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Agenda Cultural

Homenagem a Minas marca inauguração da Cidade Administrativa

Data

04/03/2010

Cidade

Belo Horizonte

Local

Cidade Administrativa

Descrição

Homenagens à história política de Minas marcam inauguração da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves
Governador Aécio Neves destacou trajetória política do ex-presidente Tancredo, que batiza a nova sede do Governo de Minas, em Belo Horizonte
Vice-presidente José Alencar, governadores de Estado, ministros e personalidades políticas e culturais de todo o País prestigiaram a solenidade

O governador Aécio Neves inaugurou, nesta quinta-feira (04/03), a Cidade Administrativa Tancredo Neves, nova sede do Governo de Minas, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Inspirado pela trajetória do ex-presidente, que neste dia completaria cem anos de vida, e por outros mineiros históricos, Aécio Neves destacou, ao se dirigir aos convidados, ministros, governadores e ao vice-presidente República, José Alencar, que a importância política de Minas Gerais é referência na história do Brasil.
“Por mais importante que seja essa grandiosa Cidade Administrativa, gestada na prancheta mágica e poética do mais importante arquiteto da nossa história, Oscar Niemeyer, que neste ato entregamos a Minas Gerais, tenho convicção que a força que foi capaz de trazer a Minas tão importantes personalidades, foi outra. Sei que, ao virem até aqui, hoje, os senhores atendem ao chamado da história. Sabem que o tempo da história não é o passado. Não é o presente. O tempo da história é sempre. É ela que nos dá a referência fundamental do que fomos, alimenta o que somos e forja aquilo que poderemos vir a ser. E todos os dias são dias de história na vida de uma nação”, afirmou o governador, em seu pronunciamento.
Cerca de 8 mil pessoas participaram da inauguração da nova sede do Governo de Minas, que abrigará secretarias e órgãos estaduais das administrações direta e indireta. Entre elas, personalidades políticas de todo o País, como os governadores de São Paulo, José Serra, do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, de Alagoas, Teotônio Vilela, do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius e de Santa Catarina, Luiz Henrique; o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, ex-presidente Itamar Franco; o ministro das Comunicações, Hélio Costa; deputados federais, como Ciro Gomes; senadores, como Agripino Maia, Eduardo Azeredo e Eliseu Resende; prefeitos de capitais, como de Curitiba, Beto Richa, e de Belo Horizonte, Marcio Lacerda; os ex-governadores de Minas Francelino Pereira e Rondon Pacheco, além do vice-governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia.

História política brasileira
Ao falar da história de Tancredo Neves, o governador Aécio Neves lembrou que o ex-presidente participou momentos fundamentais da história contemporânea da história brasileira. Ele salientou o caráter conciliador de Tancredo e sua coragem para o enfrentamento político.
“Tancredo era um autêntico conciliador, mas jamais lhe faltou, em qualquer momento da história, coragem política. Permaneceu ao lado do presidente Vargas e das forças constitucionais. Dirigiu-se publicamente à Nação pedindo que fosse garantida a ordem constitucional e a posse do vice-presidente, quando da renúncia de Jânio Quadros. Articulou a implantação do sistema parlamentarista como forma de garantir o essencial: a chegada do presidente João Goulart ao governo”, lembrou Aécio Neves, destacando em seguida a trajetória de Tancredo na resistência contra a ditadura militar e a luta pela redemocratização, que culminou com sua eleição para a presidência da República no Colégio Eleitoral em 1985.
“Durante a ditadura, com toda a sua trajetória, articula incansavelmente. Procura brechas, tateia saídas no escuro. Mais uma vez, tece diálogos, constrói pontes e abre caminhos. Anos depois, naquele momento histórico, foi às ruas com a Campanha das Diretas. Nela, ganhou o coração do país, ao lado de gigantes como Ulysses, Montoro e Teotônio. Sabia que a hora era aquela. Na verdade, sabiam eles. Sentia que o país estava maduro para fazer a sua travessia, ainda que o sonho das eleições diretas não se consumasse no primeiro momento. O importante era fazer a travessia”, disse Aécio Neves.

Gestão Pública
Ao inaugurar a Cidade Administrativa, o governador Aécio Neves também lembrou da sua trajetória política à frente do Governo de Minas nos últimos sete anos, em que a boa gestão pública foi o referencial.
“Ao final desse extenso ciclo, os resultados aí estão, em todos os campos. E todos eles nos remetem a um princípio, a uma escolha, a uma determinação: a qualidade da gestão pública. Acredito que esta obra grandiosa que inauguramos hoje é um marco simbólico da boa governança, que significa transparência, eficiência e resultado”, destacou.
A Cidade Administrativa reunirá todo conjunto de servidores das administrações direta e indireta do Estado. São 16.300 funcionários atuando em 18 secretarias e 25 órgãos públicos e que serão transferidos gradualmente até outubro. Atualmente, 1.800 servidores já trabalham na Cidade Administrativa.
O novo complexo é formado pelo o Palácio Tiradentes – nova sede do Governo de Minas - e pelos edifícios Minas e Gerais, que passam a abrigar as secretarias e órgãos. Possui ainda o auditório JK com capacidade para 510 pessoas e um centro de convivência com restaurantes, lojas e serviços para atender às necessidades dos servidores.

Eficiência e planejamento
A integração das secretarias e órgãos na Cidade Administrativa permitirá ao Estado uma economia de R$ 92 milhões por ano e garantirá maior agilidade e melhor qualidade na prestação dos serviços públicos.
Localizada às margens da Linha Verde, na rodovia MG 010, ela também garante Belo Horizonte um novo traçado, com a promoção do desenvolvimento do vetor norte da capital.
A nova sede do Governo de Minas também vai garantir maior qualidade para os servidores públicos no trabalho. Pela primeira vez na história, todos servidores terão as mesmas condições de trabalho, cada um com a sua estação equipada com computador, mesa, gavetas e armários, além de acesso à internet.


Inauguração da Cidade Administrativa reúne cerca de 8 mil pessoas e faz reverência a operários e ao povo de Minas Gerais

Aécio Neves se emociona ao ser presenteado com capacete autografado por operários que participaram da construção da nova sede do Governo de Minas
 
Uma festa emocionante marcou a inauguração da Cidade Administrativa Tancredo Neves, nesta quinta-feira (04/03), em Belo Horizonte. A nova sede do Governo de Minas, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, ganhou as cores vermelho e branco para simbolizar a homenagem a Minas e aos mineiros.
 O imponente Edifício Tiradentes, o maior vão suspenso do mundo com 147 metros de comprimento, se transformou em um grande auditório. A cerimônia celebrou os 100 anos de nascimento do ex-presidente Tancredo Neves e prestou homenagem também ao ex-presidente Juscelino Kubitschek e a cerca de  11 mil trabalhadores que participaram da construção da Cidade Administrativa, iniciada há 27 meses. 
 Apresentações culturais, música, vídeos e homenagens emocionaram as cerca de oito mil pessoas presentes. A solenidade, apresentada pela atriz Christiane Torloni, teve início na Praça Cívica, localizada em frente ao Edifício Tiradentes. Representantes de cada um dos 853 municípios mineiros posicionaram as bandeiras oficiais de suas cidades no gramado ao lado da alameda de palmeiras.
 O governador Aécio Neves, acompanhado do vice-presidente, José Alencar, do ex-presidente Itamar Franco, e de governadores de estado, ministros e parlamentares, desceu a rampa do parlatório e saudou os convidados no auditório montado sob o vão livre.
 Na Praça Cívica, uma grande instalação com 4,5 mil capacetes nas cores vermelho e branco formavam a bandeira de Minas. Criada pelo cenógrafo André Cortez, a instalação homenageava cada um dos operários que trabalharam na construção da Cidade Administrativa.
 “Toda a instalação e coreografia dialogam com o estilo modernista de Niemeyer, principalmente, no que diz respeito às repetições e ao coletivo. O impacto está para quem vê de perto e para quem assiste de longe”, disse Cortez. 
 Cerca de 500 integrantes do programa de inclusão artística, Valores de Minas, vestidos de operários, fizeram uma apresentação ao som da música “Peixe Vivo”, cantado pela cantora Dona Jandira, acompanhada pela Jazz Band, da Fundação Clóvis Salgado. Em pequenos grupos, eles retiraram os capacetes que estavam no chão que revelavam nomes de personalidades mineiras, como Guimarães Rosa e, também, anônimos.
Após a apresentação do Valores de Minas, o Hino Nacional foi interpretado pela cantora Fafá de Belém da rampa do auditório que leva o nome do ex-presidente Juscelino Kubitschek.
 
Surpresas e emoção
Durante a solenidade oficial, o operário Airton Teixeira, que trabalhou na obra da Cidade Administrativa do primeiro ao último dia, emocionou o governador Aécio Neves ao surpreendê-lo. Ele lhe entregou um capacete autografado por vários outros trabalhadores.
 O público também se emocionou, em seguida, com a apresentação de um
vídeo em homenagem ao centenário do ex-presidente Tancredo Neves.  O cantor Milton Nascimento também interpretou a música “Coração de Estudante”, símbolo das “Diretas Já”. A cerimônia foi encerrada pelos discursos do governador Aécio Neves e do vice-presidente José de Alencar.
 
Importância da obra
As homenagens ao centenário de Tancredo Neves foram os pontos altos da cerimônia de inauguração. A participação da atriz Christiane Torloni, da cantora Fafá de Belém e do cantor Milton Nascimento, segundo o diretor artístico do evento, Carlos Gradin, teve uma simbologia histórica. “Eles são representantes importantes das Diretas Já”, explicou.
 Além da passagem pelo centenário de Tancredo Neves, a grande inspiração para a realização do evento foi o agradecimento ao arquiteto Oscar Niemeyer e aos trabalhadores da obra. “Atendemos ao pedido do governador Aécio Neves de agradecer às pessoas fundamentais à realização da obra”, completou. Ele explicou que toda a concepção do espetáculo se primou por não interferir na grandiosidade da arquitetura de Niemeyer.
 
Niemeyer
O neto de Niemeyer, Carlos Oscar Niemeyer, representou o avô na cerimônia. Segundo ele, o arquiteto estava muito feliz e animado com a concretização do projeto em tão curto tempo.
“Ele não viaja de avião e seria muito difícil para ele vir de carro. O que eu posso dizer é que ele está feliz e fascinado com a obra. Hoje Minas, Rio de Janeiro e Brasília concentram a maior parte de suas obras”, disse.
A atriz Christiane Torloni, ao final do evento, falou sobre a relevância da Cidade Administrativa. Ela afirmou ter ficado emocionada por mais uma vez participar de um momento histórico em Minas.
 “É uma grande marca de gestão não só para Minas, mas para o Brasil. Essa questão de observar o funcionalismo público de uma maneira tão direta e transparente, dá um exemplo que o Brasil precisa”, afirmou a atriz.
 O cantor Milton Nascimento disse ter ficado emocionado com o convite. “A participação do Aécio no Governo de Minas é uma coisa muito forte, verdadeira e esses prédios aqui construídos pelo Niemeyer, não têm muito o que ser dito.  Ele é o ápice, o máximo. Vim com o maior prazer a essa inauguração e estamos todos felizes”, afirmou.


Homenagem a Minas marca  inauguração da Cidade Administrativa

Presidentes JK e Tancredo Neves e mineiros que fizeram parte da história do Estado serão reverenciados. Os 853 municípios mineiros estarão representados.

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, inaugura, nesta quinta-feira (04/03), a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves. A solenidade acontecerá na praça cívica da Cidade Administrativa, localizada às margens da MG 010, a partir das 11 horas, e será marcada por homenagens aos presidentes Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves, e a mineiros que fizeram parte da história do Estado.
A inauguração ocorre na data comemorativa dos 100 de anos de nascimento de Tancredo Neves. Estarão presentes governadores de vários estados, deputados federais e estaduais de Minas, o vice-presidente da República José Alencar e os ex-presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, além dos presidentes do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e do Superior Tribunal de Justiça, Francisco. Os servidores estaduais e os operários das obras do complexo serão representados por um grupo de trabalhadores convidados.
A solenidade na praça cívica será aberta pelo governador Aécio Neves e terá a participação de um representante de cada um dos 853 municípios mineiros. Será realizado também um ato simbólico em reverência a personalidades de diversas áreas e a cidadãos que participaram de diferentes momentos históricos de Minas.
O auditório principal da Cidade Administrativa tem o nome do Juscelino Kubistchek. Localizado ao lado do Palácio Tiradentes, a edificação tem inscrita na entrada a frase do ex-presidente: “Creio na vitória final e inexorável do Brasil como nação”. No parlatório localizado em frente à nova sede do governo do Estado, está inscrita a frase do ex-presidente Tancredo Neves: “O primeiro compromisso de Minas é com a liberdade”.
Em seguida à abertura, a solenidade oficial ocorrerá sob o vão livre do edifício Tiradentes. Trata-se do maior prédio suspenso do mundo com 147 metros de comprimento e 26 metros de largura. No local, o público presente assistirá ao pronunciamento do governador Aécio Neves.

16.300 servidores integrados
A Cidade Administrativa foi construída para abrigar 16.300 servidores da administração direta e indireta do Estado. Eles passam a trabalhar integrados nos prédios Minas e Gerais. Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o complexo possui modernos equipamentos de trabalho e avançados sistemas para comunicação e transmissão de dados. Um total de 15.500 (95%) dos servidores passam a trabalhar em estações próprias de trabalho e integrados por internet e intranet.
A centralização da administração gerará uma economia de R$ 92 milhões por ano. As secretarias e órgãos funcionavam em 53 endereços diferentes de Belo Horizonte. A partir de agora, não ocorrerão mais despesas com o pagamento de aluguéis, transporte de pessoas e documentos, manutenção e reforma de prédios e telefonia. Todas as ligações telefônicas realizadas no complexo são por ramais internos, sem cobrança de impulso.
O Palácio Tiradentes abrigará a Governadoria, onde está instalado o gabinete do governador do Estado, a Vice-Governadoria e o Gabinete Militar. Um centro de convivência é equipado com restaurantes e serviços necessários aos servidores.

Acesso pela MG 010
Por medidas de segurança, o acesso à Cidade Administrativa será feito exclusivamente pela entrada da rodovia MG-010, sentido bairro Serra Verde-Centro. A entrada da avenida José Maria Alkmim estará interditada. Ao chegar na Cidade Administrativa, os convidados serão encaminhados ao estacionamento do complexo, onde deverão apresentar os convites.

Expediente
Na quinta-feira, os servidores públicos iniciarão o expediente às 14 horas. As linhas de ônibus que dão acesso à Cidade Administrativa funcionarão normalmente. A linha que opera a partir da estação Vilarinho do metrô será interrompida no período da manhã e volta a funcionar às 13h30.

Pronunciamento do Governador Aécio Neves na Inauguração da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves

Talvez esta seja a última oportunidade em que dirijo-me pessoalmente a muitos de vocês, na condição de Governador de Minas.
Por isso, não poderia deixar de iniciar minhas palavras sem dizer do lugar mais profundo de minha alma:
Muito Obrigado!
Pelo apoio.
Pela compreensão.
Pela extraordinária confiança que depositaram em nosso trabalho ao longo destes anos!
Se, para mim, tem sido uma honra governar Minas por todo esse tempo, devo reconhecer que também tem sido um privilégio caminhar ao lado de cada um de vocês.
Confesso, sem qualquer constrangimento:
Este tem sido um período de permanentes e grandes emoções.
Ao caminhar por Minas, como tenho caminhado;
Ao abraçar os mineiros, como tenho abraçado;
Ao entregar cada obra à população, como compromisso cumprido... Me sinto tocado pelo forte sentimento de solidariedade da nossa gente.
E essa solidariedade:
Me conforta o cansaço.
Me fortalece.
Reacende o meu ânimo.
E faz tudo valer a pena.
E, digo a vocês, sem titubear um só instante:
Tudo está valendo muito a pena!
E eu tenho o privilégio, por que nessa companhia, entre tantas e tantos amigos, tenho pessoas muito caras a quem cito o semblante neste momento: minha mãe Inês Maria e minha filha Gabriela.
Mas além desta hora de despedida, soma-se outra, e é dela que falaremos agora: da celebração!
Por isso, para nós, mineiros, por muitos motivos, esta é uma data histórica.
4 de março é uma data de Minas.
E, também por isso, nos sentimos especialmente honrados em receber, aqui, hoje, líderes do Brasil inteiro que, na responsabilidade de suas grandes tarefas, têm inspirado tantos brasileiros na construção do País que queremos.
Governadores de Estado que aqui nominei, companheiros leais nesta jornada que ocupam os mais diversos postos de responsabilidade na República;
Prefeitos, e eles uma saudação muito especial, das 853 cidades de Minas Gerais que aqui estão presentes trazendo o seu apoio e a sua solidariedade. Prefeitos de algumas das nossas mais importantes capitais do Brasil. Lideranças políticas de todas as tendências ideológicas, de todas as filiações partidárias que se somam hoje ao mesmo coro a favor de Minas Gerais.
Aqui estão presentes as mais altas autoridades do Judiciário Nacional – o Presidente do Superior Tribunal de Justiça, Francisco César da Rocha, e o presidente Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, além de muitos conterrâneos e muitos magistrados de Minas das mais altas cortes do país que aqui estão.
Portanto, por mais imponente que seja essa Cidade Administrativa, gestada na prancheta mágica e poética do mais importante arquiteto da nossa história, Oscar Niemayer, que neste ato estamos todos entregando a Minas Gerais, tenho convicção que a força que foi capaz de trazer a Minas tão importantes personalidades, foi outra.
Sei que, ao virem até aqui, hoje, os senhores atendem ao chamado da História.
Sabem, cada um dos senhores, que o tempo da História não é o passado.
Não é o presente.
O tempo da história é sempre.
É ela que nos dá a referência fundamental do que fomos, alimenta o que somos e forja aquilo que poderemos vir a ser.
E todos os dias são dias de História na vida de uma nação.
Ao virem aqui hoje, ao manifestarem o seu apreço e respeito pela memória do Presidente Tancredo Neves no seu centenário, os senhores estão dizendo na verdade
à Tancredo
à Ulisses
à Montoro e Covas
à Teotônio
e à tantos que vieram antes:
Nós não nos esquecemos.
Nós não vamos jamais nos esquecer de vocês.
Se ainda estivesse entre nós, o Presidente Tancredo Neves faria, neste 4 de março, 100 anos.
Passadas duas décadas e meia de sua morte, podemos vê-lo, em toda sua dimensão de homem de Estado.
Dos setenta e cinco anos que viveu, mais de cinquenta ele os dedicou ao serviço de Minas e do Brasil. E Belo Horizonte, esta Belo Horizonte foi a sua segunda cidade.
Aqui viveu o fim da adolescência e as descobertas da juventude, como estudante de Direito e jornalista.
Aqui construiu sua vida pública.
Aqui tantas vezes sonhou o Brasil.
Senhoras e senhores, caríssimo dom Walmor que abençoa esta solenidade,
Essa inauguração é uma festa de Minas.
Ao homenagear Tancredo, lembramos as gerações sucessivas de mineiros, nascidos sob as brumas que sobem dos vales e descem as encostas ou sob o calor dos dias ensolarados.
Rememoramos os Emboabas, não só em seus chefes, mas os combatentes anônimos que, pela primeira vez, lá atrás, tombaram em defesa de nossos brios e de nossa liberdade.
Da mesma maneira temos a evocar Felipe dos Santos e Pascoal da Silva Guimarães, os precursores, em 1720, da Inconfidência que viria quase 70 anos depois.
Cultuemos Joaquim José, o Tiradentes, nascido sob a sombra das mesmas serras em que nasceu Tancredo, e, com ele, todos os mineiros conspiradores de 1789.
Eram esses mineiros vendeiros das estradas, escravos alforriados, garimpeiros, brancos sem terras e sem trabalho, que haviam ouvido o Alferes, e em cujos olhos brilharam as mesmas cores da esperança.
As mesmas cores da esperança que através dos séculos vemos brilhar nos olhos de outros mineiros.
Sendo de Tancredo, esta sede do governo de Minas é também dos homens de Estado que conduziram o nosso povo ao longo de três séculos de história política.
Permito-me citar apenas os que já se encontram ao abrigo da Eternidade, como Bernardo Vasconcelos e Teófilo Ottoni; Honório Hermeto Carneiro de Leão e José Feliciano Pinto Coelho; Affonso Pena e João Pinheiro; Venceslau Braz, Bueno Brandão, Artur Bernardes, Raul Soares, Antônio Carlos, Olegário, Capanema, Benedicto Valadares, Milton Campos, Juscelino, Bias Fortes, Israel Pinheiro e Aureliano Chaves.
Apesar de quase sempre dele lembrarmos na lida do ofício daquela que foi a sua última e grandiosa tarefa, a redemocratização nacional, Tancredo esteve no centro de todas as grandes decisões políticas do Brasil contemporâneo.
Reafirmo aqui, senhor presidente José Alencar, as palavras que proferi ainda ontem na presença de tantos amigos, em especial do presidente Michel Temer e do governador José Serra no Congresso Nacional, na sessão solene em homenagem ao presidente Tancredo, requerida pelo senador e ex-governador de Minas, Eduardo Azeredo, e pelo deputado Rafael Guerra, esses dois grandes nomes de Minas.
Tancredo era um autêntico conciliador, mas jamais lhe faltou, em qualquer momento da história, coragem política.
Permaneceu ao lado do presidente Vargas e das forças constitucionais.
Dirigiu-se publicamente à Nação pedindo que fosse garantida a ordem constitucional e a posse do vice-presidente, quando da renúncia de Jânio Quadros.
Articulou a implantação do sistema parlamentarista como forma de garantir o essencial: a chegada do presidente João Goulart ao governo.
64 o encontrou como líder da maioria e do governo que caia, na Câmara dos deputados.
Ele foi uma das vozes da consciência indignada da Nação no plenário do Congresso, quando foi decretada vaga a Presidência da Republica com o presidente Goulart ainda em solo brasileiro.
Enfrentou soldados para se despedir do seu presidente.
Único deputado do PSD de Minas a se abster de votar no Marechal Castelo Branco, acompanhou o presidente Juscelino em seus depoimentos às autoridades militares, ultrajantes depoimentos, na dramática hora do seu embarque ao exílio.
Nestes dias buscava com minha irmã Andrea algumas cartas do presidente Tancredo, já que vários veículos da imprensa nacional lembravam sua passagem pela vida, e me deparei com uma de próprio punho de Juscelino logo que chegara do seu exílio europeu.
“Me lembro que a sua foi a última mão que apertei antes de deixar o Brasil!”, disse Juscelino.
E quase numa premonição continuou o presidente: “estou certo de que a democracia voltará a florescer nestas terras, porque sobraram no Brasil homens como você.”

Ele enterra, com seu brio e sua lealdade, todas as conveniências do momento e volta a São Borja para honrar o sepultamento do presidente Goulart.
Peço licença aos senhores para relembrar neste momento o aparte do qual fui testemunha ocular, feito com enorme emoção e a sinceridade que o Brasil conhece do ilustre Senador Pedro Simon, esse grande brasileiro, naquela sessão histórica, em que Tancredo se despedia do Senado para assumir o Governo de Minas.
Naquele dia, o senador Simon disse:
...”se admiramos Minas Gerais, nós, do Rio Grande do Sul, temos um carinho muito especial por V. Excelência, porque os grandes vultos do Rio Grande do Sul que pelo voto chegaram à Presidência da República, Getúlio Vargas e João Goulart, tiveram nos momentos mais dramáticos e mais difíceis de suas existências a sua presença, a sua colaboração, a sua solidariedade.
E continua:
Ministro de Vargas, que honrou e dignificou o mandato, mas, principalmente, na hora dramática, quando muitos o abandonaram, foi praticamente em seus braços que o presidente Vargas deu a última palavra a este País.
E com o presidente João Goulart, na hora difícil, na hora dramática foi exatamente V. Ex.ª o mais corajoso ao seu lado...
Esse era Tancredo, que vossa excelência conheceu tão bem, senador Pedro Simon.
Durante a ditadura, com toda a sua trajetória, articula incansavelmente. Procura brechas, tateia saídas no escuro.
Mais uma vez, tece diálogos, constrói pontes e abre caminhos.
Anos depois, naquele momento histórico, foi às ruas com a Campanha das Diretas.
Nela, ganhou o coração do país, ao lado de gigantes como Ulysses, Montoro e Teotônio.
Sabia que a hora era aquela. Na verdade, sabiam eles.
Sentia que o país estava maduro para fazer a sua travessia, ainda que o sonho das eleições diretas não se consumasse no primeiro momento.
O importante era fazer a travessia.
O fundamental, de novo, era garantir o essencial.
E o essencial era virar definitivamente a página do autoritarismo.
Ele estava pronto.
O País estava pronto.
A ida ao Colégio Eleitoral violentava sua alma democrática.
Mas era o único caminho possível.
A única porta aberta pela história.
“Essa foi a última eleição indireta do País”, foram as suas primeiras palavras como presidente eleito. E a verdade está aí para ser observada por todos.
Tancredo sabia a intensidade do compromisso que estava assumindo com a história.
Não haveria meio termo.
Ele viveu com a intensidade das suas convicções democráticas os seus últimos dias.
E com elas garantiu as condições políticas necessárias para que o processo de redemocratização do país se tornasse irreversível.
Essa preocupação balizou as escolhas que fez em toda a sua vida.
Tornaram-se, assim, proféticas as palavras que ele disse no seu discurso de despedida do Senado, ao se referir à morte do presidente Vargas:
Ele nos deixou o ensinamento indelével de que, no serviço da Pátria, a vida é o que menos vale.
Amigos,
Olho para trás, para o curso desses anos, e vejo que tomamos as decisões que precisavam ser tomadas.
Reformamos e inovamos.
Reinventamos práticas e processos no campo da gestão pública.
Quebramos paradigmas.
Com o decisivo apoio do meu antecessor, o presidente Itamar Franco, superamos crises e dificuldades grandiosas.
O seu desprendimento e o seu alto senso de responsabilidade pública nos permitiram criar as condições necessárias, ainda no seu governo, para realizar aquela que é considerada uma das mais densas reformas de estado do Brasil contemporâneo – o “choque de gestão”.
Devo dizer que também não me faltou em nenhum instante a solidariedade e o apoio de um outro grande governador de Minas Gerais, senador Eduardo Azeredo.
Enfrentamos incompreensões, naturais, próprias dos processos que envolvem grandes mudanças.
E chegamos até aqui...
Sei, não fizemos tudo.
E nem poderíamos.
Mas avançamos.
E estou certo de que avançamos muito!
Com as nossas mãos, com as mãos de todos, tijolo por tijolo, colocamos de pé o sólido alicerce sobre o qual ousamos sonhar um novo tempo para Minas.
E um novo tempo para cada um dos mineiros.
Ao final desse extenso ciclo, os resultados aí estão, em todos os campos.
E todos eles nos remetem a um princípio, a uma escolha, a uma determinação: a qualidade da gestão pública.
Acredito que esta obra grandiosa que inauguramos hoje é um marco simbólico da boa governança. Que significa transparência. Eficiência. Resultado.
E aproveito para saudar a chegada de um querido amigo, Beto Richa, prefeito de Curitiba, o mais bem avaliado prefeito do Brasil ao lado do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda
Mas a Cidade Administrativa não é apenas uma obra...
Todos que aqui vem se encantam com a beleza mágica traços de Oscar Niemeyer.
O belo edifício, concebido pelo gênio, está a poucos quilômetros do primeiro e maravilhoso conjunto da arquitetura moderna brasileira, o da Pampulha.
Há quase setenta anos ele projetava a Igreja de São Francisco, inspirada na capela que o grande santo fizera construir em Porciúncula e nas capelinhas barrocas espalhadas por Minas, e marcava o nascimento de uma nova estética.
Oscar retorna mais uma vez a Belo Horizonte, com suas formas e linhas, audazes e esplêndidas.
O grande segredo de Niemayer é namorar a natureza, afagá-la com seu intenso amor à vida, e fazer com que seus edifícios dialoguem carinhosamente com a paisagem, e, seduzidos, deixem-se tocar pela luz e pelo vento.
Sob a beleza ousada do concreto está a rigorosa funcionalidade. Os edifícios públicos de Oscar são espaços para a reflexão, a criatividade e o trabalho.
Muitos se impressionam com o rigor do imenso trabalho executado em tão pouco tempo: apenas 2 anos e 2 meses!
Há quem se surpreenda com o desenvolvimento que esta Cidade Administrativa irá atrair para o Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, trazendo uma nova realidade para cerca de 4 milhões de mineiros.
Especialistas se interessam em conhecer os inovadores padrões de sustentabilidade aqui aplicados com enorme rigor.
Há quem destaque o respeito ao servidor e à profissionalização do serviço publico como conquista mais relevante desse processo e certamente este é um dos grandes destaques que merecem ser lembrados.
Há ainda aqueles que admiram o fato de termos colocamos de pé a Cidade Administrativa sem utilizar recursos do Tesouro.
E há os que se surpreendem ainda mais com a economia de 92 milhões de reais por ano que essa Cidade irá trazer para os cofres públicos e para os mineiros.
Hoje, quando vejo pronta essa obra, eu vejo tudo isso.
Mas eu vejo mais.
Eu vejo a coragem, e me permita aqui essa rápida colocação, a equipe de governo, que saúdo no reconhecimento que manifesto ao meu extraordinário companheiro Vice Governador, Professor Antonio Augusto Anastasia, a ilustre secretária de Planejamento, Renata Vilhena, ao presidente da Codemig, Osvaldo Borges, ao gerente desta obra, Reinaldo Alves, e toda a sua equipe, a todos vocês, principalmente aos operários, a minha gratidão, o meu reconhecimento e o meu orgulho por essa parceria.
Eu vejo o talento de jovens homens e mulheres dedicados à causa pública que, com responsabilidade, não temem o novo, não temem a crítica. Portanto, saúdo mais uma vez a cada um de vocês.
Mas eu vejo mais.
Vejo a competência das empresas brasileiras que aqui se dedicaram para cumprir um rígido cronograma planejado detalhadamente e cumprido a risca.
Vejo a força do trabalho e o profissionalismo dos mais de 10 mil operários e técnicos que colocaram de pé esse sonho.
A todos eles o reconhecimento dos mineiros.
Mas eu vejo aqui, principalmente, um marco à força de todos vocês.
À capacidade de transformar em realidade aquilo que sonhamos, quando sonhamos juntos.
A Cidade Administrativa é fruto do trabalho de muitos.
E agradeço, mais uma vez, ao nosso grande Niemayer, por ter aceito o nosso convite e ter criado as linhas que definiram esse sonho. A ele e à sua equipe, na pessoa do arquiteto SusseKind, o nosso reconhecimento.
Ao fazê-lo, permita-me, meu caro Sussekind, constatar que é natural que uma obra com essa dimensão, com tantos diferenciais únicos, capaz de impactar tão positivamente o desenvolvimento e a vida de Minas Gerais, acabe por gerar, por má fé, ou mesmo por simples desconhecimento de uns poucos, impressões equivocadas daqueles que estão longe, a milhas de distância, da realidade de Minas.
Ao homem público cabe ter paciência para que, passadas as motivações menores, a realidade se imponha, como hoje já se impõe.
Gostaria portanto de mais uma vez dizer a cada um dos senhores que a Cidade Administrativa é a demonstração do vigor de Minas e dos mineiros e da crença na nossa capacidade de mudar para melhor a realidade.
Por isso, abraço de forma especial os representantes dos 853 municipios de Minas que percorreram o nosso chão para se reunirem hoje aqui ao nosso lado.
Ao encerrar minhas palavras devo um especial agradecimento à Assembléia Legislativa de Minas Gerais, que por iniciativa própria homenageia o centenário do presidente Tancredo Neves dando à esta Cidade o seu nome.
Que os sonhos de justiça e prosperidade do ex-Presidente inspire para sempre esta Casa e faça dela um vértice para onde possamos todos convergir em torno das grandes causas de Minas e do Brasil.
Que os sonhos do nosso Presidente sejam cada vez mais os nossos sonhos.
E que possamos estar à altura deles, para torná-los realidade viva e compartilhada.
Ao me despedir, agora para valer, mais uma vez agradeço, sensibilizado, a presença dos senhores e também um agradecimento especial a São Pedro que nos ajudou na parte principal dessa solenidade.
Felizes, nós os recebemos como um gesto de autêntica homenagem a Minas e o respondemos com aquilo que é mais caro aos mineiros: o amor ao Brasil, que não faltou em nenhum dos momentos mais importantes da história desse país!
E quero portanto, inspirado novamente em um mineiro, concluir essas minhas palavras. Ontem, toda esta lembrança de Afonso Arinos, companheiros que no Plenário do Congresso Nacional, acompanharam aquela solenidade. Vejo aqui inúmeros outros companheiros que já me ouviram fazer essa citação como o ex-vice governador do Estado Clésio Andrade, aqui também presente. Volto, portanto, às palavras de um dos nossos maiores, Afonso Arinos de Melo Franco, que em determinado momento buscou titular Minas Gerais nesta construção permanente que é a construção da nacionalidade. Abro aspas para o grande mestre:
"Minas é o centro e o centro não quer dizer imobilidade, porém peso, densidade, nucleação, vigilância atenta, ação refletida, mas fatal e decisiva.
Minas foi, é e será sempre o centro.
As suas terras tocam os climas do norte.
Participa dos climas úmidos e florescentes da orla litorânea.
A oeste, da civilização do couro.
Ao sul, confina com a riqueza paulista.
Daí a sua posição histórica, que é um imperativo geográfico, econômico, étnico.
Tende para a direita, quando a ordem periga.
Tende para a esquerda, quando periga a liberdade.
Age por compensação, como as defesas orgânicas, posição central que alguns estados do Brasil por vezes não compreendem, mas sempre agradecem quando, serenadas as paixões, analisam de boa-fé os resultados."
Mineiros,
Renovo, com cada um de vocês, meu compromisso de dedicação e lealdade.
Eles continuarão intocados, como matéria prima fundamental da minha vida pública.
Porque Minas é minha causa.
Minha casa.
Meu chão.
Minha Pátria...
Obrigado a cada um de vocês pelo apoio e a solidariedade! Viva Tancredo! Viva Minas Gerais!

Fonte: Assessoria de Imprensa do Governo de Minas Gerais

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