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1. Cultura São João del-Rei e região

Terra de Livres . Espetáculo Teatral de Rua em São João del-Rei

Texto

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Terra de Livres/vídeo
Tancredo Neves
Tancredo Neves . São João del-Rei celebra centenário

Banco de Imagens: Centenário de Tancredo Neves . 1910-2010


Espetáculo Terra de Livres
Apresentações encerradas . Projeto concluído

Embarque numa viagem com destino ao passado
A história de São João del-Rei ganha vida na estreia do espetáculo Terra de Livres.
A atração tecnológica percorre as ruas da cidade e leva o público a uma viagem ao passado.


Foto: Kiko Neto . Acervo Projeto Terra de Livres


Foto: Acervo Projeto Terra de Livres


Foto: Acervo Projeto Terra de Livres

HISTÓRIA E ARTE NAS RUAS DE SÃO JOÃO DEL REI

Com patrocínio da Usiminas, através do incentivo da Lei Rouanet e apoio da Fiemg e do Governo do Estado de Minas Gerais, a cidade histórica mineira celebra seu passado e seu patrimônio com o espetáculo TERRA DE LIVRES, que percorre suas ruas e mostra suas igrejas sob um novo ângulo.
Está nos livros a desavença entre bandeirantes paulistas e os desbravadores que, no começo do século 18, já haviam descoberto a região das minas brasileiras. A Guerra dos Emboabas é um dos mais importantes episódios da história das Minas Gerais à época de sua intensa colonização e exploração; ilustra com disputas e derramamento de sangue a importância que aquelas terras pontilhadas de ouro adquiriram para o país. Três séculos depois, a disputa está de volta em um dos seus palcos: em São João Del Rei, atores substituem os guerrilheiros em tocaias e tomam as ruas da cidade para encenar a guerra. Desta vez, no entanto, o cenário são os fundos da Igreja Nossa Senhora do Pilar, e bandeirantes e emboabas vestem figurinos inspirados nas estátuas policromadas de Aleijadinho.
No lugar de vencidos e vencedores, a retomada histórica resulta em um espetáculo repleto de história, teatro de rua, música e dança. A guerra dos emboabas é uma das cenas que compõem Terra de Livres, espetáculo idealizado por Marcello Dantas, com narrativa de José Roberto Torero e Marcus Aurelius, e direção de Luiz Fernando Lobo, da Companhia Ensaio Aberto, do Rio de Janeiro, grupo que se dedica a um teatro político e de discussão da realidade. A estreia acontece no dia 27 de março, às 21 horas, nas ruas do centro histórico da cidade mineira.

Terra de Livres reconta a história da região integrando patrimônio histórico com teatro de rua. O espetáculo faz desfilar a importância do ouro na região, a fundação de São João Del Rei e histórias como a da escrava alforriada Maria Viegas, que ordenou que se pagasse em ouro quem comparecesse a seu enterro.
Quem leva o público é um cortejo de tropeiros, maracatu, prostitutas e congada que se revezam no caminho percorrido pela cidade. São acompanhados por uma espécie de carro alegórico, denominado Grizu – em homenagem a um carrinho de procissão de São João Del Rei, dos anos 1930 - idealizado por Dantas e realizado pelos arquitetos Tatiana Durignan e André Wissenbach. Ele dá suporte para as projeções e a iluminação do percurso. “A ideia veio de uma tradição ancestral de Minas Gerais, que são suas procissões, e de uma espécie de carro alegórico ancestral que surgiu no meio das nossas pesquisas”, conta Dantas. “Quis juntar esses dois elementos bem mineiros com um tratamento mais tecnológico, teatral e dinâmico”.
O espetáculo começa na Igreja Nossa Senhora das Mercês, a primeira “estação”, como se chamam os pontos fixos em que se passam as ações, e se encerra na Igreja de São Francisco de Assis. “As cenas foram desenvolvidas a partir das características arquitetônicas e históricas de cada uma das estações”, explica Luiz Fernando Lobo. “Traçamos um trajeto unindo as principais igrejas do centro histórico e, paralelamente, levantamos alguns dos pontos principais sobre o ciclo do ouro que gostaríamos de abordar”, diz.

Nas paradas em cinco igrejas da cidade, os atores se utilizam de projeções, música, dança e circo para narrar a saga da região e os episódios que simbolizam a conquista das diversas liberdades: política, pessoal, espiritual, educacional e econômica. Na cena de abertura, por exemplo, as escadarias da Nossa Senhora das Mercês vão receber mapas projetados da região no século 18. O show começa quando o índio bate com seu cajado no chão depois de subir os degraus, por onde escorrem as águas da primeira cena, “Rio das Mortes”. “Esse tratamento mais tecnológico, teatral e dinâmico valoriza o patrimônio material e imaterial de uma cidade fundamental na nossa história que é São João Del Rei”, Dantas comenta.
Os mais de cem atores e figurantes que fazem o espetáculo são moradores da própria cidade; dentre eles, no núcleo central de Terra de Livres, estão os profissionais oriundos do curso de formação de atores da Companhia Teatral ManiCômicos. Criado em 1998 em São Paulo e transferida em 2005 para a cidade mineira, o grupo foi fundado por Cynthia Botelho, Jean Fábio, Orlando Talarico e Juliano Pereira, que participa da montagem como diretor assistente. “A experiência de troca é rara e muito valiosa para nós”, comenta Juliano, que imagina que o projeto deva impulsionar o turismo na cidade.
Desde dezembro os atores participam de aulas de expressão vocal com a cantora lírica e atriz Agnes Gomes Moço e de expressão corporal com Paula Maracajá. “Eles estão gostando e, para muitos, está sendo uma primeira oportunidade de trabalhar com outros profissionais. Isso é muito importante na formação deles”, Juliano diz.
O figurino ficou por conta de Beth Filipecki e Renaldo Machado, e a direção musical é de Túlio Mourão. “A música do espetáculo é concebida em torno de dois pilares: a música das manifestações populares, como cantos de trabalho de escravo e ritos afros, e a música barroca, que exibe, na região, um riquíssimo acervo de histórias, grupos orquestrais, compositores e peças muito significativas”, detalha Mourão. Algumas composições foram compostas por ele, outras canções conhecidas estão no espetáculo por se ajustarem a situações específicas de cena. Destacam-se as participações do grupo Uakti, da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e de grupos e músicos da região especialmente convidados.

O espetáculo, com duração de 80 min., estreiou no dia 27 de março com apresentações programadas para o ano de 2010 pelo menos uma vez por mês.

Confira as estações de Terra de Livres:
Igreja Nossa Senhora das Mercês – cena Rio das Mortes
Igreja Nossa Senhora do Pilar (fundos) – cena Guerra
Igreja Nossa Senhora do Carmo – cena Arraial Rio das Mortes/ São João Del Rei
Igreja Nossa Senhora do Pilar – cena Maria Viegas
Igreja Nossa Senhora do Rosário – cena Dança dos Negros
Igreja São Francisco – cena Terra de Livres

Entre as estações, público e atores se deslocam em cortejo.
Duração: 80 min.

Patrocínio: Usiminas através do incentivo da Lei Rouanet
Apoio: FIEMG | Governo do Estado de Minas

FICHA TÉCNICA
Concepção e coordenação - Marcello Dantas
Realização - Magnetoscópio
Diretor Artístico - Luiz Fernando Lobo
Diretor Assistente – Juliano Pereira
Roteiro - José Roberto Torero e Marcus Aurelius
Diretor Musical - Túlio Mourão
Diretora de produção - Angela Magdalena
Figurino - Beth Filipecki e Renaldo Machado
Expressão Vocal - Agnes Gomes Moço
Expressão Corporal - Paula Maracajá

BIOGRAFIAS

Marcello Dantas é reconhecido curador de exposições e diretor de documentários desde 1986. Sua atividade é amplamente multidisciplinar: os trabalhos artísticos, a curadoria, direção e produção convergem em áreas diversas, mas norteadas pelo encontro da arte com a tecnologia. Como curador de exposições de arte, destacam-se seus trabalhos com as de Anish Kapoor, Bill Viola, Gary Hill, Jenny Holzer, Shirin Neshat, Laura Vinci, Tunga e Peter Greenaway no Brasil. Entre seus trabalhos nas artes cênicas estão a ópera O Cientista, no Theatro Municipal, o balé Floresta Amazônica de Dalal Achcar e a peça Uma Noite na Lua de João Falcão com Marco Nanini. Dantas foi diretor artístico do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, e acaba de inaugurar o Museu do Caribe, em Barranquilla.

Luiz Fernando Lobo
O diretor Luiz Fernando Lobo tem especial interesse pelo teatro desenvolvido fora das salas tradicionais. Quando começou sua carreira como assistente de direção de João das Neves, montou em 1988 Missa dos Quilombos, espetáculo que percorria o centro da cidade do Rio de Janeiro. Desde então, montou diversos outros que dialogam com o mobiliário urbano, como A Missão, de Heiner Müller, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, em 1993, e Terminal Station, em 2007, no subterrâneo de uma das principais estações de metrô de Londres. Dirige a Companhia Ensaio Aberto desde 1992, quando ela foi criada, no Rio de Janeiro.

Juliano Pereira
Formado em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da USP, Juliano trabalhou com a Troupe de Atmosfera Nômade e em 1998 fundou, com outros colegas, a Companhia Teatral ManiCômicos, da qual já dirigiu diversos espetáculos, como “A Farsa do Cangaço, oxx!!!”, “Kaosu – O Maior espetáculo da Terra” e "Domdeandar". Também já dirigiu peças dos alunos do Curso de Preparação para Atores oferecido pela ManiCômicos em São João Del Rei, para onde o grupo mudou-se em 2005.

Túlio Mourão
De trajetória múltipla na música brasileira, Tulio Mourão é gravado por nomes tão díspares quanto expressivos: Maria Bethânia, Zimbo Trio, Nara Leão, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Oswaldo Montenegro, entre outros. É arranjador, produtor de discos e diretor musical de eventos. Ao final de 2001, assinou a direção e arranjos orquestrados do espetáculo que reuniu as grandes bandas mineiras (Skank, Tianastácia, Jota Quest, 14 Bis) com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Também assina a direção musical do longa O Vestido, do cineasta Paulo Thiago sobre poema de Carlos Drummond de Andrade, e a trilha do audiovisual Peter Lund, a estória de uma vida, de Felipe Camargos.

José Roberto Torero
Formado em jornalismo e letras pela USP, José Roberto Torero é autor de diversos livros, entre eles o premiado Galantes memórias e admiráveis aventuras do virtuoso conselheiro Gomes, o Chalaça (Editora Objetiva), Pequenos Amores (Editora Objetiva) e títulos infanto-juvenis. Com Marcus Aurelius Pimenta, é autor da peça Omelete; além de blogs na internet e colunas em jornais, Torero mantém uma vasta lista de roteiros no cinema. Pequeno Dicionário Amoroso e Pelé Eterno estão entre os longas que roteirizou; na televisão, já fez roteiros de Retrato Falado, programa com Denise Fraga exibido na TV Globo, entre outros.

Marcus Aurelius Pimenta
Marcus Aurelius Pimenta formou-se em jornalismo pela Universidade Metodista e atualmente trabalha como roteirista e escritor. Em parceria com José Roberto Torero, é autor da peça Omelete e dos livros Santos (DBA-Melhoramentos), Os Vermes (Editora Objetiva) eTerra Papagalli (Editora Objetiva). Este último já tem versões na Alemanha e em Portugal. Pimenta também escreve crônicas para o site www.juntos.com.

Companhia Ensaio Aberto
Criada em 1992 no Rio de Janeiro, a Companhia Ensaio Aberto dedica-se a um teatro político, com a proposta de efetivamente trazer o público para o diálogo. Fez sua estreia em 1993 com o espetáculo O Cemitério dos Vivos, de João Batista, no teatro de arena da UFRJ, construído em um pátio interno, a céu aberto. Traz, em seu repertório, espetáculos como Bósnia Bósnia, por ocasião da Guerra da Bósnia; A Mãe, de Bertolt Brecht, Morte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto, e Missa dos Quilombos, de Milton Nascimento, Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra, entre muitos outros.

Companhia Teatral ManiCômicos
Criada em 1998 em São Paulo por seis colegas, a Companhia Teatral ManiCômicos estreou com o espetáculo A Farsa do Cangaço, ôxx!, apresentando-se em ruas, praças, parques, centros comunitários e escolas da capital paulistana. Trabalham buscando uma linguagem popular e dramaturgias próprias, que surgem do processo colaborativo entre diretor e atores. Em 2005, o grupo instala-se em São João Del Rei e torna-se a primeira companhia profissional de teatro da cidade mineira. Implementou o Projeto Arte Por Toda Parte, que oferece oficinas de teatro, formação de arte-educadores, apresentações de espetáculos para as comunidades da região. Também possuem um espaço cultural na cidade e editam uma revista.

Informações à imprensa:
Marcele Rocha . 11. 9417 – 0169 | 11. 3796 – 3718 . marcelerocha21@gmail.com
Virgínia 032 3371 7750

Mais informações:

Terra de Livres atrai novos shows para SJDR
Matéria Gazeta de São João del-Rei . 03/04/2010

Quem foi prestigiar a estreia do espetáculo Terra de Livres, que aconteceu no último sábado, 27, descobriu a força narrativa das ruas históricas de São João, de suas construções coloniais e das fachadas de suas mais representativas igrejas que, somadas a produções cuidadosas, ainda prometem ajudar a contar muita história. O projeto que chegou a ter sua data inicial adiada devido a uma forte chuva, passa a compor o calendário turístico mensal da cidade até o final de 2010. Intercalado a ele, outras iniciativas culturais e turísticas começam a ser desenhadas no município.
Segundo o secretário municipal de Cultura e Turismo, Ralph Justino, dentre as propostas para o incremento do turismo em São João del-Rei está o projeto Sinfonia dos Sinos, em formato semelhante à Vesperata de Diamantina. “Através de uma parceria com o Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier e com a Banda Santa Cecília, 80 músicos deverão realizar uma apresentação acústica com repertório variado composto por música popular brasileira, canções clássicas e samba de raiz. Os shows acontecerão nas sacadas dos casarões do Largo do Rosário”, revelou o secretário.
O espetáculo será aberto com toques dos sinos das igrejas da cidade e o encerramento marcado pela queima de fogos de artifício. “A princípio, nosso objetivo é trazer entre 300 e 400 visitantes por apresentação a partir de uma parceria com uma empresa de turismo de Belo Horizonte. Queremos que as pousadas e hotéis da cidade incluam a programação em seus pacotes, o que atrairá visitantes durante todo o ano”, destacou.
O Sinfonia dos Sinos tem estreia prevista para o dia 5 de junho, feriado de Corpus Christi. Além dele, a retomada do Zona da Música, que teve início no ano passado e é composto por exposições, sarau e apresentações musicais, também está prevista para os próximos meses.

Marco cultural
O propósito de incrementar o turismo em São João teve no Terra de Livres, espetáculo que faz parte das comemorações do centenário de Tancredo Neves, um marco importante. “Em um espetáculo de rua, um milhão de coisas podem dar errado. Quando elas dão certo, é prova de que existe uma mágica que a gente desconhece dentro do teatro, que une o público, os atores e a técnica e fazem as coisas acontecerem”, comemorou um dos idealizadores do Terra de Livres, Marcello Dantas. Dono de um talento que o permitiu criar uma montagem ao mesmo tempo realista e inusitada, Dantas contou que o objetivo é promover uma identificação entre os são-joanenses e a história que os antecedem. “A ideia, de certa forma, é aumentar a autoestima das pessoas dessa terra sobre o valor histórico que foi criado desde a busca pelo ouro, até a luta pela liberdade que está em Tiradentes, em Tancredo, nos escravos. A gente queria alguma coisa que celebrasse essa tradição libertária”, explicou.
Música, dança, teatro e canto se unem a um show de iluminação, efeitos especiais e projeções que ainda prometem arrastar muitos turistas e são-joanenses pelas ruas do centro histórico. A próxima exibição do espetáculo, que tem direção artística de Luiz Fernando Lobo, deve acontecer ainda no mês de abril.

Estreia do espetáculo: 27 de março de 2010 . São João Del Rei - MG

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O espetáculo mistura música, teatro e dança e terá início em frente à Igreja de Nossa Senhora das Mercês com a participação de artistas locais, diversos grupos teatrais e até de congado. Terra de Livres reconta fatos integrando patrimônio histórico com teatro de rua e faz desfilar a importância do ouro na região, abordando a fundação de São João del-Rei e histórias como a da escrava alforriada Maria Viegas, que ordenou que se pagasse em ouro quem comparecesse ao seu enterro.
Encantando as ruas históricas da cidade desde março deste ano, Terra de Livres integrou a programação das solenidades dedicadas ao centenário de nascimento de Tancredo Neves e os integrantes realizam uma apresentação mensal no município. O diretor assistente do espetáculo, Juliano Pereira, comemora o sucesso do evento que tem atraído muitos turistas para São João del-Rei. “Percebo a interação do público que a cada apresentação se envolve mais dançando e cantando com os atores”, disse.
Pereira também explicou o porquê da mudança do horário já que normalmente as apresentações ocorrem após às 21h. “O nosso espetáculo é à noite e o horário se adapta de acordo com o mês porque respeitamos os horários das celebrações religiosas das igrejas por onde percorremos. A ideia de fazermos neste horário foi devido ao mês de julho ter dias mais curtos. Às 17h30, já está escurecendo e como está no princípio da noite é uma oportunidade para as crianças e idosos poderem participar”, comemorou.
Terra de Livres possui seis estações e entre uma e outra, artistas realizam um cortejo. Nas estações são representadas cenas de momentos especiais para o surgimento e desenvolvimento de São João del-Rei. Já a lógica dos cortejos busca incorporar algumas manifestações culturais e tradicionais locais como o congado e o maracatu. O espetáculo ainda possui o Grizu, um carro alegórico criado especialmente para as apresentações, que garante a iluminação, os efeitos especiais e as projeções que surpreendem os espectadores.

Fonte: Gazeta de São João del-Rei . 03/07/2010

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São João del-Rei: Terra de Livres

O espetáculo Terra de Livres, que inclui em seu elenco artistas locais, faz suas últimas apresentações nos próximos meses. Sábado, 6 de novembro, às 21h, acontece a penúltima apresentação do grupo.  A data da última encenação ainda não foi marcada, mas deve acontecer no feriado de 8 de dezembro, aniversário da cidade.
A cultura em São João del-Rei é manifestada de forma pungente. Eleita a segunda Capital Brasileira da Cultura, no ano de 2007, a cidade já teve dias de glória. Com o intuito de resgatar essa característica local, agora fragmentada, o curador e documentarista Marcello Dantas desenvolveu o espetáculo cênico-musical Terra de Livres, que narra a história de São João del-Rei, percorrendo o centro histórico.
Marcello diz que “desde os tempos remotos, o que impera nestas terras é a busca pela liberdade”. Explorando esse lado libertário, o diretor criou um espetáculo lúdico e histórico, encantando turistas e moradores.
Frederico Nogueira Vilaça conta que ficou impressionado com o espetáculo. Segundo o estudante de 26 anos, a narrativa consegue envolver o público, remetendo à épocas dos acontecimentos. "Fiquei encantado com o que vi. Tanto que voltei outras duas vezes, com meus pais e amigos, ao longo desse ano. Há uma riqueza de detalhes, uma construção muito envolvente que consegue nos levar para o período em que São João era uma cidade muito rica, cheia de cultura e com um ideal de liberdade." Para ele, contar essa história a um grande público preserva a identidade da cidade de São João del-Rei, fazendo com que seus hábitantes valorizem cada detalhe dessa cidade histórica."Contar as lutas dos escravos, as buscas gananciosas pelo ouro para esse público imenso, que sempre comparece, faz com que valorizemos a história da cidade. Não sou daqui, vim pelo Universidade e poder assistir esse espetáculo que narra a bonita e sofrida trajetória de São João del-Rei me engrandeceu muito." Frederico diz que saiu da apresentação mais interessado em história e cultura, coisas que, segundo ele, não faziam parte do seu mundo: " Vou sair daqui levando uma bagagem que eu não tinha. Nunca pensei que assistir um espetáculo, passeando pelas ruas da cidade, me trouxesse conhecimento; um conhecimento que eu não tinha. Com certeza virei à última apresentação, que deverá ser ainda mais marcante."
A guerra dos emboabas, episódio considerado marco fundador do estado e que teve como palco terras são-joanenses, é uma das cenas que compõem Terra de Livres, espetáculo com narrativa de José Roberto Torero e Marcus Aurelius, e direção de Luiz Fernando Lobo, da Companhia Ensaio Aberto.
No lugar de vencidos e vencedores, a retomada histórica resulta em um espetáculo repleto de história, teatro de rua, música e dança mostrando o patrimônio local sob uma nova perspectiva. A cada ponto turístico, uma cena é apresentada, fazendo do percurso noturno um passeio a séculos distantes.
Os mais de cem atores e figurantes que participam do espetáculo são moradores de São João, dentre eles, no núcleo central de Terra de Livres, estão os profissionais oriundos do curso de formação de atores da Companhia Teatral ManiCômicos.
Criado em 1998 em São Paulo e transferida em 2005 para a cidade mineira, o grupo foi fundado por Cynthia Botelho, Jean Fábio, Orlando Talarico e Juliano Pereira, que participa da montagem como diretor assistente. “A experiência de troca é rara e muito valiosa para nós”, comenta Juliano, que imagina que o projeto deva impulsionar o turismo na cidade.
O espetáculo conta ainda com grupos de maracatu e congada da região, que se encarregam de embalar o cortejo com seus tambores. Há ainda a participação do músico Maurício Tzumba, que narra as histórias da Comarca do Rio das Mortes, atual São João del-Rei.
O espetáculo ocorreu todos os meses de 2010, sempre aos sábados às 21h com início na Igreja das Mercês. Para quem ainda não prestigiou essa fábula de rua, que surpreende pelo enredo simples que consegue transitar, muito bem, entre a realidade e a fantasia, aproveite que essas são as duas últimas apresentações! Vale a pena conferir.

Texto de Luis Gustavo Santos
Publicado no Observatório da Cultura . 03 de novembro de 2010

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Calendário das apresentações:
27 de março de 2010
24 de abril de 2010
29 de maio de 2010
12 de junho de 2010
03 de julho de 2010
21 de agosto de 2010
04 de setembro de 2010
09 de outubro de 2010
06 de novembro de 2010
11 de dezembro de 2010
29 de janeiro de 2011
05 de fevereiro de 2011

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Sobre Marcello Dantas

Marcello Dantas é reconhecido designer e curador de exposições e diretor de documentários desde 1986. Formado em Cinema e Televisão pela New York University, e pós-graduado em Telecomunicações Interativas pela mesma universidade. Estudou História da Arte e Teoria de Cinema em Florença na Itália e Relações Internacionais e Diplomacia em Brasília.
No seu currículo incluem-se prêmios de melhor documentário na Bienalle Internationale du Film Sur L'Art do Centro Georges Pompidou em Paris, no FestRio, no International Film & TV Festival of New York e o prestigioso ID Design Award da Business Week.
Entre os seus trabalhos de curadoria de arte destacam as de Bill Viola, Gary Hill, Jenny Holzer, Shirin Neshat, Laura Vinci, Tunga, Peter Greenaway, Ângelo Venosa, Arthur Omar e Anish Kapoor. Nas artes cênicas, Ópera Mundi no Maracanã, o balé Floresta Amazônica de Dalal Achcar e a peça Uma Noite na Lua de João Falcão com Marco Nanini, Como Chegamos Aqui a Historia do Brasil Segundo Ernesto Varela e a opera O Cientista. Em 2006, Dantas inaugurou o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo como diretor artístico.

Fonte: Agência Minas . julho 2013

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