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Cachaças de alambique

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Cachaça Século XVIII . Alambique de Coronel Xavier Chaves . Foto Alzira Agositni Haddad

Campo das Vertentes tem 11 cachaças de alambique certificadas no ano passado
A expectativa para 2012 é que o número de cachaças certificadas em Minas aumente em pelo menos 10%
Onze cachaças de alambique da região das Vertentes, de nove marcas diferentes, foram certificadas em 2011. O procedimento, realizado pelo Governo de Minas por meio do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), atesta a qualidade do produto.
Produzidas nas cidades de Barroso, Belo Vale, Congonhas, Coronel Xavier Chaves, Itaverava, Jeceaba e Prados, as cachaças são de fabricação artesanal, com fermento natural e destiladas em alambique de cobre. Para obter a certificação, é necessário, primeiramente, aderir ao projeto junto ao IMA e optar pelo sistema produtivo da cana (orgânico, sem agrotóxico ou convencional). As cachaçarias só são certificadas se o processo de produção utilizado atender aos procedimentos de boas práticas, adequação social e responsabilidade ambiental.
Segundo o diretor-geral do IMA, Altino Rodrigues Neto, o programa de certificação da cachaça traz vantagens para produtores, exportadores e consumidores. “A certificação é uma maneira de atestar a qualidade e agregar valor ao produto, tão popular em Minas, mas que ganha novos mercados através do programa de certificação. O que gera, também, maior competitividade dos produtores, garante a qualidade da bebida e propicia melhores opções aos consumidores finais”, destaca.
Para Odaque da Silva, produtor da cachaça Liberdade, de Congonhas, a certificação padroniza o nível de qualidade das cachaças mineiras. “Todo mundo ganha com isso. Para o consumidor, principalmente, é um atestado de segurança, de que aquele produto é desenvolvido dentro de padrões de higiene, por exemplo”, comenta.
Ele ressalta, ainda, que, juntamente com os dois sócios da marca, resolveram investir também no envelhecimento da cachaça. “Optamos por deixar a cachaça envelhecer mais para, juntamente com o selo do IMA, agregar um valor maior. Mas após a certificação já somos vistos com outros olhos”, afirma. Em 2012, eles pretendem trabalhar para adquirir mais um selo, desta vez do Inmetro.
Desde o início do programa de certificação do Estado, em 2008, receberam o certificado 176 estabelecimentos, sendo 221 em 2011. A expectativa para 2012 é que o número de cachaças certificadas em Minas Gerais aumente em pelo menos 10%.

Cachaças de alambique certificadas em 2011 na região das Vertentes:
- Capote Ouro - Jeceaba
- Liberdade - Congonhas
- Barrosinha - Barroso
- Pura Bossa Nova - Barroso
- Século XVIII - Coronel Xavier Chaves
- Engenho da Boa Vista - Barroso
- Cachaça Taverna de Minas Clássica - Itaverava
- Cachaça Taverna de Minas Ouro - Itaverava
- Serra Morena - Belo Vale
- Serra Morena Prata - Belo Vale
- Tabaroa - Prados

Fonte: Agência Minas, 15 de Fevereiro de 2012


Licores: sub-produtos da cachaça. Foto: Alzira Agostini Haddad

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Ranking da cachaça tem 4 marcas da região
Por Gazeta de São João del-Rei em 15/02/2014

Se alguém tinha dúvidas de que as cachaças mineiras estão entre as melhores do país, tirou a prova com a lista da Cúpula da Cachaça divulgada na semana passada. Em ano de Copa do Mundo, o grupo resolveu elencar, digamos assim, uma verdadeira Seleção com as 50 melhores aguardentes no Brasil. E não deu outra: 56% da lista foi ocupada por bebidas de Minas Gerais. Quatro delas do Campo das Vertentes, região que ainda prima pela produção artesanal, além de abrigar o engenho brasileiro mais antigo e ainda em atividade.

A Santo Grau ocupou o 27º lugar no ranking da Cúpula - Foto: Divulgação

A Santo Grau ocupou o 27º lugar no ranking da Cúpula – Foto: Divulgação

Após três dias de experimentações às cegas e peneira que começou popular com mil marcas, a Tabaroa, a Santo Grau, a Século XVIII e a Espírito de Minas saíram do evento em Analândia, São Paulo, ocupando posições no ranking das branquinhas de maior destaque em território tupiniquim. A escolha, na última etapa, foi baseada em júri especializado. “Não esperava que isso acontecesse. Mas a verdade é que trabalhamos para alcançar os melhores resultados e ter o melhor sabor. Junto com a cachaça entregamos uma verdadeira paixão e produções únicas”, explicou o produtor da Tabaroa, Alexandre Figueiredo.

A marca, que conquistou o 24º lugar entre as melhores, é produzida em Prados desde 2003, mas é resultado de trabalho que começou há 25 anos atrás, quando um jovem empreendedor, frustrado por não conseguir produzir vinho, resolveu explorar um estoque de cana-de-açúcar na fazenda da avó.

Hoje, o engenho da pequena cidade no Campo das Vertentes produz 10 mil litros de cachaça anualmente. Com envelhecimento de dois anos, a Tabaroa se destacou na eleição pelo aroma adocicado, que envolve cravo e canela em graduação alcóolica de 46%. “Esse é outro diferencial. Apesar da nossa produção artesanal, conseguimos manter esse teor acima da média, que no mercado é de 43%”, disse Figueiredo.

Tradição
Se vencer com uma marca já é motivo de orgulho para um produtor, imagine conseguir o trunfo duplamente. Foi o que aconteceu com Rubens Resende Chaves, 81 anos, produtor da Santo Grau (27º lugar) e da Século XVIII (49º lugar). Ou melhor: o membro da sétima geração de alquimistas da cachaça em Coronel Xavier Chaves.

É ali que fica o engenho Boa Vista, o mais antigo e ainda em atividade do país, criado nos anos de 1770. “Documentos de 1775 já dão conta da existência dele, que foi doado a Domingos da Silva Xavier, irmão mais velho de Tiradentes. Ele foi ordenado padre e deixou o espaço como herança para os familiares mais próximos, os sobrinhos. E assim a história continuou até chegar a mim e agora aos meus filhos”, comentou Chaves.

A trajetória que ultrapassa 200 anos dá à Santo Grau e à Século XVIII seu caráter tradicional e histórico capaz, até, de atrair turistas para o Boa Vista. “Já veio gente até do Egito pra cá. Se me perguntar como isso acontece, não sei explicar. Mas somos gratos por isso”, disse.

Ele também não explica, jamais, o que as cachaças têm de especial. O diferencial dos produtos do Engenho Boa Vista é como a fórmula da Coca-Cola: segredo. “O que posso dizer é que fazemos tudo com amor à nossa história e às pessoas que consomem as bebidas. Eu, por exemplo, estou no meio desde criança. Comecei a observar a produção ainda muito novo. O mesmo aconteceu com meus filhos e netos”, garantiu.

A Santo Grau tem teor alcóolico de 40%, enquanto a Século XVIII, mais forte, alcança 48%. A primeira, que chega a 50 mil litros produzidas ao ano, é revendida por uma empresa paulista. A última, com produção máxima de 10 mil litros, é comercializada no próprio engenho e é mais restrita no mercado. Um detalhe especial Chaves não esconde: a cada mil litros de caldo-de-cana, apenas 130 litros são aproveitados na receita da cachaça que, diz o produtor, não queima, não arde e não causa ressaca.

Espírito de Minas
A terra do café com biscoito também foi representada no ranking e mostrou que cachaça também é o forte em São Tiago. Produzida na fazenda Santa Luzia, a Espírito de Minas é conhecida desde o século passado por sua fabricação tradicional, além da fermentação que, dizem os fabricantes, não utiliza produtos químicos.

Para chegar à aguardente de São Tiago, a cana é cortada manualmente antes de passar por moedor, alambiques, tonéis de carvalho e até engarrafamento dentro da propriedade construída por volta de 1910. Com envelhecimento de um ano para chegar ao consumidor, aroma de banana passa e um pouco de milho, a Espírito de Minas ficou em 45º lugar no ranking da Cúpula.


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Cachaças da região são certificadas pela IMA

Cinco cachaças produzidas nas cidades de Barroso, Coronel Xavier Chaves e Prados foram certificadas em 2011. O procedimento, realizado pelo Governo de Minas por meio do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), atesta a qualidade do produto.
As cachaças são de fabricação artesanal, com fermento natural e destiladas em alambique de cobre. Para obter a certificação, é necessário, primeiramente, aderir ao projeto junto ao IMA e optar pelo sistema produtivo da cana como orgânico, sem agrotóxico ou convencional. Mas as cachaçarias só são certificadas se o processo de produção utilizada atender aos procedimentos de boas práticas, adequação social e responsabilidade ambiental.

Segundo o diretor geral do IMA, Altino Rodrigues Neto, o programa de qualificação da cachaça traz vantagens para produtores, exportadores e consumidores. "A certificação é uma maneira de atestar a qualidade e agregar valor ao produto, tão popular em Minas, mas que ganha novos mercados através de programas como esse. Isso gera, também, maior competitividade dos produtores, garante a qualidade da bebida e propicia melhores opções aos consumidores finais”, destacou.
Desde o início do programa de certificação do Estado, em 2008, receberam o certificado 176 estabelecimentos, sendo 221 só em 2011. A expectativa para 2012 é que o número de cachaças certificadas em Minas Gerais aumente em pelo menos 10%.

Fonte: Gazeta de São João del-Rei . 25 de Fevereiro de 2012 

Mais informações
Minas Gerais possui 151 cachaças certificadas  

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