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A crise das cidades e a crise de Tiradentes . Luiz cruz

“Investimentos devem ocorrer para que a cidade saiba exatamente o que quer, qual o tipo de turismo quer receber e o melhor a oferecer ”

2010 poderá ser um ano definitivo para que Tiradentes tome um rumo mais adequado para o seu futuro. A cidade poderá receber muitos recursos para projetos que são de relevância para sua sustentabilidade. É isso mesmo, hoje em dia tudo tem que ser sustentável, inclusive o turismo, que já deveria ser foco principal, especialmente das cidades históricas. O projeto piloto do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social deverá injetar em Tiradentes R$30 milhões em diversos projetos, incluindo restaurações, adequações, instrumentos e educação patrimonial. Foi lançado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas e Tiradentes, que é cidade potencial, poderá receber recursos deste programa. Além disso, a cidade é um dos 65 Destinos Indutores do Desenvolvimento Turístico Regional e vem sendo alvo de avaliações por parte do Ministério do Turismo e do Ministério das Cidades para receber verbas e se adequar para um turismo mais competitivo e sustentável.
Tiradentes passou a primeira década do novo milênio como foco de atenção do turismo nacional e internacional. Ganhou muito destaque na mídia e nos guias especializados impressos. Chegou a ser indicada como um dos destinos mais atraentes do Brasil. Muitas conquistas para um lugar tão singelo, pequeno e que conta basicamente com seu potencial cultural e ambiental, não existindo recursos para um projeto de marketing e divulgação, seja lá em que instância for. Muito do que se conquistou deve-se à iniciativa privada, de todos os segmentos que lutam para oferecer o melhor que podem.
Porém, chegamos ao limite que esforços individuais podem atingir. O turismo deve ser profissional. Investimentos devem ocorrer para que a cidade saiba exatamente o que quer, qual tipo de turismo quer receber e o melhor a oferecer. Mas isso só ocorrerá se houver projetos, planejamentos, metas, avaliações e reestruturações. Sem pessoal devidamente formado e capacitado, tudo isso pode se perder, até mesmo a possibilidade de receber investimentos.
Além de ser naturalmente um destino indutor, por ter um acervo arquitetônico bem integrado e um potencial ambiental de grande expressão, a Serra de São José, a cidade é ainda beneficiada pela localização, ficando entre três metrópoles: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o que facilita o afluxo de turismo e de pessoas interessadas em se instalar na localidade. Tiradentes tem crescimento bem acima da média, mas um crescimento totalmente desordenado e que a cada dia compromete seu potencial turístico. É preciso que haja ordenação e orientação. Há de se convir que o crescimento desordenado só promove a ganância e a especulação, em detrimento da desvalorização da diversidade cultural. A cidade recebeu, a partir de 1994, os Critérios e Normas de Intervenção do IPHAN, instrumento que muito vem contribuindo para regulamentar as intervenções e novas ocupações no núcleo tombado. O restante, o entorno, está totalmente à deriva. Por isso é necessária a elaboração de um Plano Diretor, para que a cidade tenha melhor compreensão de sua estrutura urbana. A crise de crescimento desordenado que aflige as cidades, aflige Tiradentes. A cidade precisa ser mais humanizada, precisa ser uma cidade para todos os níveis sociais.
Nos primeiros dias de 2010, o Brasil foi notícia no mundo todo, exatamente pelo desordenamento das cidades, que além de comprometer a beleza cênica dos lugares, compromete a qualidade de vida. Pode, inclusive, colocar em risco investimentos e a vida de muitas pessoas. Os principais jornais internacionais veicularam notícias associando o desordenamento e a falta de valorização da vida do brasileiro a um traço marcante e triste do Brasil: o subdesenvolvimento.
Chegou a hora de Tiradentes usar sua própria crise de crescimento desordenado para se tornar um espaço de experimentação urbana com novas tecnologias e inovações, com propostas de sociabilidade e humanização, especialmente nos bairros onde estão concentrados os tiradentinos. Não se pode esquecer dos condomínios, que não devem ser considerados “ilhas”, mas partes a se integrar à cidade. Que este momento de ordenação, que poderá ser obtido com o Plano Diretor, a solidariedade possa ser compartilhada, tanto a favor do patrimônio cultural, quanto do natural e que tenha como sustentáculo o patrimônio humano de Tiradentes. Com o Plano Diretor e uma equipe para sua implantação e acompanhamento, daremos nosso primeiro passo para a sustentabilidade da cidade.
Nunca é tarde..... e Tiradentes merece!

*professor

Fonte: Gazeta de São João del-Rei . 30/01/2010


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