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Coisas da quaresma e da Semana Santa . Marcelo Álvaro de Souza

Descrição

Com o foco no Brasil, mais precisamente em nossas cidades tradicionalmente católicas, a Quaresma é tempo de jejum, abstinência e penitência, além de muita oração e atos caritativos. Já a Semana Santa é a recordação da paixão, morte e ressurreição de nosso Redentor.

Assim, São João del-Rei tem, desde os tempos coloniais, como ponto alto de suas comemorações religiosas, um período que vai da Quarta-feira de Cinzas ao Domingo da Páscoa, num total de quarenta e seis dias. Quando a cor roxa vai parar nos altares, nos paramentos e nas flores das quaresmeiras, certos hábitos, costumes e tradições fazem de nossa cidade um local ímpar.

Na Quaresma, a tradicional doação de leite, por parte de fazendeiros, diretamente aos pobres, é coisa que sempre ocorre num dia desse período. Assistir às Vias-sacras nas diversas igrejas ou acompanhá-las pelas ruas do centro histórico é coisa bastante concorrida. Estar presente nas Encomendações de Almas, no fim de noite e no início de madrugada, é coisa meio-macabra, mas tem um significado religioso muito especial para com os mortos. Saber que os dois Depósitos – o dos Passos e o das Dores – e ainda a Procissão do Encontro ocorrem nesse período é coisa que, às vezes, deixa o turista meio-confuso.

Já na Semana Santa, encontrar rosmaninho, arnica e manjericão no interior e nos adros das igrejas é coisa líquida e certa. A noite de Quinta-feira Santa proporciona duas alternativas interessantes. Uma é visitar as igrejas do centro histórico, coisa que se une com os que gostam de caminhada e querem saber qual delas fará o mais bonito quadro bíblico. A outra coisa, mais afeita a quem prefere ficar de pé, é a Cerimônia do Lava-pés, que ocorre nos fundos da “Matriz”. No dia mais esperado, a Sexta-feira da Paixão, ouvir na “Matriz”, ou pela rádio São João del-Rei, o Sermão das Sete Palavras é coisa que muita gente faz, mesmo sabendo que ele vai ser um sermão demorado. Ainda na noite desse mesmo dia, deslocar-se para o Largo das Mercês, e, após o sermão, maravilhar-se com o Descendimento da Cruz é coisa magnífica. Ver passar a Procissão do Enterro, não somente pelo que ela representa, mas também pelos aspectos teatrais, é coisa do outro mundo. Acompanhá-la, então, é coisa para se fazer, pelo menos, uma vez na vida. No Sábado Santo, participar da cerimônia da Vigília Pascal, mas morrendo de saudade do Sábado da Aleluia e da queimação do Judas, é coisa que mexe com os saudosistas, mormente aqueles que viveram sob a vigência do Concílio Vaticano I. E, finalmente, no Domingo de Páscoa, ver as ruas enfeitadas, com lindos arranjos artesanais, por onde passará a Procissão da Ressurreição, é coisa suprema, pois lembra a todos que Jesus ressuscitou dos mortos para poder nos salvar.

* são-joanense e reside em Belo Horizonte; coronel reformado do exército, psicólogo e músico

Notícia de Segunda, 6 de Abril de 2009

Fonte: Rádio São João del-Rei

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