e Carandaí, medida esta de subido alcance para esta Cidade, e existindo a maior parte desse terreno sem habitação alguma, e sendo certo que ele limita-se com a Fazenda do Marçal comprada pelo Governo, os abaixo assinados, sucessores legítimos daqueles concessionários, e que sobremaneira desejam o engrandecimento e prosperidade deste lugar, vêm respeitosamente suplicar a V. Ex.ª que se digne, em seu nome, ofertar ao Governo de S. M. Imperial o referido terreno, nas margens do rio das Mortes, para nele se
estender o projetado núcleo colonial (...)”. (grafia atual).
Apesar de não poder contar com o Engenheiro Auxiliar Jerônimo Coelho, no período de 5 de maio a 23 de agosto, por motivo de doença, o Dr. Armênio, competentemente, dirige sua eficiente equipe de trabalho, solicitando ao Inspetor Geral, aos 10 de setembro, definição quanto ao tipo de moradia a
ser construída e envia os respectivos orçamentos.
Digno de referência é o cuidado demonstrado no acerto das despesas e na realização da contabilidade da Comissão. Não obstante a lentidão do envio dos recursos pela Tesouraria da Fazenda, vê-se, pelos relatos do Dr. Armênio, a preocupação em manter absoluta correção e controle dos gastos públicos, costume que nos parece, foi há muito esquecido...

As Moradias para os Imigrantes

Estava se aproximando o fim do ano e também a chegada das chuvas na região. O Engenheiro Chefe, prudente e precavido, temendo uma redução ou mesmo impedimento no andamento dos serviços, oficializou a necessidade urgente de se construir as casas para moradias dos imigrantes, isto aos 10 de setembro!. Junto ao ofício encaminhou dois projetos de casas, que segundo ele,
poderiam ser construídas com rapidez e economia. E chama a atenção para um detalhe construtivo interessante:
“(...) Em ambos, a cobertura é de papelão e as paredes de adobe, com fundações de pedra seca, afim de proteger da umidade a parte inferior da 1ª fiada de adobes (...)” E mais adiante:
“(...) O adobe é uma espécie de tijolo, com dimensões arbitrárias, feito de barro amassado com água, seco ao sol, de fácil mão-de-obra, em geral empregado nas construções aqui e de duração relativamente extraordinária (...)”.
Não encontramos as plantas das casas, mas inferimos, pela lista de materiais, que no projeto indicado pelo Engenheiro Chefe, a área de construção ficaria no entorno de 40 metros quadrados.
Aqui já nos deparamos com o primeiro entrave, muito comum nos empreendimentos que vinculam sua realização à promessas sem garantias. A morosidade das decisões, os entraves burocráticos e o desinteresse do Governo, associados a uma reduzida dotação de recursos forçaram a adoção de soluções improvisadas e na maioria das vezes inadequadas. Assim, ao invés das casas, o
Ministério da Agricultura, por um ofício enviado ao Dr. Armênio em 5 de novembro (portanto 56 dias após o envio dos projetos das casas!) decide pela construção de:
“(...) um galpão para agasalho de imigrantes recém-chegados (...)”.
O prazo portanto, para a construção do galpão seria de apenas 30 dias!
Mesmo assim, imediatamente, três projetos de um galpão suficiente para abrigar 250 pessoas, com os respectivos orçamentos, foram enviados pelo Engenheiro Chefe à Inspetoria Geral em 17 de novembro. Mas as chuvas já estavam próximas e os primeiros imigrantes estavam chegando...
Apesar de não terem sido encaminhados ao núcleo colonial, como veremos adiante, deram início ao movimento imigratório para a região, à partir de fins de outubro de 1888.
Sabendo que o prazo estava se esgotando e que a construção de um galpão naquelas circunstâncias era totalmente inviável, o Engenheiro Chefe, aos 26 de novembro, relata que tendo em vista a urgência de se instalar imigrantes no núcleo, enviava ao Inspetor Geral as plantas de duas já construídas. Salientou que haveria a possibilidade de alojá-los convenientemente desde que fossem feitos alguns reparos. E fornece detalhes quanto à localização das mesmas:
A primeira localizava-se na Várzea do Marçal, a cerca de 5,5 quilômetros da Estação de Ferro Oeste de Minas, devendo acomodar 60 a 70 pessoas. O barracão vizinho à casa poderia abrigar 40 pessoas;
A segunda situava-se em terras que foram de José Theodoro, na margem esquerda do rio das Mortes, próxima à linha férrea e podendo acomodar 150 a 160 pessoas.
Ressalta ainda que se a autorização para a execução dos reparos fosse dada, por telegrama, teria condições de prepará-las até o dia 10 de dezembro.
Ali os imigrantes deveriam ficar, aguardando os recursos prometidos pelo Governo, não só para a construção de suas casas mas também para o início dos trabalhos de lavoura.
Com habilidade e parcimônia o Dr. Armênio foi suprindo as necessidades básicas de instalação do núcleo, uma vez que o Ministério de Agricultura somente havia aprovado, para o período de março a dezembro, a mirrada verba de 40.000$000 (quarenta mil contos de réis) para as despesas totais da Comissão. E até 30 de setembro, sem ter sido aprovada a construção das casas, constata-se, pelos
minuciosos relatórios do Dr. Armênio, que as despesas já atingiam o valor de 23.498$786. Se excluíssemos as despesas da própria Comissão, o restante da verba aprovada daria, aos preços vigentes na época, para a construção de apenas 55 casas!

No período de 1º de outubro a 9 de novembro ficou afastado do serviço, por motivo de doença, o Agrimensor Pedro Zanith.

Movimento Imigratório antes dos Primeiros Colonos

Em fins de novembro (dia 28) Dr. Armênio comunica à Inspetoria Geral que somente naquela data havia recebido o telegrama avisando-o para que se preparasse par receber as primeiras 90 famílias, para serem instaladas no núcleo colonial.
Se basearmos nas declarações do Sr. Carlos Preda, cidadão italiano que há muitos anos vivia em São João del-Rei, veremos que o fluxo imigratório para a região já havia se iniciado em fins de outubro, como anteriormente mencionamos. Cita que esses primeiros imigrantes foram trazidos por fazendeiros de Bom Sucesso para o trabalho na lavoura.
No início de novembro (dia 7), por incumbência do Dr. Diogo de Vasconcelos, então Inspetor Geral da Imigração na Província, chegam com o Capitão Felicíssimo Pinto Monteiro mais 150 imigrantes. Ficaram alojados no Hotel Boa Vista, em frente à Estação da Estrada de Ferro Oeste de Minas. Dali, no terceiro dia, foram deslocados para o trabalho em fazendas de Bom Sucesso e Oliveira.
Logo depois, no dia 22 de novembro, nova leva de imigrantes é trazida pelo mesmo Capitão, de 112 imigrantes. Também ficaram hospedados no Hotel Boa Vista e dali foram deslocados para as fazendas em Bom Sucesso, Oliveira e Lavras. Desses nem todos saíram do Hotel, por falta de procura por parte dos fazendeiros ou por doenças nas crianças (principalmente sarampo).

Nesta data o Coronel Severiano de Rezende havia sido nomeado, pelo Dr. Diogo de Vasconcelos, para ser o Diretor da Hospedaria Provincial de São João del-Rei. Para isto ele havia alugado, em 15 de novembro, no Largo do Carmo, o mais vasto prédio que possuía a cidade. Além de vasto, arejado e limpo, tinha boas acomodações e facilmente alojaria 250 imigrantes. Anteriormente conhecido
como Solar da Baronesa logo passou a ser chamado de Hospedaria.

Para Juiz de Fora seguiu então o Sr. Carlos Preda, nomeado Intérprete e Auxiliar na Hospedaria, para receber instruções precisas, voltando, no dia 28 de novembro, com 63 imigrantes venetos e ferrarenses.
Quase todos foram colocados imediatamente nas fazendas, não permanecendo na Hospedaria mais do que dois a três dias. Somente uma família, por motivo de doença, ficou nove dias. Isto porque, em resposta às circulares expedidas pelo Coronel Severiano de Rezende para os fazendeiros, estes não tardaram em buscar os imigrantes, celebrando com eles, à vista do Diretor e do Intérprete, o contrato de trabalho redigido em português e italiano. Desses imigrantes poucos deixaram mais tarde as fazendas e os que assim fizeram dedicaram-se a atividades independentes.
Vemos, portanto, que tais fatos ocorreram à margem daqueles ligados diretamente à instalação do núcleo colonial. Não obstante, segundo as informações constantes do documento anteriormente citado, inúmeras dificuldades começaram a surgir para a colocação dos imigrantes que vieram
posteriormente e que, saindo de Juiz de Fora se destinavam ao trabalho nas fazendas. Adiante daremos as razões que determinaram tais fatos.

O “Arauto de Minas” de 22/12/1888 registra que o movimento na Hospedaria foi de 755 imigrantes o que daria uma média diária de 34 pessoas nesse período.

A Hospedaria, no Largo do Carmo

Preparativos para a Chegada dos Primeiros Colonos . stamos às vésperas da chegada dos primeiros colonos destinados especificamente ao Núcleo Colonial de São João del-Rei.
Em agosto haviam sido iniciados os trabalhos de locação e medição dos lotes e, em fins de novembro, 100 lotes já estavam convenientemente demarcados e prontos para serem entregues.
Precavido e bem intencionado, em tudo demonstrando que desejava uma adequada recepção e instalação dos imigrantes, Dr. Armênio tomou todas as providências para que isto ocorresse. Assim, avisou ao Inspetor Geral que os imigrantes deveriam viajar em trem especial, para que pudessem chegar em São João del-Rei entre 10 e 12 horas da manhã, possibilitando assim o transporte durante o dia e uma fácil instalação dos mesmos.
No intuito de atender os imigrantes que, em virtude da hora da chegada, não pudessem ser transferidos “para as casas que vão servir de galpão”, informa ao Inspetor Geral que, por precaução, havia providenciado com o Sr. Severiano de Rezende, agasalho e alimentação no dia da chegada dos imigrantes destinados ao núcleo colonial. Mencionou que havia acertado inclusive o preço da diária, ou seja, 800 réis por adulto e 400 réis por menor.
Delegou ao Dr. Jerônimo Coelho, Engenheiro Auxiliar, a atribuição de dirigir o serviço de recepção dos imigrantes bem como sua instalação provisória, transporte, verificação dos nomes e número de pessoas, orientação e tudo o que era necessário para a completa localização das famílias.
Além dessas atribuições, solicitou ao Dr. Coelho para que utilizasse, imediatamente, a aptidão de cada imigrante para a construção das casas, cujo local teria que indicar, levando em consideração as condições topográficas e a facilidade de transporte.
Entre outras medidas também havia providenciado a concorrência para o fornecimento de gêneros alimentícios aos imigrantes.

Estabelecera uma dieta básica para cada imigrante com idade superior a 12 anos constituída por:

Açúcar mascavo ........................80 g
Café .............................................35 g
Carne verde ...............................450 g
Toucinho ....................................40 g
Arroz ............................................. 2 dl
Feijão ...........................................1 dl
Farinha de milho (ou fubá).......5 dl

Para crianças com idade entre 3 a 12 anos era fornecida uma dieta básica para cada duas crianças. Para as de idade inferior a 3 anos não havia o fornecimento da dieta.
E aos 3 de dezembro, o Dr. Armênio organiza os últimos preparativos: orienta que o transporte dos imigrantes que fossem destinados ao território da margem direita do rio das Mortes (Várzea do Marçal) seria feito pelos meios comuns. Os que se estabeleceriam na margem esquerda do rio das Mortes (ex-fazenda de José Theodoro) seriam transportados pela Estrada de Ferro Oeste de Minas,
devendo o Dr. Coelho comunicar-lhe o número e a hora para que pudesse ser solicitado o número de carros para esse fim.
No dia da chegada dos imigrantes deveriam ficar alojados na Hospedaria, onde passariam a noite. No dia seguinte seriam levados para as casas que servirão de galpões e que já se achavam preparadas para recebê-los.

Festa da Chegada

Ainda no mesmo dia 3 de dezembro chegam os primeiros 102 colonos, constituindo 22 famílias destinadas ao núcleo. A cidade se alegra e se entusiasma. Apesar de terem passado pela Hospedaria outros imigrantes, como vimos anteriormente, para os são-joanenses entretanto, aqueles eram diferentes. Afinal vieram para permanecer. E a curiosidade e o júbilo do povo se misturam, acolhendo os primeiros colonos com alegria e acompanhando-os até a Hospedaria.
Era um bloco de homens robustos e de mulheres de faces coradas, de mãos dadas com suas crianças e acompanhados pelos mais velhos, que ante a admiração geral andavam lentamente, suspirando extasiados os ares de uma nova vida.

Nos rostos alegres retratavam a esperança que lhes aquecia a alma, envolvidos por uma natureza exuberante e pelo clima contagiante do entusiasmo sãojoanense. Naqueles instantes o cenário bucólico e esmaecido da florescente São João del- Rei se transformava. Os novos personagens que chegavam lhes emprestaria cores mais vivas e duradouras, pela força do trabalho e pelo desejo inquebrantável de vencer.
Nos seus pensamentos ainda confusos se mesclavam os sonhos de ventura, afugentando de corpos extenuados os vestígios de uma longa e penosa viagem nos porões do navio que os expatriava.
E sufocados por aquele torvelinho de emoções, deixavam que dos olhos cansados, diante da jovialidade e estupefação de quase todos, brotassem algumas furtivas lágrimas.
À noite, após a esfuziante receptividade dos são-joanenses, é possível que os imigrantes tenham se entregado a mil devaneios, deixando que a imaginação os levasse a campos floridos e fecundos, onde não mais existisse a miséria e sim, a almejada esperança de dias melhores.
No dia seguinte, ainda cansados e entorpecidos, foram levados para a Várzea do Marçal, sendo instalados na casa provisória, até que construíssem as suas. As crianças pequenas e doentes foram transportadas por lentos carros de bois, com o seu chiar lânguido e bucólico.
Pressentindo a necessidade de agilizar a assistência médica, o Engenheiro Chefe, no dia 5 de dezembro, solicita ao Inspetor Geral autorização para fornecer medicamentos e atendimento médico aos que adoecessem, no que parece ter sido atendido. Mesmo assim, apesar da presteza da assistência médica, três crianças que já se encontravam enfermas faleceram e novamente as lágrimas molharam os rostos daqueles que, há poucas horas antes, choravam de felicidade...
Para o Dr. Francisco de Paula Moreira Mourão, médico do núcleo colonial, foram dadas instruções para a instalação de uma enfermaria, possibilitando assim, um melhor atendimento aos doentes.
Outras levas de colonos foram chegando sucessivamente e o Engenheiro Chefe, aos 18 de dezembro, ou seja, uma quinzena após a chegada dos primeiros colonos, informa que já se achavam instalados, em 6 casas provisórias na Várzea do Marçal 371 colonos e na ex-fazenda de José Theodoro, mais 186
colonos. Neste mesmo relato designa o Engenheiro Auxiliar, Dr. Coelho, para fazer a “instalação, estabelecimento e distribuição dos lotes aos imigrantes” recomendando que eles, desde já, iniciassem a construção de suas casas.
Entretanto, para que as casas pudessem ser construídas, o Dr. Armênio teve que providenciar o fornecimento não só de ferramentas, sementes e mudas (milho, batata, arroz, feijão e uva) mas também dos utensílios de cozinha indispensáveis. Argumentavam os colonos da Várzea do Marçal que se o Governo não fizesse certas concessões estariam no firme propósito de voltar à Itália. Fundamentavam suas reivindicações no fato de que, iludidos pelos agentes de imigração, lhes
foram feitas inúmeras promessas que não estavam sendo cumpridas. E, certamente, se julgavam no direito de recebê-las. Diziam ainda que, sendo provenientes de duas aldeias vizinhas, Bolonha e Ferrara, acreditaram nas promessas feitas e vieram em massa se estabelecer no Brasil. Por esse motivo, o Núcleo Colonial de São João del-Rei, em alguns documentos, é citado como Núcleo
Bolonha-Ferrara. Um desses documentos é o ofício do Comendador José Carlos de Carvalho ao Dr. Armênio, comunicando-lhe que assumira o cargo de Inspetor Geral de Imigração da Província.
Tanto a denominação de Núcleo “Bolonha-Ferrara”, como a oficial (Núcleo Colonial de São João del-Rei), não ganharam popularidade e sim os nomes regionais tais como “José Theodoro“, “Giarola”, “Bengo” , “Felizardo” ou mesmo o uso corrente da denominação “Colônia”
Não sabemos ao certo o número de lotes que foram distribuídos na Colônia mas, pelo relato do Dr. Armênio, presumimos que tenham sido no entorno de 180.
Também em outro documento importante, o Livro Auxiliar da Colônia, são relacionados 135 lotes na Várzea do Marçal e 39 lotes na ex-fazenda de José Theodoro.
À primeira vista pode parecer um número pequeno, mas é bom lembrar que, naquela época, implicou no aumento de 10% da população da cidade, em menos de um mês!
E já no dia 20 de dezembro o Dr. Armênio informa que somente poderia acomodar mais 6 famílias,
“(...) porquanto neste núcleo não posso estabelecer mais imigrantes (...)”.

Alguns Transtornos

Mencionamos, anteriormente, que alguns conflitos começaram a surgir para a colocação dos imigrantes, vindos de Juiz de Fora e destinados ao trabalho nas fazendas. Vejamos as causas de tais transtornos:
Os imigrantes destinados às fazendas começaram a chegar a partir de fins de outubro. Ora, nesta data já estavam sendo feitos os preparativos para a recepção dos colonos destinados ao núcleo colonial e deste fato tomavam imediato conhecimento. Dessa forma a perspectiva de se tornaram independentes e proprietários em um núcleo administrativamente estruturado os atraía muito mais e por melhores que fossem as condições de trabalho oferecidas pelos fazendeiros, eles sistematicamente recusavam. Ficavam na Hospedaria, sem destino, aguardando uma ilusória entrega de novos lotes, que há muito haviam se esgotado. Faziam petições constantes sempre com a argumentação de que
desejavam ir para a Colônia, onde encontrariam amigos e parentes, insistindo em desconhecer o fato de que a lotação do núcleo estava esgotada. Assim ficavam os fazendeiros sem os colonos e estes, sem os desejados lotes!
Estes fatos culminaram com a exoneração injusta do Coronel Severiano, que desgostoso deixava a Direção da Hospedaria, sendo nomeado em seu lugar o Dr. Armênio, logo nos primeiros dias de janeiro de 1889, que tentou em vão resolver o problema nos três meses que se seguiram. Na Hospedaria se encontravam então 24 famílias, sem destino.
A atuação do Coronel Severiano à frente da Hospedaria havia sido tão humana e eficiente que, em documento público, os imigrantes agradeceram a sua atuação (foi publicado no “Arauto de Minas”, n.º 29).
Além da substituição do Diretor da Hospedaria outro fato importante ocorreria naquele período ou seja, os fazendeiros, na tentativa de impor um sistema semiescravagista aos imigrantes, começaram a desrespeitar os contratos de trabalho firmados e motivaram, como conseqüência, a saída das famílias de suas fazendas, que se deslocavam desprotegidas para o único reduto disponível: a Hospedaria.
E nos fins de março de 1889 se encontravam ali hospedadas nada menos do que 54 famílias, que obstinadamente insistiam em serem instaladas na Colônia, recusando o deslocamento para outros núcleos ou a volta ao trabalho nas fazendas. Nesta data somente eles ocupavam a Hospedaria da Cidade, uma vez que o Dr. Armênio já havia instalado outra, mais modesta, no Matosinhos,
enquanto aguardava a decisão do Governo Provincial, em relação aos imigrantes ali alojados, para poder fechá-la. Somente mais tarde, em maio de 1889, com o deslocamento daquelas famílias, foi possível o fechamento definitivo da Hospedaria da Cidade.
Contabilizando todos os recursos despendidos pelo Governo, o Dr. Armênio demonstra ter recebido o total de 36.744$939. E para se ter uma pálida idéia do que este valor representava basta dizer que, se todo esse recurso fosse direcionado unicamente para a construção das 180 casas necessárias, não se conseguiria construir, economicamente, nem 100 delas!

Vida na Colônia

Apesar do esforço e dedicação do Dr. Armênio conclui-se, pelos seus relatos, que o colono teve que resignar-se em ver os seus primeiros sonhos esvanecerem-se, perdendo o primitivo encanto e colorido. E isto se deve ao fato dos entraves administrativos terem sido muitos, aliados à morosidade, uma característica marcante nos serviços ligados à imigração. Não havia uma conscientização da sua
importância e, como conseqüência, o Governo não se preparara convenientemente para um empreendimento de tal envergadura.
Os imigrantes, ao receberem os seus lotes tiveram a orientação de construírem imediatamente as suas casas, afim de que deixassem os alojamentos provisórios e pudessem iniciar os trabalhos de lavoura em suas terras. Mas vejamos o que ocorreu lembrando, entretanto, que desde julho o Dr. Armênio chamava a atenção e pedia a autorização para que fossem construídas urgentemente as
30 primeiras casas.
Como vimos o seu pedido não foi atendido. Ele então direcionou os colonos, à partir de fins de dezembro, para a construção de suas casas, medida corretíssima e humanitária, uma vez que eles se encontravam em casas provisórias, em condições precárias de higiene e conforto. Acertou-se então com o Governo, através da Inspetoria Geral, a remessa de todo o madeirame, ao passo que os colonos seriam responsáveis pelos trabalhos de execução dos alicerces das casas e da fabricação dos adobes.
E em fins de janeiro de 1889 as fundações das primeiras 50 casas já estavam prontas! A madeira para cobri-las, entretanto, não havia chegado.
Apesar disto os trabalhos de fabricação dos adobes e a abertura das estradas do núcleo continuaram a ser executados no mesmo ritmo. Quanto à alimentação, as dietas básicas eram distribuídas, por comodidade, para cada 8 dias, sendo entregues aos delegados de um certo número de famílias, que
se deslocavam até o depósito da Comissão e ali assistiam à pesagem dos gêneros alimentícios. Depois, usando carros de bois, transportavam os gêneros até as casas provisórias, onde eram distribuídos às famílias.
É interessante observar como o tipo de alimentação preferido pelos colonos interferiu na dieta básica fornecida. Na Itália, daquela época, haviam muitas comidas à base de milho e a polenta, atribuída à tradição italiana, era muito diferente da que conhecemos hoje. O que os imigrantes conheciam era a “mosa”, que consistia na mistura de água, leite, farinha de milho e sal, alimentação básica na mesa dos ricos e pobres. Era um tipo de polenta mole, também chamada “le pape”. À mosa acrescentava-se queijo ralado e servia-se sem outras misturas. E foi por esse motivo que os colonos pediram que se triplicasse a quantidade de farinha de milho (ou de fubá) fornecida, já que o preço unitário permaneceria praticamente o mesmo. O macarrão, tão ligado para nós brasileiros, à imagem do italiano, era para eles, naquela época, um alimento de luxo.
Na Colônia os dias iam passando, na rotina da construção das casas e caminhos e nas lidas domésticas comunitárias, sem entretanto possibilitar a cada colono que tivesse realmente o seu lar, que continuava destelhado, a ver estrelas...
Chega então o mês de fevereiro de 1889 e os colonos, já com 74 casas com as fundações prontas e cerca de 80.000 adobes continuam à espera do madeirame! O Engenheiro Chefe insiste nos pedidos do material, imprescindível para a cobertura das casas e propõe que sejam usadas telhas de barro, por higiene e economia.
Diante da inércia da Inspetoria Geral ele impacienta-se. Afinal o período das chuvas já estava no fim, os colonos desestimulados diante de tanta espera e vivendo em condições de habitabilidade precárias e promíscuas. Desgostoso com a situação e com a falta de atenção dada aos seus pedidos encaminha à Inspetoria Geral a sua demissão.
Terminava o mês de março de 1889...Três meses haviam se passado desde a chegada dos colonos e não é difícil imaginar a angústia e desespero que viveram nessas circunstâncias.
Podemos ainda avaliar, daí para frente, a dura luta que os colonos enfrentaram.
Ressalte-se ainda que, no limiar do alvorecer da República, não deveria haver por parte do Governo tanto empenho no cumprimento de obrigações assumidas pelo Império. Mas os imigrantes estavam acostumados ao sofrimento e retemperaram nele as suas forças. Valeram-se da sua garra e do seu espírito indomável e finalmente venceram!
As suas casas simples, de piso de chão batido, foram enfim cobertas. Começaram as plantações e a colheita de maçãs, pêssegos, laranjas, peras, uvas, milho, batata e hortaliças, que eram vendidos pelas italianas, em seus pesados balaios dependurados em “derlas”. Depois foram usadas as charretes que levavam a produção excedente até os locais de venda em São João del-Rei. Nos fornos de cupim, do lado de fora da casa, assavam os seus pães, reacendendo em suas almas a certeza de dias melhores.
Eram as raízes da destemida gente italiana fixando-se definitivamente no fértil solo são-joanense!
A publicação gratuita “Lo Stato di Minas-Gerais”, editado em Genova no ano de 1896, continuava a incentivar a emigração para o Brasil e em relação ao Núcleo Colonial de São João del-Rei cita que “misura un’ area di 2,562 ettari divisa in 174 lotti. La sua populazione è di 700 persone, tutta gente laboriosa, morigerata e prospera” (p. 56).

Uma Homenagem Final

Prestamos finalmente uma sincera homenagem a todos os primeiros colonos do Núcleo Colonial de São João del-Rei, relacionando alguns dos seus nomes. Os que aqui são mencionados encontram-se em vários documentos importantes, mas provavelmente a lista que fizemos estará incompleta, em função de falhas nos registros realizados.
Citando os nomes adiante damos o testemunho da admiração por esta brava gente, que mesclando-se aos brasileiros arraigaram-se na nossa terra, amando-a como se fosse o torrão da Itália. Deram-nos o exemplo vivo do trabalho honesto e dedicado, esquecendo as agruras passadas e mostrando-nos que nos momentos de desespero a luz maior é a fé em Deus e a esperança no futuro!


Primeiros Colonos

“Os primeiros colonos que receberam seus lotes, segundo os registros que encontramos, são os
seguintes:

Instalados na VÁRZEA DO MARÇAL

AMBROSIO, Vitale; BALLARDINI, Domenico; BANDIERA, Pasquale; BASSI, Antonio; BENFENATTI, Enrico; BIANCHINI, Giuseppe; BOARI, Albino; BOARI, Giuseppe; BOARI, Luigi; BOLDRINI, Alessio; BOLDRINI, Luigi; BOTTONI, Gaetano; BRAVATI, Carlo; BRIGHENTI, Cesare; CALORE, Egisto; CAMANZO, Gaetano; CAMPOLONGO, Giovanni; CARAVITA, Antonio; CAVALETTI, Giovanni; CAZONI, Primo; CAZZONI, Roberto; CESARI, Natale; DAVIN, Marco; DETOMI, Angelo; FALIN, Giovanni; FAVA, Victorio; FAZZION, Lourenzo; FELLONI, Achile; FERRAREZZI, Giovanni; FRACAROLLI, Giovanni; FRAZZONI, Giuseppe; FREDERICO, Alesssandro; GAIANI, Gaetano; GARBINI, Giuseppe; GATTI, Luigi; GEROLA, Luigi; GEROMINI, Marco; GEROMINI, Santi; GHELERE, Giovanni Maria; LIBRENTI, Luigi; LUCIEN, Ferralle; LUCCHI, Giovanni; MARANEZZI, Ludovico; MARDELATO, Giovanna; MARGOTTI, Lourenzo; MARTELLI, Erminio; MARTELLI, Luigi; MAZZOLI, Albino; MINARELLI, Angelo; MONARI, Angelo; MONTOANELLI, Angelo; MURANDI, Luigi; PADUAN, Mariano; PADUAN, Pietro; PIAZZI, Giocondo;
RANDI, Michele; ROZETTO, Zenone; RUBINI, Antonio; SARTINI, Carlo; SARTORI, Giuseppe; SCHIASSI, Giuseppe; TAROCO, Giacomo; TREBBI, Roberto; TRERÉ, Giacomo; UNGARELLI, Giulio; VERLICHI, Emilio; VIANINI,Zefiro; VICENTINI, Etore; ZUCCHERI, Clemente.

Instalados na ex-FAZENDA DE JOSÉ THEODORO

AGOSTINI, G. Battista; ANDRETTO, Pasquale; BRESOLIN, Luigi; CALSAVARA, Andrea; CALSAVARA, Angelo; CHIAMENTI, Luigi; CHRISTOFOLI, Angelo; CHRISTOFOLI, Antonio; CHITARRA, Giuseppe;
CORTESI, Domenico; DELAI, Giovanni Baptista; DEMARCHI, Vincenzo; DINALI, Antonio; FAZZION, Sante; FUSATTO, Giuseppe; GHELERE, Marco; GODI, Luigi; GUZZO, Luigi; LOMBELLO, Antonio; MARINI, Luigi; MINZON, Giacomo; MONTOLI, Francesco; MUFFATO, Nicola; PANORATO, Angela;
POZZA, Domenico; ROSSATI, Pietro; SOTANA, Agostino; STEFANELLI, Antonio; TIRAPELLI, Antonio; TOFALINI, Andrea; ZANETTI, Angelo; ZANGIACOMO, Catherina; ZANOLA, Pietro; ZANSAVIO, Luigi; ZERLOTINI, Giovanni, ZERLOTINI, Romano; ZIVIANI, Pietro.

Além desses primeiros colonos outros vieram, mas transferiram-se posteriormente. Muitos outros colonos também foram surgindo, apesar de não constarem dos registros anteriormente citados. Entre estes últimos vale a pena lembrar os seguintes:

BASSI, Giuseppe; LONGATTI, Giovanni; FUSATTO, Luciano; BINI, Rafael; LOVATO, Antonio; BRIGHENTI, Deodoro; STANCIOLI, Nicolau; CAVALARI, Giuseppe; GIOVANNI, Salvatore; ZANITI, Augusto; DELA COSTA, Luigi; PAGLARINI, Filipo; DALDEGAN, Pietro; MONTOLI, Francesco; DEL VECCHIO, Giacomo; SBAMPATO, Alessandro; CALVETTI, Luigi e PERIGRINELLI, Carlo.

Finalmente ressaltamos que alguns imigrantes italianos já moravam em São João del-Rei nesta época, como MARCHETTI, Felipe; PREDA, Carlos; LOVAGLIO e muitos outros.
Reunimos aqui os nomes da maioria das famílias que foram gradativamente se fixando na região:

AGOSTINI, AGOSTINO, ALBINI, ALLEOTI, ALLEVA, AMADEI, AMBROSIO, ANDRETO, ANGELIN, ANGIOLI, ARENARI, ARGENTESI, BACCARINI, BACHI, BAGNI, BALBI, BALDINI, BALDRATTI, BALDUZZI, BANDIERA, BANDINELLI, BARALDI, BARBE, BARBI, BARBONI, BARTHOLO, BARUFALDI, BASSI, DESCHI, BELCHIOR, BELFIORI, BELLINI, BELLO, BELLUSCHI, BENEDETTI, BENEVENUTTI, BENFENATTI, BERGO, BERINGHELLI, BERMAGOSI, BERNARDINI, BERSANETTI, BERSANI, BERTELLI, BERTOCHI, BERTOLINI, BERTOLUCCI, BIANCHINI, BIAZUTTI, BINI, BIOTINI, BISCARE, BISOLLI, BIZZAIA, BOADELLI, BOARI, BOLDRATTI, BOLDRINI, BOLOGNANI, BONFIOLI, BONICENI, BORNELLI, BORSETTI, BOSCOLO, BOTTONI, BRAGIO, BRAVATTI, BRESOLIN, BRESOLINI, BRIGHENTI, BROGLIO, BUZATTI, CALORE, CALSAVARA, CALVETTI, CAMANZO, CAMARANO, CAMPANATTI, CAMPELLO, CAMPOLONGO, CANAVESE, CANAVEZ, CANELLA, CAMPOLONGO, CAPRINI, CAPRONI, CAPUTO,
CARAVITA, CARAZZA, CARRARA, CASARITI, CASELLI, CASEMIRO, CASSANO, CASTORINO, CAVALARI, CAVALETTI, CAVALIERI, CAVALINI, CAVALLASI, CAZONI, CAZZONI, CESARI, CHIAMENTI, CHIARINI, CHITARRA, CHRISTOFOLI, CIAMARINI, CICARELLI, CICARINI, CIPRIANI, CONSALVI, CORROTI, CORTESI, CORTEZZI, COZZI, CUPOLILLO, DA COSTA, DALDEGAN, D’ANGELO, DAVIN, DE FILIPPO, DELLA COSTA, DELAI, DE LELLIS, DELLA CROCE, , DELLA SAVIA, DE LUCCA, DEL VECCHIO, DEMARCHI, DETOMI, DILASCIO, DINALI, DONATI, FABRI, FACCION, FACHINI, FAGIOLI, FALCONERI,
FALIN, FANTONI, FARAGALLA, FARIGNOLLI, FARNEZZI, FAVA, FAVERA, FAZANELLI, FERRAREZZI, FINALDI, FIOCHI, FIORELLI, FIRMO, FONTENELLI, FORAZENO, FORMAGIO, FRACCAROLLI, FRANCIA,
FRANZOSO, FRAZZONI, FREALDI, FREDERIGO, FRIGO, FUSATTO, FUSCHINI, FUZATTI, GARDONI, GAIANI, GAIO, GALARANA, GALLI, GALLO, GARAVELLI, GARBINI, GARBOGINI, GATTI, GAZZI, GEROMINI,
GHERELE, GIAROLA, GIOLITTI, GIORGIO, GIOVANNINI, GODI, GOTARDO, GOTTARDELLI, GRASSI, GRELLA, GRIPPI, GUARINI, GUELLI, GUERRA, GUILARDUCCI, GUITARRA, GUZZO, IMBROISI, INECO,
IZOLANI, JANONI, JANUZZI, LANCETTI, LAUDARI, LIBONI, LIBRENTI, LIMONCINNI, LOBOSQUE, LOMBARDI, LO,BELLO, LONGATTI, LONRENZONI, LORENGIONI, LOVAGLIO, LOVATO, LUCCHI,
LUCIEN, MACERONI, MAGALDI, MAGGIOLI, MAGNAVACCA, MANFREDINI, MANFRINI, MANTOANELLI, MANTOVANI, MARANEZZI, MARCELLI, MARCHIORI, MARDELATTO, MARGARON, MARGOTTI, MARINI, MARRONI, MARTELLI, MARTINELLI, MARZOCHI, MAURO, MAZZANTI, MAZZINI, MAZZOLI, MAZZONI, MENEGHINI, MENEGON, MENICUCCI, MENILLOMIATO, MINARELLI, MINQUITTI, MINZON, MISSON, MOEBUS, MONARI, MONDAINE, MONTOLI, MONTREZOR, MORANDI, MORELLI, MORFETTI, MUFATO, MUGIANI, NAPOLEON, NATALI, NEGRINI, NOZILIO, OTTONI, PADOVANI, PADUAN, PAGANINI, PAGANUCCI, PAGGI, PAGLIARINI, PALACCI, PALUMBO, PANAIN, PANORATO, PANZACHI, PANZERA, PAOLUCCI, PARIZZI, PARRINI, PASSARELLI, PASSARINI, PASSINI, PASTORINI, PATERNOSTER, PAVANELLI, PAZIN, PEDRONI, PELUZZI, PENONI, PEPARELLI, PERARO, PELEGRINELLI, PERILLI, PEZEUTTI, PEZZALI, PIAZZI, PICORELLI, PIERINI, PIERUCETTI, PIFANELLI, PITTI, PIZZA, POLASTRI, PONZETTI, POSSA, POZZA, POZZATO, PUGLIESI, PUTTINI, QUAGLIA, RADELLI, RANDI, RASTELLI, RIANI, RIGHETI, RIGOTTI, RIVETTI, RIZUTTI, ROLFINI, ROSSATO, ROSSINI, ROSSITO, ROZZETO, RUBINI, RUFINI, RUSSO, SABIDO, SACHETTI, SALVATORE, SANCETTI, SANTI, SANTINI, SARTINI, SARTORI, SBAMPATO, SCARPARETO, SCARPELLI, SCHIASSI, SCHIAVI, SCHINGAGLIA, SCULTORI, SERGIONI, SERTIANI, SOAVI, SOGHIRI, SOLVA, SOTANA, SOTTANI, SPADINI, SPILTRA, SPINELLI, STANCIOLI, STEFANELLI, STERACHI, STREFEZZI, TALIN, TAROCO, TESTONI, TIMPONI, TIRAPELLI, TOFALINI, TOFOLINI, TONELLI, TORECCHI, TORGA, TORNAGHI, TORTI, TORTIERI, TORTOMANO, TORTORIELLI, TRANQUILO, TRAVAGLI, TREBBI, TRERÈ, TREVIGIANI, TUBERTINI, TURRA, TUTTI, UNGARELLI, VALINI, VASSALO, VERALDO, VERLICHI, VERONEZZI, VERSALI, VIANINI, VICENTINI, VICO, VITALLI, VITORELLI, VITTA, VOLPI, VOLTA, ZAGA, ZAGOTTA, ZANDI, ZANETTI, ZANGIACOMO, ZANITTI, ZANNI, ZANOLA, ZANSAVIO, ZARAMELLA, ZERBNINI, ZERLOTINI, ZINI, ZIVIANI, ZUCHERI.

PEQUENA CRONOLOGIA DO NÚCLEO COLONIAL

Como seqüência dos acontecimentos relacionados aos trabalhos da Comissão para instalação do Núcleo Colonial de São João del-Rei elaboramos a pequena cronologia a seguir:

  • 10/02/88 – nomeação do Engenheiro Chefe da Comissão
  • 08/03/88 – chegada de Dr. Armênio a São João del-Rei
  • 09/03/88 – assumem os cargos os demais membros da Comissão
  • 10/03/88 – início dos trabalhos da Comissão
  • 22/03/88 – são definidas as atribuições da Comissão
  • 30/04/88 – encerrado o levantamento da área e comunicado à Inspetoria
  • 10/09/88 – envio projeto das casas à Inspetoria e pedido para construí-las
  • 05/11/88 – o Ministério da Agricultura decide pela construção de galpão
  • ---/10/88 – início de chegada dos primeiros imigrantes para as fazendas
  • 07/11/88 – primeira chegada de 150 imigrantes para as fazendas
  • 15/11/88 – aluguel da Hospedaria dos Imigrantes pelo Dr. Severiano
  • 17/11/88 – solicitação à Inspetoria da urgência na aprovação dos galpões
  • 22/11/88 – chegada de mais 112 imigrantes, também para as fazendas
  • 26/11/88 - Dr. Armênio propõe, ao invés do galpão, usar 2 casas construídas
  • 28/11/88 – o Engenheiro Chefe recebe aviso que receberá 90 famílias
  • 28/11/88 – chegam mais 63 imigrantes venetos/ferrarenses para fazendas
  • ---/11/88 – 100 lotes encontram-se demarcados para serem distribuídos
  • 03/12/88 – tomadas as últimas providências para recepção dos imigrantes
  • 03/12/88 – chegam os primeiros 102 colonos constituindo 22 famílias
  • 10/12/88 – prazo mínimo para o preparo das casas se houver autorização
  • 18/12/88 – já instalados 371 colonos na Várzea e 186 em José Theodoro
  • 20/12/88 – aviso à Inspetoria que só existem acomodações para 6 fam&
Dauro Buzatti é membro da Associação Amigos de São João del-Rei

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