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A dança das estátuas . Jota Dangelo

A Prefeitura cercou os canteiros da avenida Tancredo Neves, que já foi também Rui Barbosa. Bom, muito bom mesmo. Espero que sejam retiradas as "muralhas" de pedra que cercam os canteiros, uma das coisas mais feias da cidade. Estão falando que vai voltar a fonte luminosa que, em tempos idos, ali existia. Não sou muito simpático à idéia. Acho coisa superada. Houve tempo em que fonte luminosa era mania: toda cidade tinha que ter a sua. Em Belo Horizonte existiu uma, enorme, na Praça Raul Soares. Só funcionava às quintas-feiras. Tinha gente que saía de casa neste dia para ver a fonte luminosa da praça. Hoje, a novela não deixaria que se fizesse a mesma coisa, se ainda existisse a tal fonte luminosa. Fonte luminosa é coisa do passado. Mas água, sem fonte luminosa, é sempre bom numa praça. Veja-se a Praça da Liberdade, com lagos e esguichos que dão uma aparência saudável e esteticamente agradável ao local.

Diz-se também que vão retirar dali algumas das estátuas que habitam o local. Realmente, existe ali um viveiro de estátuas. Resolveu-se homenagear todo mundo no mesmo lugar, com bustos ou corpos inteiros, além de placas comemorativas. O difícil é encontrar novos locais para os homenageados. A rotunda estátua de Getúlio Vargas, no extremo do canteiro da avenida poderia ir para a Praça Tamandaré, pois lá encontra-se o Museu Regional do IPHAN, e o IPHAN foi criado por Getúlio Vargas. Naquele tempo chamava-se SPHAN . É compatível. A estátua certa no local certo. A estátua do Tancredo, na verdade um Tancredinho, pode ir para o local onde está a do Getúlio Vargas. Afinal, a avenida agora tem o nome dele, não havendo razão para tirá-la de onde está. Tem também o busto da Bárbara Eliodora, imaginário, já que ninguém jamais soube como era o rosto da esposa de Alvarenga Peixoto. Como, aliás, também não se sabe como eram as feições de Tiradentes e do Aleijadinho. A Bárbara poderia ir para o pátio da casa que a ela pertenceu, na Praça São Francisco. Difícil mesmo é escolher um novo local para a bela estátua de Tiradentes. Fica onde está? Remove-se? Para onde? Sei que tem gente que é contra esta dança das estátuas. Talvez tenham uma certa razão: é sempre complicado alterar as coisas às quais estamos acostumados.

E se é para alterar, deve-se lembrar também do Chafariz da Legalidade, inteiramente deslocado no local onde se encontra, em frente a um posto de gasolina, numa praça não visitada, sem proteção, e sujeito às pichações e vandalismos. Melhor que voltasse para o seu local original, no Largo Tamandaré, não colado ao cais, que era ali que ficava, no final das arcadas do aqueduto que foi destruído estupidamente no final do século XIX. Mas pelo menos na praça, em local nobre, olhando para o belo casarão do Museu Regional. Mas será que tem alguém preocupado com estas coisas? Bem, eu estou. Mas será que elas merecem mesmo qualquer preocupação?

Fonte: Gazeta de São João del-Rei


De novo as estátuas 

Jota Dangelo

Em junho passado, sugeri nesta coluna a recolocação de várias estátuas que ornam o canteiro central da Avenida Tancredo Neves, já que a Prefeitura está realizando no local obras de revitalização. O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de São João del-Rei, atendendo sugestão do arquiteto André G. D. Dangelo, encaminhada àquela entidade, aprovou as recomendações e foi além, acrescentando outras tantas modificações e recolocações de placas e bustos que estão naquele local. O que foi aprovado pelo Conselho tem toda pertinência e está embasado em argumentação lógica e convincente. Entretanto, como se sabe, a última palavra sobre estes assuntos não cabe ao Conselho, e sim à Prefeitura, ou seja, ao Poder Público, ao qual o Conselho encaminhou as sugestões para análise e eventual concordância. O Conselho cumpriu com a sua parte: dentro de suas funções e pensando no que é melhor para a cidade, mais adequado e mais correto para conciliar local geográfico com homenagens que se justificam, sugeriu soluções.

É possível que haja (sempre há) quem não concorde com as modificações propostas, e não faltará, para discordar, boa dose de vaidades despertadas, sensibilidades exacerbadas e motivos subalternos. Cabe ao Poder Público assumir a responsabilidade pela execução do que o Conselho propõe, com firmeza e sem hesitar. O alerta justifica-se, já que contemporizar é, no mais das vezes, a maneira de políticos agirem, sempre pensando em votos, mais do que no que é melhor para a coletividade. Políticos, com as raras exceções que confirmam a regra, trabalham sempre com três Cs: conveniência, conivência e convivência.

Fonte: Gazeta de São João del-Rei


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