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São João del-Rei é um polo econômico regional e um destino turístico

Por Aluizio Barros em 02/06/2015


As igrejas são o principal atrativo que representa São João del-Rei.

Descreva o perfil do turista que vem a São João del-Rei e outros caminhos de Minas. Um casal paulista de meia idade, rico, que se hospeda no Garden Hills, ao lado do aeroporto e de um campo de golfe? Ou, na pior hipótese, uma dupla carioca de funcionários públicos bem aposentados e instalados numa pousada próxima do Largo de São Francisco? Ou jovens estudantes com suas mochilas e pouca grana pernoitando numa república de amigos?

A Secretaria de Estado de Turismo e Esportes de Minas Gerais divulgou na semana passada uma pesquisa de demanda turística em vários municípios mineiros, e o Monitor das Gerais noticiou em primeira mão o evento. Os objetivos da pesquisa são “compreender o perfil dos visitantes e o impacto que causam em cada destino turístico”. 

Conhecer este impacto não é tarefa fácil e, por isso, sobressai na pesquisa o traçado do perfil dos visitantes. É interessante comparar os resultados da pesquisa em São João del-Rei com a experiência que cada um de nós tem com o visitante ou turista.

Na metodologia da pesquisa, faz-se a distinção entre o turista e o excursionista, sendo o primeiro definido como quem pernoita por uma noite, pelo menos. O excursionista permanece no máximo 24 horas na cidade, sem realizar o pernoite.

Em São João del-Rei, 58% dos 140 entrevistados não pretendiam dormir ou não dormiram na cidade. Seriam, portanto, os excursionistas. Os turistas seriam os outros 42% dos visitantes. Aqui já começam nossas dificuldades de compreender os resultados da pesquisa. Os visitantes da pesquisa englobam os turistas que vêm visitar as igrejas barrocas, ou pular o carnaval nas ruas, ou encontrar amigos e parentes, mas também os viajantes que vêm fazer negócios, consultar um médico ou estudar na cidade polo de uma região.

A segmentação dos visitantes torna-se evidente na resposta que deram à pergunta sobre o motivo principal da viagem: 27% vieram visitar amigos e parentes, 26,4% tratar de negócios, 17% usufruir de lazer e passeios, 12,1% cuidar da saúde, 8,6% estudar e 7,1% fazer compras.

Os verdadeiros turistas na amostra pesquisada representam 44% dos visitantes que aqui vieram passear (17%) e visitar amigos e parentes (27%). Há, portanto, um contingente majoritário de visitantes que não são turistas e não se comportam como turistas.

Daí as respostas à pergunta sobre o interesse em visitar outros circuitos turísticos em Minas estariam, a meu ver, refletindo mais a intensidade da publicidade que cada um recebe que a real intenção de realizar uma visita. A pesquisa dos visitantes em São João del-Rei apontou o interesse maior no circuito de Belo Horizonte (14,4%), Serra da Canastra (11%), Diamantes (10,3%) e Águas (8,9%). A Trilha dos Inconfidentes, que inclui São João del-Rei, ficou em 12º lugar com 2,7% dos interessados. Este pequeno percentual é um tanto quanto óbvio, uma vez que reflete a presença do visitante na trilha e, consequentemente seu interesse em outros lugares.

Nossos turistas não são cariocas, nem paulistas. São mineiros, uai!

O que o visitante pretende fazer na sua próxima viagem? Esta pergunta teve uma resposta clara: 35,5% querem sol e praia. Em outras palavras, sair de Minas Gerais. Fica evidente a dificuldade que a promoção do turismo encontra no estado: a concorrência das atrações ditas paradisíacas do litoral brasileiro de norte a sul.

A grande maioria dos 140 visitantes entrevistados pela pesquisa era de mineiros (82,86%). Abaixo deles, estão os paulistas (7,86%) e fluminenses (7,86%).

As mulheres representam 65% e os homens 35% dos visitantes, que têm uma idade média de 38 anos, e renda familiar abaixo de R$2040 para 55% deles e delas. O visitante típico seria, portanto, uma mineira madura de renda média.

Tanto é assim que 63,6% dos visitantes que dormiram na cidade o fizeram em casa de amigos e parentes, e apenas 27,3% foram para hotéis e pousadas. Na mediana, permaneceram uma noite na cidade gastando R$ 39,44 per capita. Na média, o valor do gasto diário (R$ 71,52) e a permanência de três dias são maiores porque alguns poucos visitantes ficam muitos dias hospedados em hotéis e, portanto, gastando mais.

A melhor notícia da pesquisa é que São João del-Rei tem uma avaliação muito boa de sua infraestrutura turística. Numa escala de notas de 1 a 10, a melhor avaliação foi na gastronomia (8,78), hospitalidade (8,72), qualidade da hospedagem (8,29) e atrativos turísticos (8,25). As notas mais baixas foram para o transporte público (7,13) e preços em geral (7,16). Como era de se esperar, a vizinha Tiradentes teve nota média 6,50 nos preços praticados.

A satisfação dos visitantes com a cidade se expressa na resposta que deram à pergunta se a viagem atendeu às suas expectativas: 92,5% responderam “plenamente” e 4,3% responderam  “superou”. E o mais importante é que mais de 90% já tinham  visitado a cidade e 98,9% pretendem retornar nos próximos dois anos.


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