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Fundação Koellreutter - UFSJ-Universidade Federal de São João del-Rei

Texto
 Em 2006, quando criou a Fundação Koellreutter, a Universidade Federal de São João del-Rei dava seu primeiro grande passo no sentido de prestigiar o legado deste importante músico nascido em 1915 na Alemanha. Nove anos depois, no centenário de Hans-Joachim Koellreutter, a UFSJ celebra, com uma série de atividades, a grandiosa trajetória do artista responsável por construir uma nova fase da modernidade musical brasileira.

Koellreutter desembarcou no Brasil em novembro de 1937. Além de músico, foi professor, educador e responsável por influenciar uma geração de músicos que passaram por suas aulas. Seu valioso legado possibilitou o questionamento a respeito do porquê, para quem e como fazer música.

O professor Carlos Kater, estudioso das obras e da vida do músico, acredita que “o valor de Koellreutter é fundamentalmente o valor da reflexão a respeito do nosso ser e estar hoje, neste tempo que nós habitamos". Kater ainda ressalta o que considera uma marca valiosa do músico alemão como educador: Koellreutter sempre incentivou seus alunos a desenvolver suas próprias linguagens. “Ele nunca impôs sua própria escolha sobre seus alunos, o que faz com que, quando nós escutamos músicas de seus ex-alunos, identifiquemos o estilo de cada um, sua estética, sua maneira de fazer música."

O valor da reflexão e o papel educador de Koellreutter no Brasil aparecem com clareza no movimento de renovação musical Música Viva (1938-1952), que assinalou o início de uma nova fase da modernidade musical brasileira. Um dos grandes legados do músico, o movimento compreendia desde a formação dos músicos às composições e meios de divulgação - manifestos, revistas, músicas, concertos, audições, rádio. Provocou uma reflexão sobre a criação contemporânea e o papel da música na sociedade, encarada como expressão do seu tempo, dos pensamentos, do sentimento.

Koellreutter foi aluno de nomes como Gustav Scheck (flauta), Carl Adolf Martiens­sen (piano), Georg Schuenemann e Max Seiffert (musicologia), Kurt Thomas (composição e regência coral), Paul Hindemith e Hermann Scherchen (composição), sendo, ainda jovem, flautista respeitado na Alemanha. Como professor, teve entre seus alunos de composição Guerra Peixe, Cláudio Santoro e Edino Krieger. Introduziu o dodecafonismo no Brasil, ajudou a fundar a Orquestra Sinfônica Brasileira, na década de 1940, e a Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, na década seguinte.


Centenário

O presidente da Fundação Koellreutter e professor do Departamento de Música da UFSJ, Marcos Filho, conta que foi aprovado, em edital de apoio da Fundação Itaú Cultural, projeto que busca preservar todo o acervo do músico. Cerca de 15 mil projetos foram inscritos, e o da UFSJ foi um dos cem selecionados. Com o apoio, as obras do musicista serão higienizadas, digitalizadas e disponibilizadas em portal online para acesso do público.

Outro projeto também está em execução no ano do centenário de Koellreutter. "Além da sala expositiva, que já existe, vamos criar uma sala na Biblioteca do Campus Tancredo Neves que vai receber o acervo tratado. Será um espaço para pesquisa, para a reflexão musical, para ouvir música e ter contato com o material do artista", informa o professor.

Fundação

A Fundação Koellreutter foi criada com o objetivo de preservar a memória do musicista a partir da doação de seu acervo por sua viúva, Margarita Schack. O acervo reúne peças, livros, partituras e outros objetos pessoais do artista, expostos em uma sala no segundo piso do Centro Cultural da Universidade, situado no Solar da Baronesa, Praça Dr. Augusto das Chagas Viegas, 17, Largo do Carmo. O Espaço Koellreutter fica aberto para visitação diariamente, das 8h as 20h. 

 

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