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Lutheria da UFSJ-Universidade Federal de São João del-Rei restaura instrumento centenário

Texto

"Foi muito trabalhoso, mas gratificante': As palavras do luthier da Universidade Federal de São João dei-Rei, Luiz Fernando Machado, expressam os oito anos de cuidadoso trabalho na restauração de um
contra baixo da Orquestra Lira São-Joanense.
Guardado no sótão da sede por cerca de vinte anos, o instrumento foi levado para a lutheria da UFSJ em 1989 e, pelas mãos de Luiz Fernando, obteve novamente sua funcionalidade junto à orquestra bicentenária.
Registros da Lira mostram que o contra baixo é datado de 1842, fabricado por Paul Claude Micariord, de nacionalidade desconhecida.
Em 1894, ele foi restaurado pela primeira vez, por um luthier que fixou apenas as iniciais LJ.E. no instrumento, das quais também não se tem conhecimento. O luthier ressalta que, pelos arquivos da Lira, o contrabaixo restaurado "é um dos mais antigos instrumentos da região”.
Luiz Fernando, formado na segunda turma da escola Oficina de Lutheria, sendo aluno do também confeccionador de instrumentos musicais José João do Nascimento, falecido em 2001. No trabalho de reparação, Carvalho conta que recebeu o apoio do luthier Fernando Cardoso, de seu mestre de violino Joaquim Santos e de um alemão que visitou a cidade para conhecer a oficina, do qual não recorda o nome.
O instrumento foi entregue em janeiro passado à Orquestra e em breve comporá novamente o conjunto. Segundo o maestro Aluízio Viegas, será feito "apenas um novo encordoamento e colocado um suporte de borracha para sustentação'; afirma. O luthier Luiz Fernando destacou, ainda, a qualidade e o som do instrumento. "É um instrumento artesanal, com uma ótima qualidade de som.
Sua restauração é um ganho para a Lira e uma honra para a luteria”, frisou.

Lutheria
O ofício de luthier perpassa a história da música por ser responsável pela fabricação e reparação de instrumentos , musicais de corda, dotados de caixa de ressonância.
A palavra luthier é francesa, derivada de luth, que significa alaúde. Sua performance também engloba a prática do aprendizado, na qual o especialista torna-se professor e busca a promoção de classes
de reparação, difundindo assim essa arte milenar ao longo das gerações.
A Oficina de Lutheria da UFSJ foi fundada em 1990, sendo a primeira da América Latina. Sua criação se consolidou a partir do projeto do luthier Roberto Gomes, apoiado pelo então diretor executivo da Funrei, João Bosco de Castro Teixeira. Na época, a Oficina foi constituída com recursos do Ministério da Cultura, por meio de emenda do Aécio Neves.
Diretor para Assuntos Comunitários da Funrei na década de 90, o professor Guilherme Jorge de Rezende (Delac) lembra da repercussão que a Oficina teve na mídia nacional, conquistando espaços nobres no Fantástico é no Jornal do Brasil. "A novidade se devia justamente ao fato de ser uma escola de formação de luthiers. A primeira turma contava com oito alunos, ligados às orquestras e ao Conservatório de Música José Maria Neves”, conta Rezende.
Entre as peças já restauradas pela Oficina, estão instrumentos de orquestras universitárias de São João dei-Rei e de Minas Gerais.
"Foi um elo fundamental para intercâmbio com outros centros de lutheria, como Tatuí, em São Paulo, e até mesmo na Itália”, destaca Guilherme. Um dos mais famosos instrumentos restaurados foi uma harpa pertencente ao colecionador Curt Lanqe, que está sob a guarda da UFMG.
Um dos alunos formados por José João do Nascimento, hoje luthier Rubens Gomes, fundou a Oficina Escola de Lutheira da Amazônia (OELA), apoiada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF. Em Manaus (AM), ele atua na confecção de instrumentos a partir da madeira da floresta amazônica, num trabalho integrado por adolescentes e jovens.
Numa breve referência à Lutheria, o projeto pedagógico do curso de Música da UFSJ atribui à oficina função muito maior do que a reparação. "O ofício de luthier não deve ser visto apenas como um simples ato de restaurar ou confeccionar instrumentos e, sim, como uma arte de produzir uma
fábrica de som:'

Fonte: Jornal de Minas, 25 de fevereiro a três de março de 2011

 

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