Melhores Práticas - Ação

1. Cultura e Artistas de São João del-Rei e região

Mestres Santeiros . São João del-Rei

Texto
Exposição . "Mestres Santeiros"
Irmãos Silva . Mestres Santeiros
Exposição "Mestres, Artífices, Oficiais e Aprendizes – a Escultura e a Talha nos Séculos XVIII e XIX " . Museu Regional
Exposição MESTRES ESCULTORES DO SÉC XVIII 
Projeto Religiosidade e Santeiros
Arte ao Vivo . Exposição de Santeiros  
Exposição Mestres Santeiros  
Fernando Pedersini . Mestre santeiro
Osni Paiva . Mestre Santeiro
Carlos Magno de Araújo . Mestre Santeiro/Restaurador

Exposição de esculturas sacras termina amanhã
Por Gazeta de São João del-Rei em 02/05/2014

Abrigo de diversas esculturas que ornamentam os altares da cidade, São João del-Rei encerra amanhã, 4, a exposição Escultores do Sagrado. A mostra apresenta obras sacras de artistas contemporâneos são-joanenses como Miguel Ávila, Carlos Calsavara, Fernando Pedersini e Ronaldo Nascimento.

Dentre as obras expostas é possível observar trabalhos em madeira, feitos com técnica utilizada no periodo setecentista - Foto: Divulgação

Dentre as obras expostas é possível observar trabalhos em madeira, feitos com técnica utilizada no periodo setecentista – Foto: Divulgação

As imagens expostas podem ser obeservadas pelos amantes de arte sacra no Memorial Dom Lucas Moreira Neves hoje, 3, das 10h às 17h; e amanhã de 8h às 12h. O museu se encontra na Rua Getúlio Vargas, nº 52, em frente à Matriz do Pilar.

Com grande força religiosa, São João del-Rei já é referencial em esculturas sagradas e um dos lugares ideais para essa exposição. Buscando valorizar a arte dos escultores que precisam de muito tempo para, manualmente, produzirem as imagens, a mostra aproxima as características de cada artista aos visitantes, que algumas vezes vêm de longe conhecer o barroco mineiro. Aqui, obras de diferentes artistas somadas às igrejas, aos altares e às imagens barrocas compõem o cenário histórico cultural que atrai turistas o ano todo.

Expositores
Com três peças na exposição, Miguel Ávila diz que quando pode vai até o Memorial para acompanhar as visitas e esclarecer qualquer dúvida que surge. “Sempre que posso estou lá, e quando vou as pessoas sempre têm perguntas, mostram o interesse pelo nosso trabalho. Isso é muito gratificante”, disse o artista.

Ávila se descobriu com talento ainda na infância, quando esculpia em argila, e logo na juventude já começou a usar sua arte de forma profissional. Ele explica que uma escultura de aproximadamente 40 cm demanda tempo, aproximadamente dois meses para ficar pronta, e que a exposição é importante para que as pessoas entendam também desse processo de produção. “O público vê nossas imagens nas igrejas, mas é na exposição que elas têm a chance de saber mais sobre cada uma delas e entender que a arte da escultura ainda está viva,” contou.

Programação
A programação da exposição incluiu ainda, desde o início de abril, visitas guiadas com alunos de escolas da cidade, além de ter se transformado em uma grande chance para os turistas que visitaram São João durante a Semana Santa conhecerem as especificidades da arte barroca.

Integrante da geração mais recente de escultores sacros são-joanenses, Ronaldo Nascimento criou gosto pela arte em 1999, há 15 anos. Com três esculturas expostas, ele confessa que a mais especial é a imagem de Nossa Senhora do Rosário. “Ela tem um significado especial pra mim. É uma peça com um grau de dificuldade maior pra fazer e meu ateliê fica próximo à Igreja do Rosário. Além disso, minha família sempre foi muito ligada a  ela. Sempre nos reuníamos para rezar o terço e temos um carinho especial pela santa,” contou.

O artista disse ainda que espera da exposição uma chance para o reconhecimento de outros artistas da região. “Queremos mostrar nosso trabalho para as pessoas e, através dele, provar que em São João del-Rei o barroco ainda acontece, ele está vivo. Somos escultores, entalhadores, o pessoal da prataria que ainda conserva essa arte na nossa região”, encerrou Nascimento.

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Santeiros de SãoJoão del Rei, uma resistência silenciosa
Religiosidade. O saber e o fazer de homens que nasceram com o dom de eternizar os santos

Evento na cidade histórica resgata umofício que resiste ao tempo
Eles têm uma trajetória de vida muito parecida, são autodidatas e, sem dúvida alguma, nasceram com dons e talentos para reproduzir com delicadeza e fidelidade os santos barrocos. Os santeiros resistem
ao tempo e sua história tem sido resgatada através do projeto Religiosidade e Santeiros, idealizado pela
Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de São João del Rei e que contou com recursos do Ministério
do Turismo.
A ideia é dar visibilidade aos santeiros e, ao mesmo tempo, promover a qualificação. Tudo começou em junho passado, com um seminário que envolveu artesãos, santeiros e especialistas em oficinas de capacitação em madeira, cerâmica, marchetaria, ferro, reciclagem e bordado. Foram mais de 200 artesãos inscritos, e o resultado foi mostrado durante o “Arte ao Vivo”, evento marcado para acontecer entre
os dias 13 e 15 deste mês em exposições ao ar livre, mas que foi prejudicado pela chuva que persistiu durante dois dias.
Mesmo assim, alguns deles saíram de suas casas escoltados pelos seus santos de devoção, ou não, e  tentaram mostrar sua arte e ofícioemquatro pontos turísticos  e de importância religiosa que abrigaram o evento: Largo de São Francisco, Rosário, Mercês e Carmo.
Ralph Justino, secretário municipal de Cultura e Turismo da cidade, idealizador do evento, quer transformar
a arte dos santeiros em um atrativo turístico. Uma forma de valorizar esse fazer. “Queremos que
São João del Rei volte a ter uma posição de liderança no artesanato de Minas Gerais. Os trabalhos
produzidos pelos santeiros são de qualidade e sofisticação diferenciada. Temos artistas maravilhosos e
cheios de talentos, que, no momento, estão esquecidos. Queremos mostrar para todo o Brasil não somente a parte material, através dos produtos, mas tambéma parte imaterial, que é única e se mostra
através do talento, que não pode ser desperdiçado”.
A ideia é garantir mais visibilidade para a produção de imagens sacras e outras peças. “Essas atividades
mostram a cara do artesanato do sãojoanense, que tem  vocação para a produção dos santeiros. Queremos fortalecer e intensificar o turismo religioso, com o resgate da tradição dos mestres e
qualificação do artesanato”, pontua Ralph.

Versatilidade
Carlos Calsavara é um dos mais novos escultores da cidade
O dom se manifestou na infância, primeiro através do desenho, e, depois, das modelagens. Carlos
Calsavara, 31, é um dos mais novos santeiros de São João del Rei. Versátil, trabalha com madeira e pedra-
sabão. O ofício veio por acaso quando, brincando, talhou Nossa Senhora da Conceição em 30cm de pedra-
sabão. A tia gostou e fez a primeira encomenda, um são Judas. Profissionalmente, trabalha há 12 anos, e seus clientes são particulares, colecionadores e igrejas do Brasil e do exterior.
“Trabalho com uma linha mais contemporânea. Tenho um design próprio”, diz o artista que já recebeu encomendas de santos não tão comuns, como Zegri, padre fundador da Ordem das Mercês, um busto de
Napoleão e um belíssimo santo Antônio de Catijeró, um africano. Tem admiração pelos santos mais  peregrinos como são Jerônimo e Madalena.
Sua peça mais famosa é Nossa Senhora das Mercês, com 1,86 m e que pode ser vista dentro da igreja homônima. O artista, que está no segundo ano do curso de artes aplicadas da Universidade de São João del Rei, é um universalista, respeita e dialoga com todas as religiões. (AED)

Delicadeza
Miguel Randolfo incorporou o ofício ao seu sobrenome
Tudo começou quando era coroinha e brincava de modelar peças do presépio em argila. Aos 12 anos, já esculpia a madeira e sua primeira peça foi um anjo, talhado no cedro. Hoje, aos 52 anos, Miguel Randolfo
Ávila, mais conhecido como Miguel Santeiro, tem peças espalhadas em casas e altares de todo o Brasil e
no exterior.
O crucifixo da Catedral de Brasília, com 5,40m de altura, Nossa Senhora dos Remédios toda em policromia, são Miguel Arcanjo, em Nova York, um incontável número de santos e oratórios de madeira encerrada, policromada, pedra-sabão e até cimentos, fazem parte da obra do santeiro Miguel.
Diversidade de formas, texturas, materiais e coloridos delicados. Os santos de Miguel têm uma expressão
inconfundível, formas delicadas. Para ser santeiro, “tem que ser católico. Todos os santos deixaram
um legado inspirador de vida. Mostram o que a pessoa tem de melhor”, finaliza. (AED)

Sensibilidade
Ronaldo Nascimento não sabia que era um escultor nato
Ronaldo Nascimento tem 42 anos e só descobriu que eraumescultor nato, aos 31 anos, quando cortavaum
pedaço de madeira com um canivete e viu surgir os primeiros traços de um anjo. Não parou mais.
Nascido em São João del Rei, “cidade que cheira a mofo e incenso por causa dos casarões antigos e das celebrações religiosas, fui contaminado com a arte e religiosidade locais”, confessa.
O escultor é autodidata, desenvolveu um estilo próprio impregnado da influência barroca e rococó  encontrada, principalmente, no interior das majestosas e seculares igrejas da região. Logo, Ronaldo ganhou o país e o mundo. Suas peças estão nas igrejas da cidade, do Brasil e da Europa e com  colecionadores.
O artista preserva e utiliza as mesmas técnicas dos artistas setecentistas, é cuidadoso e, quando  desconhece a vida deumsanto encomendado, trata de estudá-la. Tanto apuro e esmero despertaram
nele a intenção de um dia montar uma escola de arte para crianças e jovens, a fim de que a arte e o fazer
dos santeiros não se perca, jamais. (AED)

Fonte: Jornal O Tempo . Belo Horizonte . 23 de novembro de 2010

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