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Cenyra Rocha

Cenyra Sebastiana Rodrigues Rocha
Exposição de fotos "Memórias do carnaval de São João del-Rei" . Acervo Família de Cenyra Rocha
Carnaval de São João del-Rei e região . Memórias, dados e imagens

Casada com Raimundo Rodrigues Rocha (Mundico). Mãe de Theresa Martha Rocha Faleiro (casada com Maurício Faleiro), e Martha Regina Rodrigues Rocha. Avó de Alessandra e Maurício Augusto Rocha Faleiro.
Filha de Tereza Sbampato Rocha e Antônio Lombelo Rocha, popular “Mestiço”, aviador amador brevetado pelo Aeroporto Santos Dumont, fundador do aeroclube  de São João del-Rei e proprietário de um avião Aeronca, de dois lugares. Tinha dois irmãos que voavam , cresceu num ambiente de vôos, treinamentos e brevês. Participou, em plena guerra, de treinamentos de bombardeio, onde atiraval sacos de areia dos aviões. A primeira mulher são-joanense a dirigir um automóvel e a ter a carteira de motorista (com 15 anos) e a ser ciclista em São João del-Rei, possuia uma moto Harley Davidson.
Em perfeita parceria de seu marido Mundico (Rocha &Rocha), organizavam bailes de debutantes no Minas Futebol Club, desfiles, concursos de Glamour Girls e Miss Minas Gerais, bailes das elegantes entre outros, iniciados em 1966. Dedicou-se com paixão no carnaval de São João del-Rei, especialmente na Escola de Samba Falem de Mim. Era colunista social junto de Mundico, do jornal “Ponte da Cadeia”, semanário editado até 1982 pelo jornalista e amigo Adenor Filho e foi também colunista do jornal “Tribuna Sanjoanense” Colaboradora do colunista Nicolau Neto do Jornal Estado de Minas até sua morte na década de 90.
Adorava comemorar o Natal com as amigas e organizava tudo com muito carinho e muitos detalhes. Tinha como hobby a pintura de imagens barrocas.

1944 – brevenada no dia 01/03, primeira aviadora de MG a pilotar um avião, tendo tirado o seu brevê no Aeroporto de SJDR na pioneira turma de 1944, ao lado dos irmãos Gilson e Wilson Rocha (Lilinho), que se tornou aviador profissional.

1950: casa-se no dia 31/03/1950 com Raimundo Rivetti Rocha - Mundico

1967: Título Honorário de Cidadão Sanjoanense: Raimundo Rodrigues Rocha

1983: Campeã do Carnaval de SJDR. Equipe responsável: Presidente João Bosco Reis Teixeira, Cenyra Rocha, Márcio Gomes, Capitão Veiga, Quinha Brasil, Chacal, Maria Luiza Carneiro, Júlio, Sr. Braga, Sr. Saldanha, Sr. Mário, Bené Morais, Ivan Dias e outros.

1991 – título de sócia benemérita do Minas Futebol Club

1995: Personalidade Feminina

1996: Mulher de Expressão (evento promovido pelo Jornal Tribuna Sanjoanense)

1998 – Troféu Destaque Pref M SJDR 12/12/98

1998 – Medalha Santos Dumont . Fazenda Cabangú/Stos Dumont . Grau Ouro (Gov Eduardo Azeredo) MG 07/11/98

1998 – 16/09 No programa Jô Soares (que foi ao ar dia 25/09/98

2006 – homenageada pelo Governador Aécio Neves como a “1ª aviadora de MG” na inauguração do novo Aeroporto Octávio de Almeida Neves/SJDR 26/05/2006 ,       

07/07/2006 – faleceu Cenyra Rocha, 82 anos. Enterrada no Cemitério da Igreja São Francisco de Assis.

Fontes: acervo da família de Cenyra Rocha, Coluna Acontece/Gazeta de SJDR por Cláudia Simões, Jornal Gazeta de SJDR, Tribuna Sanjoanense

Mais informações:

Sociedade em desfile - 1968 . Velha Guarda e Jovem Guarda

Exemplo de matéria publicada: Rocha, Rocha & Dom Bibas

Na noite de 5 de outubro a Sociedade Sanjoanense reuniu-se nos salões de festas do Minas F. Clube para homenagear as 26 meninas-moças que se apresentaram pela primeira vez no baile oficial das debutantes de 1968. Por ordem as debutantes foram se apresentando e sob os aplausos de todos os presentes foram recebendo os cumprimentos de seu digno paraninfo, o poeta e escritor Oranice Franco. A elegância das meninas moças e a impecável apresentação do Conjunto Nazário Cordeiro garantiram o sucesso e a beleza do grande baile, que se prolongou até as 5 da madrugada de domingo.

Complementando a beleza da festa das debutantes de 1968, registramos a apresentação quase inédita de dois pares de gêmeas, as irmãs Mara Márcia e Márcia Mara de Assis, ornamentos de nossa sociedade, Vera Maria e Maria Lúcia de Simoni, ornamentos da sociedade de Lavras. Rendemos também nossas homenagens ao Departamento Social do Minas F. Clube, sob a direção de Iracy Borges e de Celeste Maria Banho, pela beleza e êxito da inesquecível noite. Por ordem de apresentação, foram as seguintes debutantes de 1968: 

- Alcione Rodrigues de Almeida, filha de Benedito de Almeida e Marximina Almeida. Cursa a 2ª série ginasial do Instituto Auxiliadora.
- Ana Lúcia Hallak Ávila, filha de Antônio Marques Ávila e Ana Hallak Ávila. Cursa o 1º ano científico no Colégio Santo Antônio.
-Carmen Lúcia de Carvalho.
-Fátima Lima de Alvarenga, filha de Walter Alvarenga e Florisbela Lima de Alvarenga. Cursa a 3ª série ginasial em Belo Horizonte.
- Lídia Panzera Leite, filha de Paulo Coelho eLeite e Lia Panzera Leite. Cursa a 4ª série ginasial do Colégio Imaculada Conceição da Guanabara.
- Mara Márcia e Márcia Mara de Assis, filhas de Astrogildo Assis e Olga Tanus Assis. Cursam a 3ª série ginasial do Colégio N. Sra. Das Dores.
- Márcia Panzera Melo, filha de Luiz Gonzaga Horta Melo e Terezinha Panzera Horta Melo. Cursa a 3ª série ginasial do Colégio N. Sra. Das Dores.
- Maria Beatriz Farnese, filha de Pedro Farnese e Beatriz Ferreira Farnese. Cursa a 4ª série ginasial do Colégio N. Sra. Das Dores.
- Maria do Carmo Nacif, filha de Alexandre Nacif e Maria Nazaré Nacif. Cursa o 1º ano normal do Colégio N. Sra. das Dores.
- Maria Elisa Alvarenga Dias, filha de Agnelo Alencar Dias e Iolanda Alvarenga Dias. Cursa a 3ª série ginasial do Colégio N. Sra. das Dores.
-Maria Elizabeth dos Santos, filha de Antônio Josino dos Santos e Adalgisa Resende Santos. Cursa a 3ª série ginasial do Colégio N. Sra. das Dores.
- Maria Magali Boucherville Carvalho, filha de José Caetano Carvalho e Nadir Boucherville Carvalho. Cursa a 4ª série ginasial do Instituto Auxiliadora.
- Myriam Cardoso Barreto, filha de Hélio Barreto Pereira e Haidée Carvalho Barreto. Cursa a 3ª série ginasial do Colégio Normal Oficial.
- Regina Maria de Andrade Carvalho, filha de Joaquim Batista Carvalho e Laura Andrade Leite de Carvalho. Cursa a 4ª série ginasial do Colégio N. Sra. das Dores.
- Regina Maria Dâmaso, filha de Luiz Mansueto Dâmaso e Florinda Tanus Dâmaso. Cursa a 3ª série ginasial do colégio N. Sra. das Dores.
- Regina Maria Oliveira Faria, filha de Ulisses Alves de Faria e Edith Oliveira Mata Faria. Cursa a 3ª série ginasial do Colégio N. Sra. das Dores.
- Rosana Maria Resgalla, filha de CharridResgalla e Caetana Alves Resgalla. Cursa a 3ª série ginasial do Colégio N. Sra. das Dores.
- Rosane Maria das Flores Menezes, filha de Alvim Menezes e Marlene Flores Menezes. Cursa a 4ª série ginasial do Instituto Auxiliadora.
- Rosane Santos Panzera, filha de Nery Panzera e Maria José Santos Panzera. Cursa a 4ª série ginasial do Colégio Imaculada Conceição da Guanabara.
- Suzana Sbampato Resende, filha de Benedito Resende e Yolanda Sbampato Resende. Cursa a 4ª série ginasial do Colégio N. Sra. das Dores.
-Telma Reis Castro, Filha de Jacy de Castro e Laura Reis Castro. Cursa a 4ª série Ginasial do Instituto Auxiliadora.
- Tereza Cristina Assis, filha de Sílvio Assis e Lígia Cardoso Assis. Cursa a 3ª série do Colégio Normal Oficial.
- Vera Lúcia e Vera Maria de Simone, da sociedade de Lavras.
- Virgínia Lúcia Andrade de Araújo, filha de Raimundo Monteiro Araújo e Diva Andrade Araújo. Cursa o 1º ano normal do Colégio N. Sra. das Dores. 

Foi comemorado no dia 17 de setembro o aniversário da senhorita Iza Rios. A simpática proprietária do Salão Rios foi muito cumprimentada por suas amigas.

Já se encontra em sua residência, restabelecendo de melindrosa operação a senhora Maria de Lourdes Lobosque Sena (Lute), a quem fazemos cordial visita. 

Esteve por vários dias internado no Hospital N. Sra. das Mercês, em tratamento de saúde nosso prezado amigo Dr. Henrique Alvarenga. Para alegria de sua família e de seus inúmeros amigos, já se encontra restabelecido e em sua residência. Com este registro fazemos-lhe nossa visita. 

Em festa se encontra o lar do casal Waldon de Melo Marilda Alcântara do Nascimento Melo, com o nascimento de Roberta Alcântara de Melo. O feliz acontecimento teve lugar em Belo Horizonte, na Maternidade do Hospital Samaritano. Nossos cumprimentos.

O lar do casal João (Adelina) Batista Garcia também está em festa com o nascimento de uma robusta menina. Luciane será o nome da garotinha. Parabéns. 

Aniversariou no dia 27 de setembro o simpático menino André Luiz. Seus pais, o casal Cláudio (Cleonice) Ibrain Costa ofereceu animada recepção aos seus amiguinhos. Parabéns.

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Notícias em jornais

Aeroclube quer retomar atividades com a modernização do aeroporto 

Reinaugurado em 1996 após quase quarenta anos paralisado, o Aeroclube de São João del-Rei, fundado na década de 40, pode sair do hangar onde se encontra desde 2002 e voltar a decolar, com a reativação do aeroporto Castelo Branco. "Nos anos 40 o aeroclube tinha 36 alunos", recorda Cenyra Sebastiana Rocha, 79, única mulher da turma e a única viva dentre três brasileiras que pilotavam na época. Na segunda fase, final do segundo milênio, "o Aeroclube formou cerca de dez", diz o atual presidente do aeroclube, José Primeiro Teixeira Neto, o 'Zezito'. "As reformas anunciadas no aeroporto são um incentivo muito grande para retomarmos nossas atividades, já que a pista não oferece segurança nenhuma. Estamos planejando voltar com os cursos de piloto privado - pré-requisito para filiação em um aeroclube -, pára-quedismo e incentivar o aeromodelismo", anuncia Zezito. 

A pioneira Cenyra Rocha tirou seu brevê - diploma de conclusão do curso de aviação - aos 20 anos. "Desde criança gostava de aviação, mas nunca imaginava que um dia ia pilotar. Meu pai, Antônio Lombello Rocha, o Mestiço, e meus dois irmãos, Gilson e Wilson Rocha, tiraram brevê junto comigo. Todos eles já faleceram. O único da família que ainda voa é meu sobrinho, Gilson Rocha Filho, 54, que trabalha para a construtora Gutierrez, de Belo Horizonte". Cenyra, que completa 80 anos dia 31 de março, foi entrevistada por Jô Soares em 1995, quando o programa era no SBT. 

Durante a 2ª Guerra Mundial, Cenyra, o pai e os irmãos treinaram os soldados do 11° Batalhão de Infantaria até eles partirem para a Itália. "Ficávamos voando e jogando saquinhos de areia, simulando bombas. Meu namorado era soldado, e quando via que ele estava em baixo eu jogava sanduíches ao invés de saquinhos de areia". Aos 24 anos Cenyra casou-se - não com o soldado - e largou a aviação. Raimundo Rocha, marido de Cenyra, tem "pavor” de avião. "Já viajei três vezes. Ia de avião e voltava de ônibus ou trem, por falta de coragem. Uma vez fui para Oliveira com o pai e um irmão da Cenyra. O pai queria se guiar pela estrada, enquanto o irmão pela tecnologia dos recentes aparelhos de bordo. Acabamos perdidos. Dessa vez falei: 'Nunca mais entro em um avião'. Só Deus sabe o que eu passei".  

Meio século depois, com a presença da Esquadrilha da Fumaça, o aeroclube são-joanense é reativado em 1996. "Passamos a receber visitas de aeroclubes - o de São Paulo veio uma vez com doze aeronaves -, bem como de particulares. Até o comandante Rolim, da TAM - Transportes Aéreos Meridionais -, veio nos visitar, pouco antes de falecer em acidente aéreo em julho de 2001. As Forças Armadas faziam treinamentos de embarque e desembarque no aeroporto de São João. Acho que eles gostavam de treinar aqui porque as condições climáticas são favoráveis, a corrente de ar da região é boa e não tem muito movimento de aeronaves", diz o vice-presidente do aeroclube, Luiz Gonzaga Cardoso. 

O Departamento de Aviação Civil (DAC) cedeu duas aeronaves monomotores para o aeroclube, um motoplanador - que fica planando na corrente de ar - e um aeroboero - aeronave para instruções primárias -, ambos com capacidade para um instrutor e um aluno, "Com recursos das mensalidades dos alunos, cerca de R$ 5 ou R$ 10, ajuda do DAC e do prefeito da época - José Vicente Davin, o 'Zeca Davin' (final de 96) -, o aeroclube construiu um hangar para guardar as duas aeronaves. "Com as duas aeronaves pudemos oferecer um curso de piloto privado, de quarenta horas e aulas individuais nos finais de semana, além de um curso de pára-quedismo, com aprendizes de várias cidades e que gerou uma equipe local de pára-quedistas, coordenados pelo são-joanense Pedro Davin. "Por várias vezes a Aeronáutica cedeu o Búfalo - avião próprio para salto de pára-quedas - para os pára-quedistas saltarem". 

De acordo com Cardoso, “devido ao aumento do petróleo em 2001 – as horas de vôo ficaram muito caras, subiram de R$100,00 para R$210,00 entre 1996 e 2002 – e ao encarecimento da manutenção das aeronaves, o aeroclube foi perdendo os alunos e os cerca de trinta associados, até não dar mais para continuar. Por causa da falta de atividades no aeroclube, o DAC levou as duas aeronaves que havia cedido. “Eles disseram que elas não estavam sendo usadas aqui mas que poderiam ser aproveitadas em outro lugar”. 

Cardoso diz que “apesar da crise, São João tem potencial para o aeroclubismo. Há muita gente interessada, a maioria jovens de 20 anos. O problema é a crise econômica, mas um dia ela vai passar. Estamos aguardando ansiosamente as reformas no aeroporto para tentar conseguir uma aeronave e retomar as atividades”. 

Por: Juliana Costa
Publicada em 23/04/2004 às 16h09
Ponte da Cadeia.com.br

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Com determinação e coragem, mineira vence obstáculos 

Atualmente, ver mulheres pilotando avião não é, exatamente, uma coisa comum. Agora, imagine isso há mais de cinquenta anos. Era algo praticamente inimaginável, principalmente nas tradicionais Minas Gerais. Mas era isso que Cenyra Sebastiana Rocha, 72, fazia. 

“Puxei o meu pai. Sempre gostei de automóvel, moto, avião...”, explica Cenyra. Ela é filha de Antônio Lombello Rocha, conhecido como Mestiço, um dos fundadores do Aeroclube de São João del-Rei. Na década de 40, formou-se lá uma turma para aprender a pilotar. O brevê seria entregue aos alunos pelo ministro Salgado Filho e por Assis Chateaubriand, proprietário dos Diários Associados. 

O então prefeito da cidade sugeriu a Mestiço que deixasse a filha aprender a pilotar, para que ela recebesse o brevê das mãos do ministro. “Meu pai não gostou da ideia, mas eu bati o pé”, lembra Cenyra. 

Piloto e motorista
Determinada, ela tanto fez que convenceu o pai, que acabou autorizando, ainda que a contragosto. Mesmo assim, no dia em que ia voar pela primeira vez, seus pais estavam no aeroclube e foram embora para não assistir à cena. O campo e encheu de curiosos, que queriam ver aquela garota voar. E foi o maior sucesso.

No dia da prova, o ministro se assustou ao ver Cenyra e perguntou: “Quem é essa menina aí?”. Ao ser informado de que era uma das candidatas, decidiu que ela seria a primeira. Isso não intimidou Cenyra, que fez um vôo perfeito e acabou sendo a primeira mulher da cidade – e, provavelmente, de Minas Gerais – a receber um brevê. 

Essa, no entanto, não foi a primeira façanha de Cenyra. Ela foi a primeira mulher a dirigir em São João del-Rei, aos 12 anos. Com apenas 15 anos venceu os policiais pelo cansaço, e recebeu permissão de fazer o exame de rua. O resultado não poderia ser outro. Já bastante experiente, ela tirou a carteira de motorista “de cara”, como faz questão de dizer. 

Por: Ana Luiza Farias
Jornal Estado de Minas, 21 de Março de 1998

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Aviadora são-joanense é entrevistada por Jô Soares  

No último dia 16 de setembro Cenyra Sebastiana Rocha, 74, foi entrevistada no programa do Jô Soares. A entrevista estava prevista para ir ao ar ontem. Desinibida e com muita estória para contar D. Cenyra diz que se sentiu muito à vontade e ficou encantada com o tratamento “vip” que recebeu no SBT. O convite para a entrevista aconteceu pelo fato de D. Cenyra ter sido a primeira mulher do Estado a receber um brevê de piloto, no ano de 1944, então com 20 anos. Na entrevista, ela contou os casos de suas muitas horas de vôo e ainda divulgou São João del-Rei, falando de seu carnaval e suas tradições. 

Para D. Cenyra, voar fazia parte do cotidiano e era quase hereditário. Seu pai, Antônio Lombello Rocha, conhecido como Mestiço, foi o fundador do Aeroclube de São Joãodel-rei e era proprietário de um avião aeronca, de 2 lugares, seus dois irmãos voavam e ela cresceu num ambiente de vôos, treinamentos, brevês. 

Em 1944, São João del-Rei formou uma turma de pilotos. No teste, entre 50 candidatos ao brevê, D. Cenyra era a única mulher e o fato deixou incrédulos o então ministro Salgado Filho e Assis Chateaubriand, proprietário dos Diários Associados, que vieram “a cidade para a entrega do brevê aos formandos. Mas o vôo foi perfeito e ela conseguiu sua licença, mesmo contra a vontade do pai que, no início, não queria deixar a filha aprender a pilotar. 

Segundo D. Cenyra, ela nunca teve medo de voar e, em seu primeiro vôo “solo”, sua única preocupação era com a chegada, onde acontecia o tradicional “lachê”, batismo feito com banho de óleo. Já com o brevê, em seus muitos vôos e viagens, participou, em plena guerra, de treinamentos de bombardeio, onde atiravam sacos de areia dos aviões. 

Mas pilotar não era a única “arte” de Cenyra. Ela também dirigia carros, caminhões e foi priprietária de uma moto Harley Davidson. “Puxei o meu pai, sempre gostei de automóvel, moto, avião”, explica. Ela dirigia desde os 12 anos e foi a primeira mulher em São João del-Rei a tirar carteira, com a idade recorde de 15 anos. Segundo D. Cenyra, os policiais cansaram de repreendê-la dirigindo pelas ruas e decidiram permitir que ela fizesse o exame e tirasse carteira, sob a responsabilidade do pai, antes da maioridade. Ela então fez o exame, onde um dos testes era andar de ré nas curvas do jardim da igreja de São Francisco, e tirou a carteira de primeira.

Com o fechamento do aeroclube, na década de 60, D. Cenyra, já casada e com duas filhas, passou a se dedicar aos vôos sociais e foi carnavalesca, organizadora de desfiles, concursos de miss, glamour girls e bailes de debutantes. Hoje, diz lembrar daquele tempo com muito carinho e saudade e se diz muito feliz com a reabertura do aeroclube, em 1996, quando não faltaram homenagens à esta mulher determinada e corajosa, sempre à frente de seu tempo. 

Jornal Gazeta de São João del-Rei, 26 de setembro de 1998 



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Coluna Acontece
Falecimento 

Com o falecimento de Cenira Rocha, dia 7 de julho, aos 82 anos, a cidade se despediu não só da estimada são-joanense, mas da cidadã pioneira, ativa e empreendedora que por tantas décadas elevou o nome de SJDR ao movimentar a vida social da cidade. 

Filha do saudoso Antônio Lombello Rocha, o popular “Mestiço” aviador amador brevetado pelo Aeroporto Santos Dumont, sua paixão pela aviação e pelos motores veio de família. Ao lado da amiga Valdete Mansur, foram as primeiras mulheres a ter carteira de motorista em SJDR, e a primeira em Minas Gerais a pilotar um avião, tendo tirado seu brevê no Aeroporto de SJDR na pioneira turma de 1944, ao lado dos irmãos Gilson e Wilson Rocha (Lilinho), que se tornou aviador profissional. 

Por seu pioneirismo foi agraciada pelo Governo de Minas com a Medalha Santos Dumont, em 1998, e entrevistada no Programa do Jô, da Rede Globo. SJDR também lhe rendeu homenagens, sendo a mais recente, no dia 26 de junho, na reinauguração do Aeroporto Octávio de Almeida Neves. Sob sua coordenação, SJDR viveu inesquecíveis bailes de debutantes no Minas Futebol Clube e na especial participação da cidade nos concursos de Glamour Girl e Miss Minas Gerais, iniciados em 1966. “Seu entusiasmo pela vida contagiava as candidatas. Pelo seu profissionalismo, as misses de São João del-Rei eram super bem recebidas”, disse Rosane Menezes, miss SJDR 1975, classificada em 3º lugar no Miss Minas Gerais. 

Dedicou-se com paixão ao carnaval, especialmente na Escola de Samba Falem de Mim, sendo também colunista social do jornal “Ponte da Cadeia”, notável semanário editado até 1982 pelo jornalista e amigo Adenor Filho. Foi também colaboradora assídua do colunista Nicolau Neto (Jornal Estado de Minas) até sua morte na década de 90. Era casada com Raimundo Rodrigues Rocha (Mundico), companheiro há 56 anos, mãe de Tereza Marta (casada com Maurício Faleiro) e Marta Regina, e avó de Alessandra e Maurício Augusto. Inúmeros amigos de Carmópolis (MG) se juntaram aos familiares e sanjoanenses na Igreja de São Francisco para as últimas homenagens à grande dama. 

Fonte: Gazeta de São João del-Rei – 15 de Julho de 2006



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Cenyra Sebastiana Rodrigues Rocha 

Foi sepultada no dia 7 de julho, no Cemitério de São Francisco de Assis a Sra. Cenyra Sebastiana Rodrigues Rocha, uma destacada e atuante sanjoanense. 

Deixa viúvo o Sr. Raimundo Rodrigues Rocha, Mundico, as filhas Theresa Martha Rodrigues Faleiro e Martha Regina Rodrigues Rocha e dois netos, Alessandra e Maurício Augusto Rocha Faleiro. 

Dona Cenyra Rocha faz parte da história de São João del-Rei. Filha de Antônio Lombello Rocha (Mestiço) e Teresa Sbampato Rocha, na década de 40, destacou-se como jovem aviadora sendo a primeira a pilotar um avião em Minas Gerais. Sempre esteve presente nos grandes eventos de nossa terra, tanto sociais quanto beneficentes. Foi destaca colunista de vários jornais, inclusive Tribuna Sanjoanense, onde assinou a coluna por muitos anos. Promoveu diversos concursos de miss, Glamour Girl, debutantes e outros. Foi Personalidade Feminina em 1995 e Mulher de

Expressão em 1996, evento promovido pela Tribuna Sanjoanense.

Recentemente, por ocasião da inauguração do novo aeroporto da cidade, foi homenageada pelo governador Aécio Neves. 

À família enlutada, os votos de pesar da equipe do jornal Tribuna Sanjoanense. 

Fonte: Jornal Tribuna Sanjoanense, 18 a 25 de Julho de 2006

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Agradecimento  

Obrigada querida Cenyra, pela esposa, mãe, sogra e avó encantadora que sempre foi. Nós, de sua família, vamos olhar muito mais para aquela que tivemos do que para a que deixamos de ter. Agradecemos aos nossos amigos, familiares e a todos aqueles que de uma forma ou de outra nos apoiaram e continuam nos apoiando nesses difíceis momentos.

Aos médicos, enfermeiros e funcionários do Hospital Nossa Senhora das Mercês e Santa Casa que a acompanharam durante toda a sua enfermidade, nossa gratidão. Ao Dr. Paranhos agradecemos de forma especial pela força, presença e carinho dedicados não só a ela como a todos nós nesses seus últimos dias de vida.

São João del-Rei, 07 de agosto de 2006.

Mundico Rocha, Theresa Martha e Martha Regina, Alessandra, José Maurício e Maurício Augusto.

Fonte: Tribuna Sanjoanense



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Homenagem 

Nesta missão iluminada, em um momento tão difícil e saudoso, sinto-me coberta por bênçãos que me levam a dizer em poucas palavras como seria sentir a partida de nossa querida Cenyra.

Mãe carinhosa, avó dedicada, esposa encantadora, prima, madrinha e amiga admirada de muitos.

Mulher coragem, mulher força, mulher aviadora.

Jovem, alçou vôo em plena audácia, determinação e capacidade.

Com toda essa juventude, mostrava, no passado, a maturidade de enfrentar, desbravar o perigo da aventura e o risco da liberdade.

Agora, a jovem senhora voou.

Voou sem as asas motoras de uma máquina, mas segurada e amparada pelas asas brancas e firmes de um anjo, que tem como destino alçar um vôo tão alto, que se chega além do infinito azul, onde é recebida por asas maiores ainda. Asas da paz, da tranquilidade, da sabedoria divina. E o abraço, que a acolherá, sairá das asas imensas do Criador, do Pai, do Deus de todos nós.

Voar para sempre. Voar livre, sem amarras, rumo ao firmamento, à procura de um pouso definitivo com Deus, porque seu limite agora é a casa do Pai.

Cenyra, seu primeiro pouso foi aqui, sua família e seus amigos estão aqui. Você, sempre sorrindo, participou de nossas vidas e ficará eternizada em nossos corações, como a Cenyra que soube usar sua alegria e seu carisma, deixando-nos o exemplo de uma pessoa abençoada, diferente, livre, sem fronteiras.

Porém, suas asas ficarão dentro de cada um de nós.

Plane nessa nova casa, neste novo campo e até um dia, querida Cenyra.

Andréa Márcia de Resende Alves Neves
Homenagem prestada durante a missa de 7º dia, na igreja de São Francisco de Assis. 

Fonte: Folha das Vertentes, 08 a 14 de agosto de 2006



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(Acervo: Família Rocha)


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