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Presídio Regional de São João del-Rei

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Presos se rebelam por novas determinações
Por Gazeta de São João del-Rei em 26/01/2013

Duas alas destruídas, colchões queimados, familiares e detentos encaminhados para o hospital. Na tarde do último sábado, 12, esse foi o saldo de um motim no Presídio Regional de São João del-Rei. Foi o segundo incidente envolvendo detentos em menos de um mês.

Para conter a rebelião no presídio de São João del-Rei vieram reforços carcerários de Belo Horizonte e Juiz de Fora - Foto: Reprodução TV Campos de MinasPara conter a rebelião no presídio de São João del-Rei vieram reforços carcerários de Belo Horizonte e Juiz de Fora – Foto: Reprodução TV Campos de Minas

Em 21 de dezembro, três presos foram flagrados com drogas dentro do complexo. Um deles tentou engolir uma pedra de crack e foi impedido à força por agentes penitenciários. A cena irritou internos, dando início a tumulto contornado minutos depois e muito menor do que o do último fim de semana.
Desta vez foi necessária a intervenção de equipes carcerárias de Belo Horizonte e Juiz de Fora (MG) para controlar a parte dos quase 300 presos que se rebelou durante o horário de visitas e incendiou objetos dentro da penitenciária.
Do lado de fora, parentes se desesperaram com a situação, que só foi resolvida à tarde. Alguns precisaram ser socorridos por ambulâncias e encaminhados à UPA. Um interno, com problemas cardíacos, também foi removido para atendimento de emergência, mas passa bem.
Apesar do incidente e de setores destruídos, ninguém se feriu. Segundo o atual diretor do Presídio Regional, Ronald Bauer, todo o trabalho de contenção do motim foi feito visando a segurança de detentos e familiares. “O importante é resguardar a vida das pessoas, impedir que alguém se machuque gravemente. E foi isso o que aconteceu. A situação foi contornada sem feridos”, disse.

Confusão
A rebelião começou na manhã de sábado depois que uma mudança estrutural foi anunciada no Presídio e um banheiro dentro do pátio de detenção foi desativado pela diretoria. Segundo Bauer, em entrevista à TV Campos de Minas, a medida foi tomada para impedir a circulação de entorpecentes no local. “Visitantes engoliam drogas e por isso conseguiam passar pela revista. Ao chegar dentro do complexo, eles utilizavam esse banheiro para vomitar o material e repassá-lo aos detentos. O tráfico aumentou aqui dentro. Por isso reagimos. Agora eles só podem usar os sanitários do lado de fora”, disse.
Em entrevista à Gazeta logo após o tumulto no final de 2012, o diretor alegou que já estudava ações para impedir a entrada de narcóticos no espaço. “Ainda não contamos com aparelhagem adequada para revistar quem entra ali dentro. Checamos roupas, bolsas e sacolas, mas se algo é engolido já não podemos evitar. Por enquanto, até conseguirmos nos adequar, o trabalho é manual e preventivo”, disse. Para sanar esse tipo de problema, aparatos como raio-x de bagagem e scanners corporais são utilizados em complexos de detenção.

Homicídio
Um jovem de 19 anos foi assassinado na noite de domingo, 13, no Bairro Lombão. I.M.F foi baleado dentro de casa e encontrado pela polícia ainda com vida, chegando a denunciar o autor dos disparos. O rapaz, porém, não resistiu aos ferimentos e morreu no Pronto Socorro. A PM chegou à cena do crime depois que vizinhos da vítima ligaram para a central relatando terem ouvido disparos vindos de dentro da residência. Segundo informações do 38º Batalhão de Polícia Militar (38º BPM), o suspeito do homicídio é um menor de idade que até o fechamento desta edição na quinta-feira, 17, ainda não havia sido localizado.

Apreensões
Também na noite de domingo, um foragido da Justiça foi recapturado em Santa Cruz de Minas. A.B.S, de 26 anos, foi libertado do presídio como benefício do indulto de Natal, mas não retornou à penitenciária. Ele foi flagrado pela própria polícia enquanto transitava pelo Bairro Cascalho e tentou fugir, mas foi abordado, detido e encaminhado para a delegacia.
Horas depois, no mesmo município, três homens teriam se envolvido em uma briga na Praça São Sebastião e um deles estaria armado. A cena fez com que testemunhas chamassem a polícia que, ao se aproximar, assustou os suspeitos. O trio conseguiu fugir (dois deles em uma motocicleta e um a pé). A arma que pertenceria a um dos envolvidos foi encontrada em um terreno baldio nas proximidades. Era um revólver calibre .38 com cinco munições.
Drogas também foram apreendidas pela PM no dia 13, mas desta vez em São João del-Rei. Segundo informações do 38º BPM, um homem de 57 anos foi preso no Bairro Tijuco sob suspeita de tráfico. Com ele foram encontrados 12 papelotes de cocaína e R$340 em dinheiro.

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Presídio Regional amplia capacidade para detentos
Instituição passará de 153 para 273 vagas com reforma

Uma obra resultante de investimentos entre R$80 mil e R$120 mil irá aumentar em quase 80% a capacidade do Presídio Regional de São João del-Rei, o Mambengo, e amenizar um problema antigo,
a lotação. Segundo o diretor de Atendimento e Ressocialização, Charles Wilson do Nascimento, as melhorias gerarão mais vagas para intemos. Com isso, o limite de detentos que que hoje é 153 passará para 273. "Serão quatro novas celas, cada uma com capacidade para 30 presos", contou.
O diretor do presídio, Ronald Bauer Assunção, informou que a inauguração dos novos cômodos pode acontecer em 30 dias. "As celas já estão prontas. Agora estamos dependendo da instalação do transformador, já que a demanda de energia vai aumentar", disse.
Bauer acrescentou que também estão sendo construídas no local uma cozinha e uma sala para revistas. "Atualmente as refeições vão em marmitas para o Mambengo. Com. a instalação da cozinha no local, poderemos fornecer alimentos de melhor qualidade, além de podermos colocar os presos para trabalharem ali", afirmou Assunção.
Já o diretor de Atendimento e Ressocialização do Mambengo falou sobre a importância da sala de revista para 0 presídio. "Poderemos receber melhor os familiares, agilizar a entrada deles e ter uma zona de trabalho mais bem organizada em relação à segurança", disse.
Para evitar a falta de água no Mambengo, Assunção contou que conseguiu com a Subsecretaria de administração Prisional duas caixas d'água.

Investimentos
As verbas para a melhoria das instalações são originárias de diferentes segmentos. Por esse motivo,
segundo o diretor de Atendimento e Ressocialização, não é possível informar com exatidão o total de
dinheiro investido nas obras. "Só nas celas o Judiciário e o Conselho da comunidade injetado entre R$80 mil e R$ 120 mil. A cozinha é uma parceria feita com a empresa que fornece as refeições. Já a sala de revista está sendo construída através de doações da comunidade e ainda não foi finalizada por falta de material", contou Nascimento.
Todas as construções são realizadas com' mão de obra carcerária em troca de reduções penais ou subsídios. "Os presos trabalham por remissão de pena. Além desse beneficio, os detentos que atuam nas obras da cozinha estão recebendo 3/4 do salário mínimo pelo fato de a empresa que está bancando as melhorias ser privada", completou.

Agentes flagram  detentos cerrando cela no presídio
No último final de semana os agentes do Presidio Regional de São João del-Rei flagraram detentos tentando cerrar celas. Segundo o diretor da instituição, Ronald Bauer Assunção, as ações foram descobertas logo que aconteceram. "Agentes estavam fazendo ronda durante a noite e reparara que os detentos haviam aumentado o volume da televisão para disfarçar algo. Foi então que perceberam os danos na grade”, contou Bauer.
Ele acredita que os detentos conseguiram material com presos que estão trabalhando nas obras no presídio. "Já tiramos todos da construção para investigar Como as ferramentas chegaram lá dentro", completou. Ainda conforme o diretor, os presidiários flagrados cerrando a cela foram isolados e os agentes estão apurando o ocorrido para, posteriormente, tomarem providências junto ao conselho  disciplinar e ao juiz.
Bauer ainda contou que a diretoria do Mambengo aproveitou a oportunidade para vistoriar o presídio e procurar outros materiais como esses. Na operação foram encontrados pedaços de serra,  pedaços de fero amolados, semelhantes a facas. “Sempre fazemos revistas gerais, mas não há um frequência definida justamente para não criar rotina e para que os presos não saibam quando isso acontecerá. Não começamos a vistoria no final de semana para não prejudicar as visitas no domingo e penalizar os outros presos. Por isso, optamos por começar na segunda-feira”, disse.

Fonte: Gazeta de SJDR, 8 de Outubro de 2011

 

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